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O governo brasileiro, pela primeira vez, admitiu que a inflação deve ultrapassar a meta de 3%, projetando um IPCA de 5,1% para 2026, devido ao aumento do preço do petróleo e possíveis impactos do El Niño. O crescimento do PIB foi mantido em 2,3%, mas o déficit primário aumentou. A China atingiu o limite de importação de carne bovina, gerando apreensão no setor. A Ânima Educação anunciou a compra da FMU por R$ 410 milhões, mas o mercado reagiu negativamente.
Pela primeira vez o governo admitiu, oficialmente, que a inflação no país passará da meta de 3%. O Ministério da Fazenda projetou o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 5,1% para 2026. O governo atribuiu a alta ao preço do petróleo e aos possíveis efeitos do El Niño, um fenômeno natural que pode interferir na produção agrícola e, consequentemente, nos preços dos alimentos. A meta da inflação é definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), com margem de até 1,5% para mais ou para menos. Os dados foram divulgados pelo Boletim Macrofiscal, da Secretaria de Política Econômica. No documento anterior, a expectativa era de 4,5% (ainda dentro da meta). O crescimento esperado do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, no entanto, foi mantido em 2,3%. Já o déficit primário (gasta mais do que arrecada) de 2026, projetado em julho, é de R$ 58,1 bilhões.
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Quem paga a conta?
Com a inflação alta, o Banco Central aumenta a taxa básica de juros (a Selic, hoje a 14,25%) para desestimular o consumo. Na prática, isso significa crédito mais caro e poder de compra menor para os brasileiros. As famílias mais pobres são as que mais sentem o impacto. Do ponto de vista econômico, a variação da inflação não muda muito o cenário, pois o mercado já vinha trabalhando com esses números. O impacto da credibilidade é mais grave: o governo confessa que não está cumprindo o que prometeu.

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Vai ter picanha?
O Brasil atingiu o limite de exportação de carne bovina para a China com taxa de 12%. Conforme o acordo firmado entre os dois países, após 1,1 milhão de toneladas, o produto tem uma sobretaxa de 55%. A medida foi criada para proteger o mercado interno chinês. O problema é que a cota foi atingida antes do esperado, o que está deixando todas as cadeias do setor apreensivas. Se a China reduzir as importações ou parar totalmente, isso terá efeito dos criadores de bois à mesa das pessoas. “O mais difícil é não ter clareza nem previsibilidade do que a China vai decidir”, observa Ingo Plöger, presidente da Abag (Associação Brasileira do Agronegócio).
Insegurança nos frigoríficos
Enquanto aguardam uma resposta, frigoríficos começam a dar férias coletivas. Para pecuaristas, em muitos casos, é melhor vender a carne que seria exportada para a China do que bancar as despesas para engordar o boi (equipe, alimentação). A carne vendida à China tem características específicas, como o corte. Isso torna mais difícil redirecionar a produção para outros mercados. Ou seja, se a “picanha” ficar mais barata aqui, é ponto a favor dos consumidores a curto prazo. A médio e longo prazo, porém, são demissões, menos investimentos e insegurança aos empresários do agronegócio.

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Queda de 30%
O grupo Ânima Educação anunciou a aquisição das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU) por R$ 410 milhões, sendo que destes, R$ 240 milhões serão pagos à vista. O montante total, entretanto, pode chegar a R$ 560 milhões, pois a Ânima assumirá também as dívidas da FMU, que está em recuperação judicial. O mercado financeiro reagiu negativamente, o que levou as ações da Ânima a recuarem mais de 30% na tarde de terça-feira, 14. Bancos como o BTG Pactual rebaixaram a recomendação das ações, afirmando que a transação saiu cara. A FMU tem cerca de 51 mil alunos em seis campi em São Paulo, além de mais de 200 polos de ensino à distância.
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Companhias de luz
Na contramão da leva de recuperações judiciais, a Light, empresa de energia que opera majoritariamente no Estado do Rio de Janeiro, protocolou um pedido de encerramento da sua concordata. A companhia diz que cumpriu todas as principais obrigações previstas no plano homologado pela Justiça do Rio. No mesmo Fato Relevante, a Light informou que seu conselho de administração aprovou um aumento de capital de R$ 1,5 bilhão, o que demonstra fôlego financeiro para se reestruturar.

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Janja em números
A primeira-dama do Brasil tem uma equipe de 12 pessoas à sua disposição. Um custo médio estimado de R$ 160 mil por mês — com esse valor dá para pagar cerca de 31 professores da rede pública. Mesmo com tantas pessoas ao seu redor, nenhuma conseguiu evitar o incômodo internacional de Janja ao xingar o empresário Elon Musk em um evento produzido por ela. Realizado no Rio de Janeiro, em 2024, o Festival Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza — o “Janjapalooza” — recebeu aporte de mais de R$ 83 milhões de estatais e nunca ficou clara a contribuição prática contra a fome e a pobreza. O Tribunal de Contas da União começou a investigar, mas o assunto se esvaneceu.
Misoginia ou censura?
Janja já foi para 38 países como primeira-dama, mais do que seu marido, Lula. Entre hotéis luxuosos e passeios, permanece o mistério do seu trabalho. Sem resposta, ela tenta tirar o foco da prestação de contas e jogar acusações às pessoas: quem a questiona ou a chama de gastadeira é misógino. O termo quer dizer aversão, ódio ou preconceito por alguém ser mulher. Ela é uma das principais defensoras da criação de uma lei que compara a misoginia ao racismo. Mas aí surge outra dúvida sobre sua infindável contribuição: usar o gênero como pretexto para impedir opiniões contra alguém não é mais um tipo de censura?

Dica da semana, por Dagomir Marquezi:
Nuremberg, na Amazon
“O longa se passa logo depois do fim da Segunda Guerra, quando dirigentes do regime nazista foram levados a julgamento por um tribunal internacional. Russell Crowe dá um show como o marechal Hermann Göring, um monstro que revela charme e inteligência. Rami Malek interpreta o psiquiatra encarregado de fazer a avaliação psicológica dos prisioneiros. Grande produção dirigida (e co-escrita) por James Vanderbilt sobre um episódio da História que não pode ser esquecido.”
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