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Mulher tenta se proteger do sol; ondas de calor elevam as temperaturas acima de 30 graus Celsius, em Londres, Reino Unido (08/07/2026) | Foto: Reuters/Anadolu
Edição 330

A histeria é mais mortal que o clima

Malucos de carteirinha não se dão conta de que, para nós que estamos fora dessa bolha alarmista, eles não passam de falsos profetas, ridículos e arcaicos

Confira o resumo que a OESTE.IA, a IA da Revista Oeste, fez pra você

O artigo critica a histeria em torno das mudanças climáticas, especialmente durante ondas de calor, argumentando que os alarmistas tratam fenômenos naturais como castigos divinos e culpam a humanidade por sua própria existência. O autor menciona que a elite ambientalista demoniza tecnologias como o ar-condicionado, que poderiam aliviar o sofrimento durante o calor extremo, e sugere que essa ideologia é mais prejudicial do que a própria mudança climática.

Não há nada como uma onda de calor para escancarar a loucura medieval dos eco-histéricos. Basta o termômetro disparar e os arautos do apocalipse sobem em palanques para esculachar a humanidade. É o “inferno na Terra”, é o “derretimento global”, esgoelam-se. Um “cão do inferno” está trazendo o calor do “submundo” para o nosso mundo, dizem os escribas da mídia. Malucos de carteirinha, não se dão conta de que, para nós que estamos fora dessa bolha alarmista, não passam de falsos profetas, ridículos e arcaicos.

E, claro, a culpa é toda nossa. Ao voar, dirigir e existir, amontoamos brasas vivas sobre as nossas cabeças. Estamos colhendo o fruto queimado dos nossos próprios pecados. Como diz o chefe da ONU Mudança Climática, é nosso “vício em queimar carvão, petróleo e gás” que está fazendo esse sol incandescente brilhar tão forte e a “mudança climática sair do controle”. A vida moderna está “derretendo o planeta” e “destruindo nosso mundo”, resmungou um colunista do Guardian esta semana. Arrependam-se! Mexam-se!

Basta o termômetro disparar e os arautos do apocalipse sobem em palanques para esculachar a humanidade | Foto: Reuters/Alice Sacco

Alguém mais já está cansado disso? Alguém mais já está farto de não poder aproveitar um dia quente sem ser acusado de genocídio planetário por uns playboyzinhos metidos a besta? Alguém mais já está cheio daqueles mapas meteorológicos em que os países mais quentes são pintados de bordô para reforçar a sandice de que o próprio Cérbero teria emergido do Reino de Hades para incinerar o planeta? Irlandês que sou, nem curto muito as ondas de calor, mas não tolero mais essa balela do clima usada como arma para intimidar as pessoas.

Vai piorar — o calor e a coação. Outra onda de calor está chegando. Londres pode até atingir 29°C, esbraveja a BBC, exibindo um mapa vermelho-sangue da nossa capital escaldante. Será que posso dizer que londrinos viajam para o exterior para relaxar em climas mais quentes do que esse, ou serei acusado de “negar o estresse térmico”? Essa é a mais nova espécie de “negacionismo”, segundo o maluco do George Monbiot. O jornalista diz que a “imprensa bilionária” atingiu “o fundo do poço” ao negar os “impactos da onda de calor”. Para Monbiot, poderíamos amarrá-los na fogueira por seu discurso blasfemo, mas aparentemente todos nós já estamos na fogueira — “incendiamos o planeta”, diz ele. As bruxas agora se queimam por conta própria.

Foto: Reprodução/BBC Weather

Ninguém está “negando” o impacto da onda de calor, claro. Eu menos ainda. Tive que fugir de um ônibus em Londres semana passada. Era um forno sobre rodas, uma tumba móvel de corpos suados. Se ao menos tivéssemos ar-condicionado. Mas esses histéricos verdes que nunca pegaram numa enxada, incluindo o próprio Monbiot, há anos torcem o nariz para o ar-condicionado. “Está destruindo o planeta”, disse o Guardian sobre o ar-condicionado durante a onda de calor do ano passado. Aparentemente, é algo “filosoficamente problemático”. Nada — nada mesmo — define melhor o solene desprezo dos nossos ecossoberanos do que essa discurseira de um jornalista Guardião da moral dizendo às massas torradas pelo sol que é “filosoficamente problemático” refrescar sua casa durante uma onda de calor.

