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Foto: Montagem com ilustração Shutterstock
Edição 77

O Circo Brasil Vermelho

Ainda não desisti de juntar no mesmo picadeiro todas as subespécies do comunismo à brasileira

Augusto Nunes
-

P

or falta de um BNDES irresponsavelmente perdulário, como o que torrou bilhões de reais nos tempos de Lula e Dilma, jamais saberei se o Circo Brasil Vermelho me transferiria dos apartamentos da classe média para as coberturas dos ricaços. A ideia foi parida pelos eventos de dimensões siderais ocorridos no último quarto do século 20. Como um personagem de Nelson Rodrigues, acompanhei com o olho rútilo e o lábio trêmulo a queda do Muro de Berlim, em 1989, o meteórico derretimento da União Soviética, em 1991, e, num mundo redesenhado em dois anos, o fim da Guerra Fria. Convalescia do espanto quando constatei, assombrado, o sumiço da espécie que proliferava desde 1848 no Velho Continente: o comunista europeu. Nenhum desses filhotes da Mãe Rússia resistira à surpreendente orfandade. Marx, Engels, Lenin, Stalin e outros alvos da adoração da seita pareciam coisa de tempos remotíssimos. Mais grisalhas que o Império Romano, mais antigas que as pirâmides do Egito, as divindades sem devotos não espantariam ninguém se revelassem que haviam testemunhado o desentendimento inaugural entre Abel e Caim.

Todos acham que Cuba só não virou uma Inglaterra em espanhol por causa do bloqueio imposto pelos EUA

E então bateu-me a certeza de que nada disso ocorreria no impávido colosso nascido para desafiar a lógica e desmoralizar a razão. Só o Brasil fala português. No subcontinente amalucado, foi império enquanto a vizinhança proclamava a independência de republiquetas, virou República sem abdicar da nostalgia pelos dois Pedros e, depois de exigir nas ruas a volta das eleições diretas para presidente, é frequentemente governado por vices dispensados da luta pelo voto. Na terra em que se plantando tudo dá, é compreensível que tenha vicejado — e seja hoje amplamente majoritário — o comunista que esconde que é comunista. Com a morte de Luiz Carlos Prestes e Oscar Niemeyer, comunistas confessos tornaram-se tão raros quanto a ararinha-azul. Os militantes do Partido da Causa Operária (PCO), mesmo quando não estão a bordo da van em que cabe a turma toda, não ocultam o sonho de reprisar no Brasil o pesadelo imposto por 70 anos às nações subjugadas pelo império soviético. Em contrapartida, até os filiados ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB) preferem negar o que o nome de batismo afirma. Seguindo o exemplo dos primos ideológicos homiziados no PT, no Psol e em outras legendas, declaram-se apenas esquerdistas, recitam juras de amor ao Estado Democrático de Direito e fazem de conta que a busca obsessiva da ditadura do proletariado foi substituída pela construção da sociedade socialista. Todos capricham nas fantasias. Mas não é difícil reconhecer um comunista sob a camuflagem de guerreiro da liberdade..

O disfarce desanda quando a conversa é desviada para questões internacionais. Todos acham que Cuba só não virou uma Inglaterra em espanhol por causa do bloqueio imposto pelos Estados Unidos. Amam o paraíso caribenho, mas rejeitam a socos e pontapés a ideia de lá morar porque antes precisam dar um jeito no Brasil. Queriam ser Fidel quando crescessem e mantêm pendurado num velho guarda-roupa aquele pôster de Guevara. Depois da segunda dose de rum e da terceira baforada, miram a fumaça do charuto enquanto murmuram a doce lição do carrasco do paredón: Hay que endurecer, pero sin perder la ternura. Comovidos com o sofrimento dos palestinos, admitem que não seria má ideia afogar Israel no Mar Vermelho, ou dissolver a única democracia da região com uma bomba atômica de procedência iraniana. Ainda inconformados com a partida precoce de Hugo Chávez, aprovam o desempenho de Nicolás Maduro com um único reparo: na Venezuela há democracia até demais. Torceram pelas FARC contra os presidentes eleitos pelos colombianos, e agora exigem uma anistia ampla, geral e irrestrita para os colecionadores de sequestros e assassinatos.

