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Edição de arte Oeste

O Brasil que a imprensa não vê

A mídia tradicional ignora os brasileiros nacionalistas que estão descontentes com o STF, condenam o discurso pró-lockdown e querem voltar ao trabalho

Ao longo de décadas pelo mundo, o feriado de 1º de Maio, batizado de Dia do Trabalhador, originário de um movimento nos Estados Unidos pela redução da jornada diária de trabalho — eight-hour day with no cut in pay (diária de oito horas sem redução no pagamento) —, foi apropriado pela esquerda como uma data para promover manifestações nas ruas. No Brasil, durante os anos do PT no poder, os atos se transformaram em verdadeiras festas que custavam milhões de reais, com shows populares e distribuição de prêmios. Os atos da Força Sindical e da Central Única dos Trabalhadores (CUT), entre outras centrais, ficaram famosos pelos comícios de políticos como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Ciro Gomes, o Psol que nascia e os demais satélites. Em 2009, por exemplo, ano pré-eleitoral para Dilma Rousseff, a tradicional Praça Campo de Bagatelle, na zona norte da capital paulista, foi palco do sorteio de 20 carros para a plateia, intercalados com uma geladeira ou tevê de 42 polegadas. Do outro lado da cidade, na zona sul, a CUT oferecia tratamentos de limpeza de pele, massagens e cortes de cabelo.

O ano agora é 2021 e algo mudou nas esquinas do país. À míngua desde o fim do chamado imposto sindical, sem dinheiro público para bancar eventos de grande porte nem poder de barganha nas máquinas governamentais — tanto a federal quanto a dos principais Estados —, as centrais sindicais não reúnem mais ninguém. Do outro lado, no último fim de semana, mesmo com as restrições impostas por governadores e prefeitos, uma multidão resgatou as camisas verde-amarelas das gavetas para protestar contra as medidas arbitrárias de lockdowns e seus sinônimos, respaldadas pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). As passeatas, especialmente as maiores concentrações na Avenida Paulista (São Paulo), em Copacabana (Rio de Janeiro) e na Esplanada dos Ministérios (Brasília), apoiaram o presidente Jair Bolsonaro, crítico do confinamento e das portas fechadas no comércio.

“Historicamente, essa data pertencia à esquerda. De repente, por fortes motivos, o povo toma as ruas pedindo o direito de trabalhar, e tudo isso é muito simbólico. O STF desautorizou o presidente a agir na pandemia e, nas manifestações, o povo disse em massa: ‘Eu autorizo'”, afirma a deputada Carla Zambelli (PSL), ligada ao movimento Nas Ruas, que promoveu atos no último sábado, dia 1º.

Jair Bolsonaro sobrevoou os atos de sábado em Brasília a bordo de um helicóptero. Quatro dias depois, reagiu à massa durante um discurso na abertura da Semana das Comunicações. A fala, extensa e em tom ácido, mirou justamente a decisão do Supremo que descentralizou as ações de combate à pandemia, empoderando governadores e prefeitos, muitos deles rivais confessos do presidente.

“Nas ruas, já se começa a pedir ao governo que baixe um decreto — e, se baixar um decreto, vai ser cumprido. Não será contestado por nenhum tribunal, porque ele será cumprido. E o que constaria no corpo desse decreto? Constariam os incisos do artigo 5º da Constituição. […] O que nós queremos do artigo 5º de mais importante? A liberdade de cultos. Queremos a liberdade para poder trabalhar, queremos o nosso direito de ir e vir”, disse.

O presidente ainda citou cenas ocorridas em diferentes cidades de pessoas que terminaram algemadas e detidas por se recusarem a deixar áreas públicas ao ar livre, como praças e  praias. “Estamos assistindo a cenas de pessoas serem presas em praça pública, mulheres sendo algemadas e ninguém fala nada, a nossa imprensa. Cadê os meios de comunicação e não colaborar para denunciar isso? […] Por que a imprensa trabalha 24 horas por dia? Fica em casa também.”

