‘Great Reset’: o desejo de controle

A senha para a defesa de um 'governo mundial' está dada. E o método é o autoritarismo 'necessário' exercido por bilionários 'abnegados' e líderes globalistas

Na pandemia atual, muitos ficaram perplexos com o avanço das medidas arbitrárias tomadas por autoridades, sempre em nome da ciência e do bem coletivo. Comércio fechado, lojas impedidas de abrir, uso obrigatório de máscaras e até gente presa por frequentar praia ou praça pública: tudo isso fez com que aqueles com maior apreço pelas liberdades individuais ficassem estarrecidos. Afinal, os países ocidentais não deveriam se transformar em províncias chinesas.

Por trás dessa escalada autoritária estava o uso de entidades supranacionais, como a Organização Mundial da Saúde, para dar respaldo “científico” às decisões arbitrárias desses líderes. Para quem não sabia ainda do que se tratava a ameaça globalista, ela ficou escancarada nessa pandemia. A soberania nacional cede lugar aos burocratas sem rosto e sem voto dessas entidades.

O poder de um Tedros Adhanom, o etíope marxista que comanda a OMS, parece ofuscar aquele de presidentes eleitos. Estamos diante da “tirania dos especialistas”, tecnocratas que nem são exatamente especialistas, mas monopolizam a fala em nome da ciência.

A fim de compreender melhor a mentalidade globalista, fui ler Covid-19: The Great Reset, livro publicado pelo fundador do Fórum de Davos, Klaus Schwab. Cada página exala o desejo inconfesso de controle sobre as vidas alheias. Como alertou Mencken, “o desejo de salvar a humanidade é quase sempre um disfarce para o desejo de controlá-la”.

Vale notar que o livro foi escrito em meados de 2020, bem no meio da tal primeira onda da pandemia, e mesmo assim o autor já fazia previsões alarmistas de mudanças essenciais no estilo de vida ocidental. “A crise mundial desencadeada pela pandemia do coronavírus não tem paralelo na história moderna. Não podemos ser acusados ​​de hipérbole quando dizemos que isso está mergulhando nosso mundo em sua totalidade e cada um de nós individualmente nos tempos mais desafiadores que enfrentamos em gerações”, escreve logo no começo.

Não se trata de hipérbole? Gerações anteriores enfrentaram duas guerras mundiais com dezenas de milhões de mortos, pandemias muito piores, como a gripe espanhola no começo do século 20, e mesmo assim Schwab achou normal rotular essa crise como a mais desafiadora em gerações, isso em junho de 2020?

O intuito do livro começa a ficar mais claro ainda nas primeiras páginas, quando Schwab diz que as “linhas de fratura” do mundo são as divisões sociais, a falta de justiça, a ausência de cooperação e o fracasso de uma governança global, que estariam todas expostas como nunca antes. “Um novo mundo emergirá, cujos contornos são para nós imaginarmos e desenharmos”, afirma num claro arroubo autoritário. Todo revolucionário sonhou com um “novo mundo” e com páginas em branco para brincar de desenhá-lo. Não é nada original esse anseio, portanto.

Schwab questiona quando as coisas voltarão ao normal, e responde, sem titubear: nunca! Ele elabora seu raciocínio: “Nada jamais retornará ao sentido ‘quebrado’ de normalidade que prevalecia antes da crise, porque a pandemia do coronavírus marca um ponto de inflexão fundamental em nossa trajetória global”. Alguém poderia dizer que o autor está quase empolgado com a pandemia, torcendo por ela para “consertar” o mundo “quebrado” que tínhamos antes. Seria ele um “pandeminion”, ou um “coronalover”, então?

Sabemos no que resulta o sonho de um mundo sem fronteiras: em gulags na Sibéria

A coisa chega ao ápice da arrogância quando ele diz que podemos até falar em AC/BC, para se referir a antes do coronavírus e depois do coronavírus, marcando a mudança de uma era. A partir de agora teremos uma “nova normal” radicalmente diferente, diz, e passa a comparar com rupturas passadas que fizeram impérios inteiros colapsarem e deixarem de existir. Mas isso não precisa significar receio. Schwab enxerga o céu como o limite para nossas mudanças: “As possibilidades de mudança e a nova ordem resultante são agora ilimitadas ou limitadas apenas pela nossa imaginação”.

