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Torcedores brasileiros parecem abatidos depois da eliminação do Brasil da Copa do Mundo, 5 de julho de 2026, no New York New Jersey Stadium | Foto: Reuters/Carlos Barria
Edição 330

Carta ao Leitor — Edição 330

O perfil de Hugo Motta, presidente da Câmara, e a prova de que a pecuária no Pantanal favorece a preservação do meio ambiente estão entre os destaques desta edição

Confira o resumo que a OESTE.IA, a IA da Revista Oeste, fez pra você

Quase 30% da população entre 15 e 64 anos é analfabeta funcional e 70% dos alunos de 15 anos não conseguem resolver problemas matemáticos simples. O texto critica a apatia da população diante de escândalos, como a contratação de um escritório de advocacia ligado a um ministro da Suprema Corte por um banqueiro criminoso e o envolvimento de familiares do presidente em um roubo ao INSS. Apesar da corrupção e da má gestão, o agronegócio brasileiro se destaca como um setor produtivo.

Quase 30% da população entre 15 e 64 anos é considerada analfabeta funcional. Sete em cada 10 alunos brasileiros de 15 anos não sabem resolver problemas matemáticos simples. Um banqueiro bandido contrata por R$ 129 milhões o escritório de advocacia da mulher de um ministro da Suprema Corte — que nunca se deu ao trabalho de ao menos comentar o episódio. Um filho e um irmão do presidente da República estão envolvidos no roubo de R$ 6 bilhões de aposentados e pensionistas do INSS, e o Congresso deixa de investigar os fatos. Depois de criticar a classe média por querer “ostentar”, o próprio presidente gasta R$ 89 mil para renovar o enxoval das residências oficiais. Parece muita coisa. Mas não é tudo.

Ainda assim, a população não se anima a reagir. A apatia coletiva  lembra a exibida pela Seleção no jogo com a Noruega, que engavetou o sonho de conquistar a Copa do Mundo pela sexta vez. Em campo, a ausência de energia era evidente. “A vitória começou quando os noruegueses entenderam que enfrentavam um adversário ostensivamente apático”, observam Augusto Nunes e Eliziário Goulart Rocha, autores da reportagem de capa desta edição. 

Quando até gestos que antes provocariam reações à altura passam a ser relativizados, o país se aproxima cada vez mais do precipício. “O dedo do meio não é pecado”, diz Guilherme Fiuza. “No máximo, um deslize. Ou nem isso. Teve gente na imprensa dizendo que aquele gesto era ‘carisma’. Com um jornalismo combativo como esse, a democracia está salva para sempre.”

Na contramão do que insiste em dizer boa parte da imprensa estatizada, Flávio Gordon mostra que o lulopetismo promoveu, ao longo de duas décadas quase ininterruptas no comando do país, não só a má gestão — “foi uma corrupção moral de espectro alargado, que começou nos cofres públicos e terminou infiltrada na própria alma nacional”, afirma. Para Gordon, o terceiro mandato de Lula é a prova de que o brasileiro se tornou incapaz de aprender com a própria experiência. 

Razões para indignar-se não faltam. Um desses motivos fica evidente na reportagem em que Yasmin Alencar traça o perfil de Hugo Motta. Sua trajetória até a presidência da Câmara está amparada numa dinastia que manda em parte da Paraíba há 70 anos. No caminho até o cargo, acumulam-se investigações envolvendo a família, patrimônio mal explicado, funcionários fantasmas e ligações com o caso Master.

Felizmente, o Brasil que trabalha, produz e prospera apesar desse cenário continua existindo. Duas reportagens desta edição mostram a força do agronegócio nacional. Uiliam Grizafis acompanhou um megaleilão de gado em Cuiabá, Mato Grosso, Estado que concentra 34 milhões de cabeças de gado, o equivalente a 14% do rebanho. Artur Piva vivenciou o dia a dia dos pecuaristas do Pantanal, exemplo de eficiência com respeito à natureza. 

Chamado de fascista pelo governo federal, o agronegócio é o oposto do que querem que o povo acredite. Transformar quem produz riqueza em inimigo é mais um sinal inquietante. O país pode ter perdido a capacidade de discernimento. Quando a realidade intolerável deixa de provocar indignação, o maior problema do Brasil deixa de ser apenas a política. Passa a ser a apatia diante dela.

Boa leitura.

Branca Nunes
Diretora de Redação

Capa da Revista Oeste, edição 330 | Ilustração: Montagem Revista Oeste/IA/Magnific

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3 comentários
  1. Olavo Augusto Ribeiro
    Olavo Augusto Ribeiro

    Quando haverá alguem para fazer uma materia sobre o SUMIÇO DE 10 MIL cabecas de gado? O de foi parar isso?

  2. Luiz Antônio Alves
    Luiz Antônio Alves

    Bom resumo. Tens faro editorialista. Desculpe, mas tenho que dizer que lembrei do final da década de 70, quando era ainda estudante e fiz uma pesquisa sobre o ensino da matemática. Como eu era um guri sem importância não deram bola. Depois de dias tabuçando os dados, não existia excel ou planilha eltrônca, muito menos computaor, cheguei a conclusão que o principal problema não era o ensino da matemática e sim o professor. Nossa que escândalo! Nos colégios aonde os alunos gostavam do professor a matéria era boa e até aprendiam. Em outros colégios, quando não gostavam dos métodos do professor (e da simpatia) a matemática era odiada e baixo nível do pessoal. Depois, quando professor na universidade sempre reclamava de meus colegas professores da área com uma pergunta: como é que vocês aprovaram esse pessoal que não sabe nada de matemática? Para terminar, esta semana dediquei meu tempo para escanear e arquivar num pen drive documentos pessoais que ainda estavam na gaveta. Um deles, postei no face hoje, um jornal de sorocaba, no primeiro governo do Lula publicou uma charge do Luiz Ignácio assinando um documento especial para o ditador chinês… Parece que desde aquela época o Lula começou a entregar o Brasil… Saudações esportivas.

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