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Durante a 62ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, em 22 de junho, Ilana Gritzewsky, uma sobrevivente do ataque do Hamas em Israel em 7 de outubro de 2023, confrontou a relatora especial Reem Alsalem sobre a falta de menção ao Hamas em seu relatório sobre violência contra mulheres. Ilana descreveu seu trauma e as atrocidades que sofreu, questionando o silêncio da relatora.
Genebra, 22 de junho. O microfone da 62ª sessão do Conselho de Direitos Humanos é aberto para Ilana Gritzewsky. A jovem nascida no México encara Reem Alsalem, relatora especial da ONU sobre violência contra mães no conflito deflagrado em Gaza após o massacre perpetrado pela facção terrorista Hamas contra civis israelenses no dia 7 de outubro de 2023.
“Relatora especial”, começa Ilana, “seu relatório trata de violência contra a mulher. Por que não há menção ao Hamas?”
A relatora se remexe na cadeira, desconfortável. Apoia o queixo nas mãos, entrelaça os dedos crispados.
Ilana prossegue. “Em 7 de outubro, terroristas invadiram nosso kibutz, matando, sequestrando e queimando. Eles me tocaram e abusaram sexualmente de mim. Fui espancada e mutilada antes de apagar. Eu acordo seminua com sete terroristas sobre mim. Sem saber o que aconteceu comigo naqueles momentos perdidos. Passei por dias de dor e horror em cativeiro. E mesmo agora a sensação de ser impotente e violada perdura.”

O rosto da relatora da ONU parece de pedra, mas pequenos trejeitos nervosos indicam que as palavras de Ilana lhe chegam como um açoite.
“Voltei com o quadril quebrado, uma mandíbula quebrada e uma alma com cicatrizes. As pessoas veem meu rosto e pensam que sou livre. Mas liberdade não é um interruptor. Trauma não desaparece depois que você é liberado. Agora, todas as sirenes de ataque aéreo e todos os mísseis do Irã me lançam de volta naquele inferno.”
A voz de Ilana se torna trêmula. Ela começa a ofegar diante de Reem Alsalem, a burocrata que, em novembro de 2025, fez uma postagem no X afirmando não haver uma investigação “independente” que provasse o cometimento de estupros pelo Hamas.
“Em 7 de outubro e durante o cativeiro”, atestou Ilana, “mulheres judias foram abusadas, estupradas e humilhadas. E você, relatora especial… Você escolhe silêncio e negação!”

Alsalem inclina a cabeça, em um movimento que parece indicar embaraço e impaciência.
Ilana Gritzewsky a confronta. “Senhora Alsalem, você diz que não havia evidências de violência sexual em 7 de outubro. Estou aqui hoje não como um relatório. Não como uma estatística. Sou uma mulher que sobreviveu. Sou a prova viva da violência sexual do Hamas. Quando eu, outra mulher de Israel, implorei para não ser estuprada, por que você estava em silêncio?”
A marmórea Reem Alsalem desvia o olhar. A jovem a desafia.
“Por favor, olhe para mim! Você acredita em nós agora? Você vai pedir desculpas?”
Termina assim o depoimento de Ilana, boca aberta, expressão catatônica, olhos arregalados de estupefação e dor.
Fundada 81 anos atrás, a Organização das Nações Unidas se tornou uma farsa, rastejando da irrelevância para a falência moral.
Ilana estava depondo perante um colegiado de cartas marcadas. A maioria dos integrantes vota sistematicamente contra Israel. Não se trata nem de viés, mas de alinhamento automático, do tipo “ordem unida”, ditada por nações vinculadas à Organização da Cooperação Islâmica. Países que compõem o Sul Global, como é o caso do Brasil sob o governo Lula, engrossam o apoio à cegueira deliberada de Reem Alsalem.
Link: https://revistaoeste.com/revista/edicao-237/festival-de-terror/
No cômputo geral das deliberações do Conselho de Direitos Humanos da ONU, tendo ou não tendo razão, Israel está condenado a perder de goleada. Pelo menos 70% dos votos se erguem contra matérias que dizem respeito aos interesses da única grande democracia do Oriente Médio.
Um levantamento do UNWatch, organização que atua como um observatório da ONU, dá números planetários à hipocrisia. Nos últimos 20 anos, o Conselho de Direitos Humanos foi condescendente com ditaduras. O regime cubano, que mantém mais de 700 presos políticos em verdadeiras masmorras, está zerado no placar das resoluções condenatórias. Aos olhos da ONU, no pasa nada.

