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No dia 20 de julho de 1924, a Praça Uritsky em Leningrado foi palco de um tabuleiro de xadrez humano, promovendo o jogo na União Soviética, com cerca de 8 mil espectadores. O evento, que durou cinco horas e terminou em empate, contou com a participação do Exército Vermelho e da Marinha, cada um representando peças do jogo sob a coordenação dos respeitados enxadristas Ilya Rabinovich e Pyotr Romanovsky.
Na tarde de 20 de julho de 1924, a ampla Praça Uritsky ou Praça do Palácio em Leningrado (agora São Petersburgo, Rússia) transformou-se num espetáculo curioso: um tabuleiro de xadrez humano em escala 1:1 foi montado para promover o jogo em todo o país, a terceira partida desse tipo na União Soviética, mas a única de que se tem registro fotográfico. Cerca de 8 mil espectadores compareceram ao evento, enquanto participantes tomavam posição nas casas gigantes.
De um lado, o Exército Vermelho trajava seus uniformes pretos de campanha; do outro, a Marinha — incluindo fuzileiros e marinheiros — vestia uniformes brancos de gala. Cada participante representava uma peça específica e seguia coreografias e instruções; as decisões estratégicas, porém, ficaram a cargo de duas das figuras mais respeitadas do xadrez soviético: Ilya Rabinovich, comandando um lado, e Pyotr Romanovsky, o outro. Ambos já haviam se destacado por sua habilidade teórica e prática no tabuleiro convencional e ali adaptaram sua visão ao teatro militar‑popular.


A exibição durou cerca de cinco horas, envolveu 67 lances e terminou em empate. Alternou momentos de tenso silêncio e explosões de aplausos quando peças importantes se confrontavam — um bispo avançando em diagonal humana, torres que exigiam deslocamentos coordenados, cavaleiros trocando posições. Havia também elementos performáticos: músicos e porta‑estandartes enquadravam a cena, e oficiais coordenavam os movimentos para que cada “peça” representasse com precisão a jogada ordenada. A duração refletiu tanto a complexidade das decisões dos líderes quanto as limitações práticas de mover pessoas, cavalos e artilharia num tabuleiro vivo. Pyotr Romanovsky escreveu o seguinte sobre esse dia na revista Sheet de Xadrez: “Este dia confirmou que a arte do xadrez permite ser admirada não apenas por alguns poucos escolhidos, mas, como em outras artes, por qualquer pessoa capaz de compreender o processo criativo em geral”.
Fotografias e relatos contemporâneos preservaram a imagem impressionante do tabuleiro humano na praça imperial — uma combinação singular de arte, propaganda estatal e paixão pelo jogo que Rabinovich e Romanovsky ajudaram a dignificar naquele dia memorável.
Daniela Giorno é diretora de arte de Oeste e, a cada edição, seleciona uma imagem relevante da semana. São fotografias esteticamente interessantes, clássicas ou que simplesmente merecem ser vistas, revistas ou conhecidas.
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Interessantíssima reportagem; nunca tinha ouvido falar sobre isso.
Muito curiosa maneira de expôr essa arte/propaganda.