E por falar em imaginação… Imagine é a música que vem à mente diante de seus devaneios. O ex-beatle John Lennon também sonhava, afinal, com um mundo sem fronteiras nacionais, sem religião, sem guerras e, claro, sem propriedade privada, todos unidos por um sentimento comunitário lindo e acolhedor. É verdade que ele sonhou isso de sua milionária cobertura em Nova York, mas estava longe de ser o único sonhador. Outros tentaram de fato pôr em prática esse sonho, e sabemos como o experimento terminou: em gulags na Sibéria!

A senha para a defesa de um “governo mundial” está dada na obra: “Já que agora estamos no mesmo barco, a humanidade tem que cuidar do barco global como um todo”. E o método é o autoritarismo “necessário”, como diria certo biólogo alçado ao patamar de especialista por nossa imprensa. Schwab usa a mesma fonte capenga adotada pelo biólogo brasileiro, e afirma, em nome da ciência, que, de acordo com um estudo conduzido pelo Imperial College London, bloqueios rigorosos em grande escala impostos em março de 2020 evitaram 3,1 milhões de mortes em 11 países europeus. Ciência, ciência, ciência!

O resumo da ópera é que tudo é sobre o controle de nossa vida, imposto de cima para baixo por tecnocratas e bilionários “abnegados”. Não por acaso os globalistas já misturam deliberadamente o “aquecimento global” — agora rebatizado de “mudanças climáticas” — e a pandemia. Ambos fornecem o pretexto perfeito para uma espécie de governo mundial, atropelando as fronteiras nacionais em nome do combate a uma crise global. E sempre com o respaldo da “ciência”, naturalmente. Quem ousar contestar as diretrizes da OMS ou da ONU será “cancelado” nas redes sociais, acusado de “negacionista”, “obscurantista” ou mesmo “terraplanista” por seus detratores.

É disso que se trata o “Great Reset”, pregado abertamente por globalistas como Klaus Schwab, Justin Trudeau, George Soros, João Doria e tantos outros. Quem repete que tudo não passa de teoria conspiratória de reacionário paranoico está ou agindo de má-fé, ou com preguiça de ir direto à fonte. Basta ler o que os próprios globalistas estão dizendo, afinal de contas!

Leia também “Burocracia: do absurdo ao sinistro”

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24 comentários Ver comentários

  1. Correção. O disco imagine foi gravado nao em NY, mas na mansao dele na Inglaterra. O John Lennon só andava de Rolls Royce pq ele adorava um luxo.

  2. O globalismo caso avance só atingirá uma meia laranja, o ocidente, pois esse papo no oriente, China, Rússia, Paises Árabes e paises da Europa Oriental não tem apelo.

  3. Excelente Rodrigo. Parabéns. Aliás, a ONU encabeça o Brave new World.

    Transforming our world: the 2030 Agenda for Sustainable Development
    Download
    • A/RES/70/1 – Transforming our world: the 2030 Agenda for Sustainable Development
    [Arabic] [Chinese] [English] [French] [Russian] [Spanish]
    • Transforming our world: the 2030 Agenda for Sustainable Development (Publication)
    Follow-up
    The High-level Political Forum on Sustainable Development is the central UN platform for the follow-up and review of the 2030 Agenda for Sustainable Development adopted at the United Nations Sustainable Development Summit on 25 September 2015.

  4. tá bom. Nota 8,887. Pena que mudei o e-mail e nunca mais pude dar avisos pra ti sobre os peritos de escrever em determinados “veículos de comunicação”. Aqui no sertão ficou tudo preto. Lembrei que algumas pessoas criticam o ministro da saúde porque ele não é da área. O cara da OMS é da área da saúde? O Palocci é médico e chegou a ser o ministro da Economia. Como já falei para a Ana, postei nesta semana umas fotos do local onde eu e a Sandra moramos (90% dos dias do mês). Você nem sabe onde tem leitores. O sertão profundo está evoluindo. Não está no mapa, mas tem internet (só em dezembro consegui ter celular aqui). Veja como foi difícil. Só antena parabólica na TV. Agora tem Sky e internet, aquela do Fernando e Sorocaba.