O mesmo se verifica em relação à China: zero condenações em matéria de direitos humanos. Aos olhos do Conselho, nada para ver, para relatar, para condenar.
E o Irã, com execuções em massa de dissidentes políticos e repressão violenta a minorias? O regime brutal de Teerã recebeu, de 2006 a 2026, apenas 18 resoluções condenatórias.
Pois bem. E em Israel? Como o Conselho de Direitos Humanos da ONU vê o país em que mulheres e gays desfrutam de ampla liberdade, a oposição pode exprimir abertamente suas visões políticas, e qualquer cidadão, judeu ou muçulmano, tem direito de ampla defesa em caso de processos judiciais?
Acredite: em 20 anos, o Estado israelense foi fulminado com 116 resoluções – mais da metade de todas as condenações desferidas pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU desde 2006.

O mais trágico, no pungente relato de Ilana Gritzewsky perante um Conselho dominado por cínicos, é constatar que a flâmula deste cinismo tremula aqui mesmo, entre nós.
Apesar das atrocidades que cometeu contra civis e até mesmo bebês, o Hamas não é considerado um grupo terrorista pelo governo brasileiro porque, alega, a ONU não faz esta designação. É uma desculpa que não convence ninguém fora da bolha lulopetista e de setores radicais da assim chamada “esquerda” brasileira. Países como Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Japão e Austrália, e também as nações que formam a União Europeia, já reconhecem o óbvio: o Hamas é uma organização terrorista, com tentáculos em muitas partes do mundo.
No Brasil, a facção conta com um entusiasta dentro do governo. O assessor de Lula para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, redigiu o texto de apresentação da edição brasileira do livro Engajando o mundo: a construção da política externa do Hamas. A obra, de autoria do britânico Daud Abdullah, foi lançada em maio de 2023, cinco meses antes de o mundo conhecer, escandalizado, a carnificina provocada pela “diplomacia” do Hamas.
Depois de acusar Israel de “genocídio” pela guerra travada contra o Hamas na Faixa de Gaza, Lula foi declarado persona non grata pelo chanceler israelense Israel Katz até que peça desculpas. Não pediu, claro. E as relações diplomáticas entre os dois países foram rebaixadas para um nível estritamente comercial. E é curioso notar, para quem tem dúvidas sobre a pujança da democracia israelense, que a representação do país em Brasília, para assuntos de negócios, está a cargo de uma mulher muçulmana: Rasha Athamni.
Como mostrou Oeste, em abril deste ano, a face perturbadora do antissemitismo está entre nós e desfilou sua ousadia até mesmo em um santuário da cordialidade brasileira — um bar da Lapa, no Rio de Janeiro.

Cinco meses depois da reportagem de Eliziário Goulart Rocha, e faltando apenas três meses para a eleição presidencial que decidirá se o Brasil vai continuar ou não cortejando os terroristas do Hamas, a publicação do relato da mexicana Ilana Gritzewsky sobre o que passou nas mãos dos seus algozes é um novo alerta.
O brasileiro que ingressar na cabine de votação, em outubro, poderá vestir a gélida máscara da indiferença, como fez a relatora Reem Alsalem.
Ou atender ao apelo trêmulo de Ilana.
“Por favor, olhe para mim!”
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Mais um excelente artigo de Eugênio Esber. A ONU e seus integrantes não têm sentido de existir, sempre estão na contra mão da História e do que importa para os direitos humanos. Refiro-me a um grupo que não tem a mínima conexão com realidades preocupantes do que ocorre no mundo. Ganham apenas para expor narrativas sem relevância alguma sobre as atrocidades que ocorre no mundo. Não existe mais direitos humanos nessa instituição. As mulheres violentadas pelo.hamas foram destruidas física e emocionalmente, isso significa nunca terão suas vidas de volta, foram massacradas. O antissemitismo voltou no mundo, principalmente na Europa e nos EUA. O mundo aprendeu com o Holocausto?A tragédia se repetiu e perdura Israel vive até hoje o impensável. Há anos vive sob ataques de fanáticos islâmicos e as tragédias se repetem.
Eu pensava, Teresa, que o mundo tinha aprendido com o Holocausto. Desgraçadamente, não aprendeu.
Reem Alsalem deveria ser expulsa da ONU se a ONU quisesse reconquistar o mínimo de credibilidade!
Muito obrigado à Revista Oeste por trazer esse depoimento!
Sigamos na esperança de um Brasil melhor onde todos possam exercer sua religião sem preconceito!
Tenha esperança, Adriano. A ONU – esta ONU que vemos – não ficará de pé.
Uma total desfaçatez desta Sra funcionária da ONU.
Pior, Fábio, é que esta relatora contou com confortável maioria de votos para assumir esta posição e ainda ser reconduzida para mais um mandato.