Quem não tiver paciência para enfrentar o tsunami de cretinices pode chegar à verdade pelo caminho mais curto: basta chamar de “americano”  alguém nascido nos Estados Unidos. O certo é norte-americano, ouvirá no segundo seguinte. Melhor ainda: estadunidense. As incontáveis correntes, tendências, alas e facções em que se divide o conglomerado dos comunistas brasucas aprende ainda no berçário que qualquer filho da América é americano. É preciso, portanto, revogar com urgência urgentíssima outra afronta arquitetada pelo país que, por considerar-se dono do planeta, expropria até palavras. A esquerda não se une nem na cadeia, dizia-se nos botequins em que se agrupavam guerrilheiros de festim. Errado.  Todas as ramificações sempre estiveram unidas no ódio ao imperialismo ianque. É esse o Grande Satã universal, o inimigo comum e irremissível, a origem de todas as angústias, dores e tragédias que afligem o resto do galáxia, o Mal a ser erradicado. O balaio esquerdista festejou o 11 de setembro de 2001 e chorou quando Osama Bin Laden virou banquete de peixe. Agora celebra a reconquista do Afeganistão pelo Talibã. Não está claro se mudará de lado com a entrada em cena da dissidência do Estado Islâmico que acha moderados demais tanto os decepadores de cabeças quanto os que garantem que mulher sem burca é homem — e outro infiel a explodir.

A ideia do Circo Brasil Vermelho amadureceu quando entendi que as extravagâncias aglomeradas nas malocas do comunismo à brasileira dariam um zoológico e tanto. Por que não juntar num mesmo picadeiro representantes de cada subespécie, e enriquecer com excursões pelo mais civilizado dos continentes? Quem nasceu depois de 1980 não perderia a chance de conhecer, por um punhado de euros, tantas evidências de que o melhor do realismo mágico é menos delirante que o acervo de esquisitices que abundam por aqui.  Em vez de ursinhos ciclistas, por exemplo, a plateia veria a filósofa Márcia Tiburi, escalada pelo PT, empunhando um megafone para resumir em duas frases a Teoria da Supremacia Anal: “O xx é sobretudo laico. A gente tem de libertar o xx”. Em vez de afligir-se com os voos dos trapezistas, os espectadores se divertiriam com o jornalista designado pelo Partidão. Inventor do Uber gratuito para terroristas, ele contaria como conseguiu resistir bravamente a torturas sofridas por outros presos. Um jogral do PCdoB declamaria pensamentos do homicida albanês Enver Hoxha. O decano do PSTU berraria “morte à burguesia” em javanês. E o mais recente filiado ao Psol repetiria em linguagem tupi a primeira coisa que diz o filho do casal de devotos que acabou de aprender a falar: “Morte ao imperialismo ianque”. A segunda é “mamãe”.

Trinta anos depois da implosão do Leviatã soviético, a paisagem política brasileira não ficou tão diferente. As atrações de picadeiro continuam por aí. Não devo desistir de virar dono de circo.  

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Leia também  “A escuridão da face externa”

34 comentários
  1. Lia Rosa Leal
    Lia Rosa Leal

    Augusto Nunes magistral como sempre.

  2. Paulo Sergio Tosi
    Paulo Sergio Tosi

    É essa mesma imbecil que defende o roubo e que hoje vive na França ppr conta de uma bolsa de Doutorado do marido. Só no Brasil esse tipo de gente se sustenta.