  5. Perfeito. Não conheço os outros nomes citados por Constatino, entretanto, bastaram-me dois muito conhecidos para que eu fique arrepiado: George Soros e João Dória, Pergunto-me muitas vezes: as pessoas não enxergam a intenção desses seres nocivos?

  6. que Deus ilumine seu coração e que jamais você deixe de acreditar que a verdade sempre prevalecerá. enquanto assistimos (eu não mais) a grande imprensa partidária e ideológica ressentida pela falta do dinheiro fácil, aliciando os filhos do socialismo que não conseguem enxergar os milhões na conta dos pobres e idolatrados, coitados e injustiçados do PT. Só nos resta continuar acreditando que a verdade prevalecerá.

  7. EXCELENTE TEXTO !!!
    “o desejo de salvar a humanidade é quase sempre um disfarce para o desejo de controlá-la”.
    LAMENTAVELMENTE ISTO ESTA OCORRENDO EM NOME DE UMA ANTICIENCIA OU SEJA NINGUEM SABE NADA…..NADA…..NADA…APENAS QUEBRAR OS PAISES EM NOME DOS QUE NÃO FICAM SENTADOS NO DINHEIRO PUBLICO..OS VAGABUNDOS DE SEMPRE.

  8. A coisa tá feia. Pior quem tem filhos pequenos. Imaginar estas crianças crescendo nesta cultura zumbi de malucos sem moral, “revolucionários” torpes. O único e verdadeiro revolucionário foi Jesus. Sua ferramenta? O Amor. Todos os demais são tiranetes querendo impor sua vontade egoica.

  9. Ótimo texto. O grande Fiúza tem a visão que tudo isso não é um embate entre direita e esquerda. Segundo ele, de um dos lados estão um bando de picaretas intelectuais a pensar nos seus próprios interesses. Pode ser isso também. Mas, quando analisamos e juntamos os pontos verificamos que os esquerdistas estão todos lotados na narrativa do globalismo, do autoritarismo necessário, no caldo de uma pandemia superdimensionada em todos os aspectos. Coincidência?

  10. Parabéns Constantino, só não enxerga quem não quer. Aqui no Brasil, STF é um dos instrumentos mais deletérios e eficientes para destruir a nacionalidade e a segurança jurídica. STF não está louco não. Nem comete sistemáticas erronias. Ministros estão regularmente e de caso pensado e concertado conspurcando a nossa Lei Maior e contrariando na maior cara de pau os seus próprios Julgados, ao sabor dos seus próprios alvedrios e interesses. Quem não vê??? A coisa é tão escancarada que pode-se até pensar que os morcegos de toga estão mesmo querendo ver o pau quebrar. Lembremo-nos do pai do liberalismo. John Locke, que defendeu, já lá nos antanhos, o direito de a cidadania fazer a revolução em caso de o próprio Governo (falando “lato sensu”) vulnerar os direitos e as garantias inerentes à vida, à liberdade, e à segurança. Com a palavra, a Câmara dos Deputados e o Senado. Vão de novo – cada uma das Casas nas esferas das suas competências – avassalarem-se…de novo??? E o Presidente, aquele do “agora chega p…”??? Lembremo-nos de Churchill, que disse que quem concilia com crocodilo será igualmente devorado, mas na esperança de que o seja por último. E, onde estão os juristas de escol, a OAB, as Associações de Imprensa e a mídia, que deveriam, em uníssono, denunciar tal achincalhe ao sistema jurídico?? Caladinhos caladinhos, acumpliciados. Engulhos, engulhos, indignação, e tristeza, é o que sinto…

    1. As pessoas, de modo geral, não se perguntaram, ainda, aonde o STF quer chegar com tantas decisões “sinistras”, invadindo as competências de outros poderes, alterando normas jurídicas elementares, para dar outro sentido à CF e às leis? Ao que parece, estão dispostos a tudo! É, no mínimo, preocupante.

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