Confira o resumo que a OESTE.IA, a IA da Revista Oeste, fez pra você
Pesquisas recentes revelam que apenas 31% dos jovens americanos entre 18 e 29 anos se sentem "extremamente" ou "muito" orgulhosos de serem americanos, em contraste com 75% dos maiores de 65 anos. O artigo reflete sobre a falta de patriotismo entre a geração mais jovem, destacando a importância dos ideais americanos, como liberdade e igualdade, e critica os erros históricos do país.
Terra que tanto amo? Que nada. Os jovens americanos estão menos patriotas do que nunca. Duas novas pesquisas ilustram isso. Apenas 31% dos jovens entre 18 e 29 anos se dizem “extremamente” ou “muito” orgulhosos de serem americanos, segundo pesquisa da NBC, contra 75% dos maiores de 65 anos. A pesquisa do Public Religion Research Institute revela que apenas 34% da faixa etária mais jovem se orgulham de ser americanos. Já 66% dos maiores de 65 anos, 59% dos 50 aos 64 anos e 43% entre 30 e 49 sentem orgulho de vir do maior país que já existiu.
Acho que estão em boa companhia. “Oh, meu país”, escreveu certa vez John Adams. “Como lamento por tuas loucuras e vícios, tua ignorância e imbecilidade, teu desprezo pela Sabedoria e pela Virtude e tua admiração desmedida por tolos e patifes!”

John Adams está morto, mas os nascidos na geração Z ainda não. Dá tempo de convencê-los do quanto há para se amar: bolo decorado com a bandeira americana, inovação tecnológica, federalismo, vida no campo, Martha Stewart, os Beach Boys, a Quarta Emenda, viagem espacial, Lana Del Rey, pluralismo religioso e Michael Jordan. Mas é muito mais do que minhas fixações bobinhas: os EUA são a terra em que tantos dos nossos ancestrais apostaram tudo, imigrando para cá mesmo diante de uma enorme incerteza. É o lugar onde o risco, ao somar-se com a ética de trabalho, foi historicamente recompensado; onde a ascensão social parecia possível; onde superar condições adversas — sociais, econômicas, ou quaisquer outras — não era apenas permitido, mas incentivado, até mesmo para os tolos e canalhas. Vida, liberdade e busca da felicidade, baby!
Os EUA nem sempre trataram de forma correta todos os grupos que se dispuseram a proteger, mas os ideais do Iluminismo deixam claro o que buscamos: cada pessoa tem dignidade e igualdade inerentes, e deve usufruir de toda a liberdade que pudermos garantir. Abraham Lincoln disse que a América foi “concebida na Liberdade e consagrada à proposição de que todos os homens nascem iguais”. Uma bela declaração, que resume o essencial. Cultural e politicamente, sempre fomos amplamente contrários à redistribuição massiva de riqueza e achamos que as pessoas devem ficar com o fruto de seu trabalho. Valorizamos muito a privacidade e deixamos a comunidade florescer longe da interferência do Estado. Costumamos ser bastante tolerantes com a rebeldia e o inconformismo, somos experimentados no sucesso e no fracasso. Estabelecemos padrões elevados para o nosso povo. Faça algo de si mesmo. Não seja um parasita. Siga seu sonho, veja se há um mercado para ele e dê tudo de si para conquistá-lo. Esses ideais nem sempre foram realizados à perfeição — os libertários têm muito do que reclamar, e as tendências atuais podem não parecer boas —, mas com certeza a situação é melhor do que em países como França, Marrocos ou China.

De modo geral, o fato de tantos jovens americanos não sentirem orgulho do nosso país e não valorizarem o grande experimento americano mostra que não estamos dando às nossas circunstâncias políticas o seu devido valor. E quando não damos o devido valor às bênçãos de que desfrutamos, perdemos não apenas a perspectiva, mas também a esperança na melhoria do nosso país.
De fato, erramos em muitas coisas nos EUA. Permitir a escravidão, forçar os nativos a deixarem suas terras pela Trilha das Lágrimas, confinar nipo-americanos, implementar o New Deal e entrar na guerra contra o Iraque foram tragédias que nunca deveriam ter acontecido. Nossos líderes nem sempre são prudentes. Nossos partidos políticos nos corrompem. Muitos dos nossos burocratas não passam de imbecis. Muitos dos nossos legisladores são palhaços, só que de “circos” diferentes. Enquanto a polarização partidária só piora, a onda socialista ameaça derrubar todos nós.
“Apenas um povo virtuoso é capaz de liberdade”, disse Benjamin Franklin. Se nos tornamos menos livres, será que nos tornamos também menos virtuosos? Se nos tornamos menos virtuosos, será que estamos com dificuldade de lidar com tanta liberdade? Seja como for, não vamos desistir uns dos outros. Há muito tempo, é o discurso cívico que nos ajuda a definir o que é virtude, e são as comunidades se unindo que nos dão a oportunidade de viver a virtude na prática. Larguem os celulares, conversem com seus vizinhos. Sejam caridosos no pensamento e na ação.

Os EUA ainda são um experimento bem-sucedido — em andamento — que vale muito a pena preservar. Não podemos ser cínicos a respeito de tudo. Precisamos escolher algumas coisas para amar. Eu escolho os Estados Unidos. Vida longa ao país!
Liz Wolfe é editora associada da Reason.
Leia também “Há 250 anos, uma ideia mudou o Ocidente”
Só dois tipos de pessoas podem não admirar os Estados Unidos da América. Os que não conhecem nada da história e cultura americana (esses ainda têm jeito de melhorar) e os completos idiotas.
Saber dos defeitos, e ainda assim amar seu País – esta é a receita para tornarmos o Brasil grande!