  3. Paulo jacomo negro
    Paulo jacomo negro

    Respeito esse jornalismo verdadeiro, sou assinante , e tenho vergonha de dizer que sou brasileiro . Será que Brasil tem jeito ??
    obrigado por fazer esse comentário .
    Paulo Jacomo Negro

  4. Claudio Haddad
    Claudio Haddad

    GENIAL. COMO SEMPRE…..PARABENS AUGUSTO

  5. Fabio Augusto Boemer Barile
    Fabio Augusto Boemer Barile

    O melhor a fazer com esse circo macabro é cerca-lo, para sempre, meter um cadeado e jogar a chave fora. Para alem de ridiculos, essa gente é verdadeiramente perigosa para o país.

  6. Marco Aurélio Minafra
    Marco Aurélio Minafra

    Pela primeira vez, eu vejo esse vídeo. Já ouvira falar sobre o assunto e sobre a “brilhante” filósofa petista….. Meu Deus, que horror de fala, que expressões desconexas…. o pior, gente que aplaude tamanha estupidez!!!!
    Quem seria essa plateia?
    A esquerda deveria ir tomar onde ela exalta…. pobre filósofa!!!!!!!!!!

  7. Mantovani

    Augusto Nunes, excelência do verdadeiro JORNALISMO (com todas as maiúsculas).

  8. Daniel
    Daniel

    Grande mago da literatura e excelente repórter, senhor Augusto Nunes. Ser seus artigos é como saborear, como digerir facilmente algo extremamente indigesto. Não o acuso de envenenar o pensamento, mas de salvá-lo (ao pensamento) do veneno que a esquerda insiste em dissimular e que o nobre repórter, com maestria, desnuda tal dissimulação.
    Cheguei até me divertir com o clipe da devassa Márcia Tiburi, pelo cliché e pela falta de aprofundamento numa coisa tão profunda (hehehe).

  9. Alberto
    Alberto

    A Márcia Tiburi tem o cu no lugar do cérebro, ou então o cérebro ta no cu dela.
    Essa aberração é caso perdido. Se Freud resuscitasse e exercesse a Psiquiatria por mais 50 anos, não conseguiria explicar o que ela tem na cabeça.

  10. Robson Oliveira Aires
    Robson Oliveira Aires

    Excelente texto. Parabéns Augusto.

  11. FRANCISCO JOSE GONCALVES
    FRANCISCO JOSE GONCALVES

    Socialismo e comunismo não deu certo em nenhum lugar do mundo.

  12. Valesca Frois Nassif
    Valesca Frois Nassif

    Só mesmo com a ironia de um mestre pra conseguir enfrentar essa tragédia ( ou tragicomédia?) da nossa vida política e ainda rir um bocado! Obrigada, mestre Augusto! Nunca conseguirei te agradecer o suficiente! A OESTE é um verdadeiro oásis!

  13. Valfredo Novais Silva
    Valfredo Novais Silva

    Só há uma maneira de se entender a esquerda brasileira: são profissionais da mentira, da falsa empatia.

  14. Flavio Luis Vera
    Flavio Luis Vera

    Augusto Nunes: “E o mais recente filiado ao Psol repetiria em linguagem tupi a primeira coisa que diz o filho do casal de devotos que acabou de aprender a falar: “Morte ao imperialismo ianque”. A segunda é “mamãe”. kkkkkkkk. Quase morri de rir da trágica e verdadeira frase do grande mestre Augusto. Parabéns !!

  15. Erasmo Silvestre da Silva
    Erasmo Silvestre da Silva

    Amém

  16. Paulo Henrique Orlato Rossetti
    Paulo Henrique Orlato Rossetti

    Há mais de um ano, cansado de tanta falta de clareza na mídia escrita, eu disse para diversos amigos e amigas: “Se o Augusto Nunes e o Guzzo pudessem tomar frente e reorganizar aquela outra revista…”, mas Augusto, vocês fizeram melhor criando a Oeste. Em todo este tempo como assinante, as minhas sextas-feiras estão muito melhores. Parabéns ao time!