Para além do poder da caneta para assinar ou não um decreto desse tipo e as implicações políticas e jurídicas que isso causaria, num ponto o presidente tem inequívoca razão: obstinada em manter sua cruzada contra o Palácio do Planalto, a imprensa tradicional não só tenta camuflar as arbitrariedades e a truculência empregada em nome da pandemia, como fingiu que não viu as passeatas de 1º de Maio — os raros editoriais ou articulistas que as citaram falaram em “manifestações a favor do vírus”, “fascistas” em defesa do “genocida” e de um golpe militar.

A pecha de “gado bolsonarista”, aliás, é a favorita dos haters na internet e nas colunas da própria imprensa. Nesta semana, o cantor sertanejo Eduardo Costa comentou em entrevista à rádio Jovem Pan: “O que chateia, inclusive por jornalistas que têm lado, é achar que nós sertanejos somos burros porque estamos no interior do Brasil, não estudamos, então eles olham para a gente e [sic] ‘nos tiram’ de babacas e sem cultura”.

Também nesta semana, Bolsonaro apontou o alcance de suas contas nas redes sociais como contraponto à artilharia do mainstream. “A população precisa ter informações de verdade na ponta da linha, saber o que acontece por intermédio das mídias sociais, que têm um papel excepcional no Brasil e, inclusive, na minha eleição. O meu marqueteiro não ganhou milhões de dólares fora do Brasil. O meu marqueteiro é um simples vereador, Carlos Bolsonaro, lá do Rio de Janeiro. É o Tercio Arnaud [assessor especial da Presidência], aqui que trabalha comigo, é o Matheus [José Matheus Sales Gomes, também assessor].”

Terceira via

Em meio ao silêncio diante das manifestações democráticas que voltaram às ruas — há ainda a possibilidade de atos de caminhoneiros e do setor agrícola a favor do presidente neste mês e circulam na redes sociais diversos vídeos de convocações —, a mídia tenta desde janeiro de 2019 dar musculatura a uma candidatura capaz de impedir a reeleição de Bolsonaro. A lista de nomes já percorreu todos os caminhos da esquerda ao centro, com malabarismos que testaram até apresentadores de televisão, humoristas e youtubers.

O fato é que nem o PSDB nem o Novo, por exemplo, conseguiram produzir um candidato que avançasse sobre o eleitorado conservador de Bolsonaro nem herdasse o que seria o espólio lulista até que o STF mudasse as regras do jogo e recolocasse o próprio petista no páreo. Foi assim com os governadores João Doria (SP), Eduardo Leite (RS), o senador Tasso Jereissati (chamado de “Joe Biden brasileiro” por um importante jornal paulista) e João Amoêdo (Novo). Somado a isso, o ex-juiz da Lava Jato Sergio Moro submergiu na cena política — o que inclui um duro revés no mesmo Supremo —, arrumou um emprego rentável e dá sinais de que esse tende a ser mesmo seu caminho.

“Não acredito em terceira via. É uma posição política semelhante ao centrismo, que tenta conciliar duas visões antagônicas: direita e esquerda; uma estratégia criada dentro de movimentos progressistas. Esse divórcio entre o que a imprensa apresenta e a realidade das ruas, os cidadãos experimentam desde o início da pandemia”, avalia Roberto Motta, ex-conselheiro do Banco Mundial e fundador do Novo — hoje crítico dos rumos que a legenda tomou.

Motta cita, por exemplo, a abordagem dada pelos mesmos veículos de comunicação sobre protestos promovidos pelo grupo radical Black Lives Matter em Washington. Em suma, o duplo padrão: atos do Black Lives Matter não causaram disseminação da covid; já os atos pró-Bolsonaro devem provocar alta de casos da doença.

