A apatia e a falta de entrosamento entre os brasileiros não é só no futebol. Enquanto Lula e Flávio Bolsonaro brigam sobre quem deveria defender o país contra mais um tarifaço dos Estados Unidos, Donald Trump avança: quer taxar (de novo) produtos brasileiros. O presidente norte-americano parece não ter visto ou simplesmente ignorou o resultado da primeira sanção — para os dois países. Desta vez a proposta é de 25%. A data limite da decisão é dia 15 de julho. A justificativa dada pelos americanos é que o Brasil tem “práticas comerciais desleais”, como o uso do Pix, mas para o mercado brasileiro, a ladainha de Washington é meramente política. Sem critérios técnicos que justifiquem a decisão, fica mais difícil resolver o impasse.
Relação abalada
O primeiro tarifaço imposto por Trump, há um ano e de 50%, já se mostrou contraproducente. O comércio entre Brasil e EUA caiu quase 13% no primeiro semestre em comparação com o mesmo período do ano passado. É a maior retração comercial dos dois países em 30 anos, segundo a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Ancham).

Estrago bilateral
Empresários apontam que, embora o desgaste seja mais evidente no campo político, o estrago é econômico — e bilateral. Segundo estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), se aplicadas, as tarifas de agora afetariam cerca de US$ 15 bilhões em exportações nacionais, impactando setores como o de ferro-gusa e açúcar. Mesmo que os EUA excluam da proposta produtos estratégicos para o seu mercado, como carne, café e minérios, a nova tarifa vai pesar também no bolso dos americanos, uma vez que o Brasil é um dos maiores fornecedores globais de commodities essenciais, como laranja, aço e etanol. Cientes do estrago, 335 empresas, entre elas Coca-Cola e Nestlé, pediram aos EUA para não aplicarem a nova tarifa.
Empate em zero
Representantes brasileiros da indústria, do agronegócio e do comércio explicam que alguns produtos são absorvidos por outros mercados. É o caso da laranja com a China. Já para maquinários e equipamentos ou produtos acabados, a exemplo dos calçados, o dano é maior. O time de empresários brasileiros sinaliza que, se Trump pressionar de lá, a reação daqui será de retaliações. Não ocorreria de imediato, dizem, mas a longo prazo pode encarecer insumos e produtos em áreas importantes do consumo americano, como a automotiva e o agronegócio (soja, milho e insumos para bebidas).

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Inflação
O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou sua previsão de crescimento da economia brasileira de 1,9% para 2,4% em 2026 e 2027. Na mesma linha, os economistas ouvidos pelo Banco Central registraram, pela primeira vez em 16 semanas, a redução na projeção da inflação deste ano, de 5,33% para 5,30%. Apesar dos números otimistas, a expectativa do mercado é de que a inflação continue a pressionar os brasileiros em 2026. O cenário permanece desfavorável não só por desafios externos (preço do petróleo e o possível super El Niño), mas internos, como a irresponsabilidade nos gastos públicos. “O Brasil só poderá ter inflação e juros mais baixos quando problemas fiscais forem atacados e os gastos públicos tratados com seriedade”, diz José Eduardo Giraldez.
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Recuperação extrajudicial
O número de pedidos de recuperação extrajudicial no Brasil saltou de três, em 2015, para 84, em 2025. Em 2026, 33 empresas buscaram acordo com seus credores até agora. O crescimento é resultado da dificuldade em se recuperar da pandemia somado a uma taxa básica de juros (Selic) de dois dígitos por um longo tempo. Muitas delas, principalmente de setores como indústria, mineração, comércio e serviços profissionais e financeiros, contraíram empréstimos quando a taxa básica de juros (Selic) estava em seu mínimo histórico, de 2% ao ano.

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Termômetro da Faria Lima
Na opinião de empresários, a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro pela cadeira presidencial seguirá o mesmo ritmo de 2022. Será uma campanha com muita polarização e ideologia. Política à parte, o que mais preocupa o mercado é que até agora nenhum candidato apresentou um plano robusto para a economia.
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Dica da semana, por Augusto Nunes:
O Inocente, na Netflix
“É a melhor adaptação para televisão dos livros de Harlan Coben, um mestre do suspense. São oito capítulos que te prendem até o final, porque você não sabe o que vai acontecer.”
Leia também “O fracasso do Desenrola”
O Brasil sempre cobrou tarifas dos americanos em percentuais muito maiores, Va importar algo dos USA….
Os americanos são os que cobram as menores taxas de importação dos demais paises. Basta verificar as prateleiras dos supermercados americanos (produtos de todo mundo). Lá compro vinho chileno mais barato do que no Brasil. E nas ruas? Veiculos de todos os paises.