  17. Fernando Anthero
    Fernando Anthero

    Acabou a hegemonia que imperava até recentemente, graças à internet, está se consolidando a posição contrária liberal e conservadora

  18. MARCOS ANTONIO HALLIDAY PINHEIRO
    MARCOS ANTONIO HALLIDAY PINHEIRO

    + Depois da segunda dose de rum e da terceira baforada, miram a fumaça” da ditadura do proletariado !!! Augusto vc fumou ummmm!!!??? ta demais teu escrito, lógico, coerente , histórico. !!!

  19. Roberto Fakir
    Roberto Fakir

    Me parece, e não é de hoje, desde que o José Sarney começou a correr nos pastos atrás do gado, que o Brasil recomeçou errado. E a culpa foi do próprio povo que chorava na Globo dizendo ser “fiscal do Sarney”. Aí, eu mesmo votei no Collor para fugir do Lula. Adiante votei no FHC para fugir do Lula. Votei novamente em FHC para fugir do Lula. Votei em Serra para fugir do Lula. Votei no Alckmin 2 vezes para fugir do Lula. Votei no Aécio para fugir do Lula. Agora votei no Bolsonaro para fugir do Lula. SOU UM ETERNO FUGITIVO DO LULA.

    1. Antonio Carlos Neves
      Antonio Carlos Neves

      Pois é Roberto fiz o mesmo também como tucano desde a fundação do PSDB até 2019 quando descobri o mau caráter de lideranças tucanas à exceção de Alckimin e devo dizer que continuarei Bolsonaro diante do que teremos em 2022 e preocupadíssimo com as invioláveis urnas do Barroso.
      Agora devo dizer que votei em Lula contra Collor, que penso se vitorioso com aquele deteriorado estado econômico do pais, também seria impedido e sumido do mapa, e hoje nem saberíamos de sua existência.

    2. João Carlos de Souza Carvalho
      João Carlos de Souza Carvalho

      Eu também , nunca votei em esquerdistas nem irei votar !

  20. Antonio Carlos Neves
    Antonio Carlos Neves

    Parabéns Augusto por suas matérias na revista oeste e seu grande trabalho nos melhores programas da jovem pan, “pingo nos ís” e “direto ao ponto” de grande audiência. Por saber ser paulista de Taquaritinga e por teu enorme conhecimento político, gostaria de tua manifestação sobre a enorme inconstitucionalidade no meu entender, da representatividade do nosso estado na Câmara dos deputados por esta ambiguidade de limitar a proporcional representação na Câmara Federal há um mínimo de 8 e máximo de 70 deputados por estado. Como entender que o voto dos paulistas vale muito menos que o voto do cidadão do Amapá?
    Procurei dados da população eleitoral de 2018 e constatei que nosso pais tinha 147 milhões de eleitores e São Paulo 33 milhões o que proporcionalmente caberiam 115 cadeiras das 513 da Câmara, e o Amapá que com pouco mais de 512 mil eleitores elege 8 deputados e pior 3 inúteis Randolfes no Senado( para que 3, não basta 1?).
    Bom, voltando à lotação da Câmara apurei que 16 estados com pouco mais de 31 milhões de eleitores possuem 145 cadeiras nessa CASA. Mais curioso ainda é que nos demais grandes estados a representação real esta próxima a proporcional de seus eleitorados como MG (53/55), RJ (46/43), RGS (31/29) e por ai vai.
    Portanto Augusto como o cidadão paulista pode cobrar seu parlamentar, como sustentam os cientistas políticos, se não conseguiu elegê-lo por falta de espaço ?
    Gostaria de ver tua manifestação, que penso seja necessária assim como de toda imprensa para verificar essa possível inconstitucionalidade.

  21. Érico Borowsky
    Érico Borowsky

    Como escreves (e falas) bem, Augusto !