A jogada mais recente de setores da imprensa foi tentar apresentar Ciro Gomes, do PDT, agora turbinado pelo marqueteiro do Petrolão, João Santana, com uma nova roupagem — alguém de centro-esquerda com envergadura para furar o duelo entre Lula e Bolsonaro. Na prática, trata-se de uma jogada que beira o desespero pela escassez de alternativas contra o correr do calendário. Caso ela não se viabilize, é enorme a probabilidade de que Lula será mesmo o destino final para a mídia tradicional — e alguns jornalistas já vislumbraram isso e anteciparam a guinada num revisionismo histórico para os crimes cometidos pelo petista. Tudo indica que 2022 poderá ser mais uma corrida polarizada entre o candidato das ruas e o das manchetes.

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51 comments

  1. Excelente matéria, Silvio Navarro.Verdade, não existe até o momento terceira opção.Eh PT contra Bolsonaro.Lembrem bem da última eleição para presidente da República,quantos candidatos… Até o cabo Daciolo teve mais votos que Meirelles.

      1. A revista Época já era , falta a Veja despontar para o anonimato

    1. O Molusco seria o candidato das manchetes e do Código Penal. Um vexame de proporções internacionais. Dificílimo emplacar. Gostaria muito que houvesse uma terceira opção viável, seria saudável para o país, mas o fato é que não há.

      1. Ô Cláudia, se você leu o artigo, não entendeu. Não existe terceira via. Isso é invenção da imprensa marron e esquerdopata, para enganar incautos. Oque de fato existe somos nós bolsonaristas contra o verme rastejante, o molusco, o corrupto mór, abjeta criatura, o zumbi putrefato e ainda insepulto, O LULARÁPIO, O LULADRÃO !!!! Simples assim …

    2. O descolamento da realidade em prol da obsessão chamada de “Ele Não”, esta desnudando toda a imoralidade da comunicação de massa da Imprensa tradicional.

  2. Parabéns Silvio. Muito bom ver alguém da própria imprensa mostrando o que realmente a mídia mainstream se transformou. Um verdadeiro lixo! Grande abraço.

      1. Triste realidade brasileira, absolver um corrupto, enaltecer um condenado com um único propósito, destruir um presidente transparente, simples, que cortou as tetas gordas do dinheiro público. É só uma questão de abstinência de propina e acordões milionários.

      2. Não só ele morreu, a estocadora de vento também. Mas ambos não sabem. São dois cadáveres insepultos.

    1. Seria um bom artigo mas mostra que o autor não tem profundidade intelectual ao usar constantemente palavras em inglês como se isso fosse um fundamento em si. Lamentável

      1. Sr. Ruotolo. Aqui não há lugar para infiltrados. Se não está satisfeito com a linha editoral da Oeste é só rumar para outras paragens. Aliás, esse é o foco da matéria, a mídia mainstream… Opss, desculpe o termo em inglês… a dita imprensa tradicional, como a globolixo, a Foice de São Paulo, o Estadão, a Crusoé, a Carta Capital, e por aí vai. Não precisa fazer muito esforço. São todas farinha do mesmo saco. Vão se encaixar direitinho no seu perfil esquerdopata.

      2. Ruotolo, o tolo! Das duas uma, ou você assinou a revista errada (deveria ir para a Crusoé), ou é mais um robot (puxa, olha aí, English) plantado pela mesma , a qual paga para idiotas vir envenenar o ambiente.

      3. Essa é a ú8nica crítica que você tem a fazer? Qual o mal em usar palavras em inglês?

  3. Parabéns Sílvio. E o Presidente tem mesmo de peitar essa catrefagem, começando pelo STF, cujos ministros têm, sim, de ser enquadrados e colocar suas barbas (socialistas/comunistas) de molho.