É a crueldade desses maníacos que mais choca. Durante anos, o culto da mudança climática nos alertou que a Terra será em breve consumida por um fogo infernal criado pelo próprio Homem. Mas qualquer um que dissesse “vamos instalar ar-condicionado, então” era condenado como um cúmplice demoníaco desse fogo consumidor. O Wall Street Journal levantou uma questão pertinente esta semana: “A Europa está um inferno de quente — por que não quer ar-condicionado?” A reportagem mostrou os hospitais do Velho Mundo onde doentes e idosos são “forçados a suportar ondas de calor” porque seus governantes bem-ventilados decretaram que o ar-condicionado é uma “tecnologia ávida por energia” que prejudica “a luta contra a mudança climática”. A causa nobre de “salvar o planeta” tem precedência sobre a causa mundana de salvar os doentes do calor.

Ar-condicionado “não é a solução”, diz a revista Time. Disso eu não sei, mas é a solução para o meu suor. Mais importante, é a solução para o desconforto escaldante de idosos forçados a viver em casas abafadas e doentes amontoados em enfermarias escaldantes porque a sociedade agora teme mais um apocalipse fictício do que doenças reais. Haverá um excesso de mortes neste verão. Terrível. Mas a culpa é muito mais das classes que pregam o ecoalarmismo do que das massas que geram poluição. A ideologia da mudança climática é uma assassina mais cruel do que a mudança climática em si. Afinal de contas, a Mãe Natureza não entra na casa das pessoas e arranca o ar-condicionado.

Ônibus em Londres é um forno sobre rodas, uma tumba móvel de corpos suados por falta de ar condicionado | Foto: Reuters/Anadolu Agency

Eis o resumo do nosso tempo: o pânico da elite em relação à modernidade é muito mais mortal do que a própria modernidade. A verdade, como diz o cientista político Bjorn Lomborg, é que as mortes por desastres relacionados ao clima despencaram na era industrial. Na década de 1920, meio milhão de almas morriam por ano em tempestades, enchentes, secas e ondas de calor. Em 2020, foram apenas 14 mil, uma queda de 96%. Aqueles que difamam a modernidade como um fenômeno letal assinam a sentença de morte da humanidade, pois buscam reverter justamente os avanços que nos protegem dos caprichos violentos da natureza. Incluindo o ar-condicionado. Aqueles que militam contra o ar-condicionado, até mesmo durante uma onda de calor, exibem um desprezo misantrópico estarrecedor por seus semelhantes, especialmente os vulneráveis.

Ainda assim, esses perturbados continuam demonizando exatamente a tecnologia que nos defende do calor, do vento e da água de uma Natureza amoral. “Parece o fim dos tempos — e a culpa é toda nossa”, disse recentemente um colunista ecochato. A onda de calor de 2023 foi batizada de Cérbero, em homenagem ao cão do inferno que despedaça pecadores. Muito apropriado. “O inferno de Cérbero”, ecoaram os jornais. Até Greta Thunberg, a histérica mais celebrada da nossa era, deu uma pausa nos sermões contra o Estado judeu para dizer, basicamente: “Que calor do cão”. Acho que essa é uma vantagem do tempo quente — vai desviar a atenção desses antissemitas insuportáveis para a “emergência climática”. Respire aliviado, Israel — eles voltaram a falar baboseiras sobre o clima.

Estou farto dessa histeria apocalíptica de butique. Sua essência medieval agora é inegável. Exatamente como nossos antepassados, esses malucos veem todo fenômeno climático — chuva, tempestade, calor, granizo — como um castigo de Deus ou de Gaia por nossas transgressões. Nossos ancestrais, contudo, tinham a desculpa de serem analfabetos. A natureza não está nos punindo. Estamos punindo a nós mesmos. A maior ameaça à humanidade não é o clima. É uma elite que, em seu fervor para apaziguar os deuses do clima, quer reverter a modernidade. É por causa dela que você está torrando. Revolte-se contra ela, não contra o Sol.


Brendan O’Neill é repórter-chefe de política da Spiked e apresentador do podcast The Brendan O’Neill Show, também da Spiked. Seu novo livro, After the Pogrom: 7 October, Israel and the Crisis of Civilisation, foi lançado em 2024. Brendan está no Instagram: @burntoakboy

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2 comentários
  1. MAURO CESAR CALVAO MONNERAT DO PRADO
    MAURO CESAR CALVAO MONNERAT DO PRADO

    Viver na Europa já foi o sonho de muita gente no Brasil. Boa sorte aos que continuam sonhando..

  2. gilson roberto cardoso de oliveira
    gilson roberto cardoso de oliveira

    “Ambientalistas” não amam a fauna ou a flora apenas querem disfarçar o profundo ÓDIO que sentem pela humanidade. Já notaram como todas as propostas pra “salvar” o planeta propõem primeiro o sofrimento da população.

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