  22. Eurico Schwinden
    Eurico Schwinden

    Numa terra em que o fascio-lulopetismo se tornou um culto criminoso, obsceno, não se pode gastar três neurônios com alguma esperança de que seríamos uma Nação culta, bela e, se o tempo ajudar, rica. Melhor ainda, onde cada ser humano tenha tenha três refeições diárias, um domínio funcional do alfabeto. Sei lá se algum dia isso foi possível. O que estou seguro é de que este presidente escolhido nas urnas e festejado com alegria genuína por onde passa – e por onde passa não deixa apenas um abraço, mas uma cacimba no tórrido semiárido, quilômetros de trilhos, 130 mil pontos no Índice Bovespa, vai continuar e, sem fraude, terá os votos e a certeza de que haverá brasileiros que lerão os textos de Augusto Nunes, de Fiuza, Guzzo e essa rapaziada que aqui – nessas páginas generosas – revivem a história contada como ela foi. Maravilha. Mas, cá entre nós, você não terá na nossa imensa Geografia espaço para para reunir todas as subespécies de comunistas de grife.

  23. DALCIONES LUIZ DIAS
    DALCIONES LUIZ DIAS

    Como é bom e fácil ler o que escreve nosso mestre Augusto Nunes, poderia ler cem paginas fácil, fácil. Gostaria de destacar aqui também, a revista Oeste, parabéns pela equipe de colunistas, chega ser difícil escolher qual matéria/colunista, ler primeiro.
    O leitor estava carente de fontes de informações de qualidade e esclarecedoras.
    Parabéns revista Oeste.

    1. Murilo Menon
      Murilo Menon

      Esse circo terá permanente? Se tiver, quero uma. Afinal, todo dia será um espetáculo diferente, e acho que poderíamos aprender alguma coisa com os artistas. Como roubar o algodão doce, por ex.

  24. Mario Ralph Correa Filho
    Mario Ralph Correa Filho

    Não esquecendo que uma das palavras prediletas do bando de cretinos é “democracia”. Acho que é uma senha entre os “amigues esquerdistes” que na realidade quer dizer “demôniocracia” = ditadura do proletariado.

  25. Francisco Antonio Gonçalves Pereira
    Francisco Antonio Gonçalves Pereira

    Como sempre, excelente comentário. Parabéns.

    1. José Carlos Moreira De Abreu
      José Carlos Moreira De Abreu

      Augusto Nunes, e esse time fantástico da Revista Oeste, são um bálsamo, para suportarmos as falácias dos esquerdistas.

  26. Elson Zoppellaro Machado Machado
    Elson Zoppellaro Machado Machado

    São todos tolos de mentes formatadas ou canalhas da pior espécie.

  27. deonísio da silva
    deonísio da silva

    Augusto Nunes é um refrigério onde quer que escreva. “Seta certeira” (beijo, Luzia!), como sempre, e com a coragem que jamais lhe falta. Leio suas colunas, desde os tempos antigos da mocidade, como se recebesse uma graça alcançada por novena a Nossa Senhora das Mercês, que lhe deu o dom de escrever com verve e humor, graça e estilo originais. Pudera! Sempre leu bons autores, escolheu livros de qualidade, e é quase devoto de autores referenciais de nossas letras.

  28. Luzia Helena Lacetda Nunes Da Silva
    Luzia Helena Lacetda Nunes Da Silva

    Sempre uma seta certeira. Parabéns parabéns

  29. YOUSSEF NASER ISSA
    YOUSSEF NASER ISSA

    A divisa não e tão grande entre os camaradas e o talibã

  30. Joviana Cavaliere Lorentz
    Joviana Cavaliere Lorentz

    O tal “estado democrático de direito” é apenas a ditadura da toga. Ontem li texto que dissecava isso. No estado democrático está contido o estado de direito, mas no estado democrático de direito o que há é a ditadura da toga. É a toga determinando o que é democracia.

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