  4. Boa chamada. Vou além… nem os políticos e membros dos Tribunais Superiores em Brasília conhecem o povão do interior do Brasil. O sertão profundo é desconhecido, embora nos últimos 3 ou 4 anos o caboclo, caipira, gaudério e colono tenha se conectado muito bem com as novas tecnologias. E com elas escolhe sua linha de atuação, produção e encaminhamento político partidário. O povo do interior, parece, está mais lúcido do que aqueles que vivem em grandes centros, abarrotados de problemas quase insolúveis. O STF e o Congresso, principalmente, dão as costas para a maioria do povo que está trabalhando e produzindo sem pensar em grandes mobilizações para a direita ou para a esquerda. E no interior, meus caros editores, a imprensa é mais cruel do que as que tem sua plataforma instalada em SP ou RJ e capitais. É uma desgraça total ler e ver veículos de imprensa terceirizadas e parceiras de grandes redes omitirem notícias e fatos e aplicarem fake-news em escala internacional.

  5. A mídia tradicional cada vez mais caindo no abismo. Perdendo leitores, telespectadores e ouvintes que se espalham pelos meios de comunicação. Enquanto isso outras alternativas apareceram.

  6. Os jornais e os meios de comunicações já têm o seu candidato favorito para a presidência da republica. A imprensa “tradicional’ não mostra as manifestações de apoio dos apoiadores do presidente, em compensação vejo nesta revista uma campanha em não mostrar os erros do governo com o trato com a pandemia. Gostaria de uma imprensa isenta em noticiar os fatos.

  7. Quando leio uma matéria como esta, mais tenho certeza de que uma das melhores coisas que fiz foi me tornar assinante da Revista Oeste.
    Todas as matérias são muito bem escritas, abordam todos os ângulos e mostram a realidade, sem contar historinhas da carochinha; retratam a realidade nua e crua.
    É a publicação que defende os nossos valores, sem deixar de transmitir a visão da realidade que está acontecendo em nosso País.
    Parabéns, Silvio Navarro !

  8. Parabéns pela matéria, Sílvio Navarro! Quanto ao Sr. Ruotolo; quem sabe, esse suposto pseudo “surname”, não ocultaria um acrônimo? Algo como a junção de “Rótulo do Tolo”; ou, “Rua do Tolo”?

  9. Excelente matéria. Parabéns!
    Aposto que o ladrão mor não se candidatará. É preguiçoso, farsante e não correrá o risco de se expor a uma derrota. O culto ao partido da roubalheira perderia o que ainda resta aos militantes imbecilizados para continuarem a sugar este país.

  10. O Nine, com a personalidade que tem, vai querer polarizar em 2022, para desespero dos demais candidatos de centro esquerda. Não vai ter para ninguém. Melhor Jair se acostumando.

  11. A midia main stream é verdadeiramente uma tragédia. É muito ruim ver um jornalista dar uma noticia com viés político. Notícia é notícia e cada um deve ter a sua própria opinião sobre o seu significado. Foi-se o tempo em que o meio de comunicação informava: “opinião do grupo”. Agora tudo é opinião do grupo.

  12. Vc conseguiu captar a reação da população que trabalha e quer ver esse pais dar certo, diferente da grande imprensa que só tenta de todas as formas acobertar a corrupção para tentar criar um novo Lula como em 2002!!! O povo não é mais bobo nessa proporção para embarcar nessa furada!

  13. Parabéns Silvio pelo artigo. Infelizmente até o Estadão entrou nessa e fala tanto em gabinete do ódio e esquece que ele tem uma redação do ódio.
    Abs

  14. A grande bolha progressista é um CANCER NA SOCIEDADE BRASILEIRA. E eles na sua ARROGÂNCIA acham que o povo e massa de manobra. SQN

  15. A arrogância da bolha progressista é um tiro no próprio pé, eles não convencem mais ninguem como antigamente. Depois das redes sociais ficou praticamente IMPOSSÍVEL manter essas falácias por muito tempo a verdade sempre aparece. Por um BRASIL sem corrupção. Continuo de direita e vou repetir o meu voto em 2022.

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