Foto: Montagem Revista Oeste/Reprodução
Foto: Montagem Revista Oeste/Reprodução

A Pfolia da Pfizer

O Carnaval de 2022 promete. Se a Luma era do Eike, agora o folião é da Pfizer. Cada um com a sua coleira (e o seu fetiche)

Quando Luma de Oliveira apareceu na Marquês de Sapucaí usando uma gargantilha com a inscrição “Eike”, os libertários foram à loucura. O que era aquilo? Uma mulher de coleira para avisar que tinha dono? As interpretações escandalizadas iam daí para mais, apesar de a modelo dizer que era apenas uma homenagem ao marido, sem entrar muito na polêmica.

De lá para cá, o mundo deu muitas e muitas voltas. Eike Batista faliu e chegou a ser preso. A patrulha politicamente correta se multiplicou mais do que a fortuna imaginária de Eike. E os libertários de plantão hoje usam coleira vacinal — mais orgulhosos que Luma no Sambódromo.

O Carnaval de 2022 promete. Se a Luma era do Eike, agora o folião é da Pfizer. Cada um com a sua coleira (e o seu fetiche). Acabou definitivamente aquela ideia de que no Carnaval ninguém é de ninguém. Agora todo mundo tem dono. O prefeito do Rio de Janeiro já avisou: com o cartãozinho higiênico é só chegar. Mas não fique achando que daí em diante é libertinagem total. Nada disso. O coração é da mamãe, a cabeça é do papai e o bracinho é do lobby. A chave da cidade não abre mais nada. O Rei Momo vai inaugurar o Carnaval com uma seringa.

Qual coleira você acha mais excitante? A do Eike ou a da vacina?

A que a Luma usava tinha um apelo provocante — uma mulher desejada por uma multidão e marcada voluntariamente como exclusividade de um só. Milhões de fantasias provinham daquela gargantilha, ou coleira, como rosnaram os despeitados. Uns viam coragem e entrega romântica, outros viam sujeição e negação do espírito carnavalesco. Mas, pensa bem. A coleira da vacina traz um apelo que nem uma Luma seminua tem.

Como em todo curralzinho vip, a graça é imaginar quem ficou de fora

No novo desbunde higienista, o grande fetiche está em imaginar quem ficou de fora. A imaginação é a irmã silenciosa da excitação. Não importa que essa vacina não impeça a infecção, nem o contágio. Se os israelenses lideraram a vacinação e continuaram sendo internados com covid, se veste de árabe e cai na folia. E principalmente pensa nos segregados. Pensa nos que você pode chamar de imundos e arcaicos porque não usam uma coleirinha vacinal como a sua. Ai, que delícia. Chora, cavaco.

Como em todo curralzinho vip, a graça é imaginar quem ficou de fora. Olha que Carnaval excitante: todo mundo se aglomerando sem nem pensar em vírus, tipo ministro da Saúde em Nova Iorque. Estava infectado, mas e daí? O importante é estar vacinado e apresentar o passaporte de rebanho vip. Aí você pode tudo. Dane-se a saúde — o importante é a vacina. Isso dá samba. Vamos lá, batuca aí:

Se joga na avenida
É o Carnaval do vacinado
Não conta pra ninguém
Que o vírus não foi barrado
Olê olê
Olê olá
Quem não tem o cartãozinho
Vai ter que rebolar!

O próprio prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, num jorro de sinceridade, avisou que passaria a “dificultar a vida” dos não vacinados — inclusive impedindo acesso à saúde! Nunca se viu uma autoridade assumindo com tanta desinibição a coação explícita ao cidadão. Entendeu o refrão? Vai ter que rebolar para viver. Entendeu o enredo do samba? Não é sobre saúde, é sobre vacina!

Agora senta para não cair: a bravata totalitária e desumana desse folião macabro ficou por isso mesmo. Dois desembargadores decidiram contra essa ilegalidade explícita que não salva vida de ninguém e cria cidadãos de segunda classe, mas no STF (que não falha) o companheiro Fux matou no peito as decisões da Justiça do Rio de Janeiro e mandou Eduardo Paes continuar tranquilo a sua caçada ao direito da pessoa humana.

O carioca indomável, quem diria, virou um cachorrinho de madame. Um rebelde de coleira e focinheira — amestrado pela falsa ciência do consórcio de lobistas. Quem vai parar os urubus dessa ofegante epidemia?

Leia também “Obscurantismo vacinal”

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38 comentários Ver comentários

  1. Gosto do Fiuza, mas o texto é lamentável, acabei de chegar do Hospital e o médico muito alegre me conta que não pegou mais ninguém grave depois da vacina, e até desativaram a UTI Covid, ele falou que quem pega agora, quase nada sente. Vamos incentivar a vacina e não incentivar o carnaval.

    1. UTI da covid foi outro pretexto pra roubar dinheiro público, desativaram pq depois do dinheiro desviado, já perdeu a utilidade… Vamos incentivar as vacinas que FUNCIONAM quando estiverem prontas E a liberdade individual de, se quiserem tomar, desde já ou não a vacina EXPERIMENTAL….

  2. Eu sou carioca e sigo sem vacinas e máscara e, claro que sou uma segregada, inclusive em família. Só não me segregam em família se precisam de cuidados, afinal sou Enfermeira aposentada e, já dei conta de 3 na família com Coronga. Dois vacinados e todos recuperados.

  3. Sabe o que eu acho incrível? É ver que ainda há pessoas que não entenderam que você não é contra a vacina, mas sim a favor da liberdade de querer se vacinar ou não porquanto não há provas de isenção de risco em alguns grupos ou mesmo efetividade na proteção de terceiros ( o que seria ao menos uma justificativa para a imposição). Em contrapartida vão liberar geral para o carnaval. Essa gente é muito sem vergonha. Mas o aconselho Fiúza, deixe clara sua posição, pois a qualquer momento um destelhado juiz poderá deturpar sua posição.

  4. Fiuza, além de muito inteligente, sabe o que diz e como se escreve. Esqueçamos as outras nações, vejam nosso país com suas decisões superiores (???) esdrúxulas e bizarras a respeito do trato da saúde na pandemia do coronavírus. Vamos lá, lobbistas, terceira dose, vacinar criancinhas, vamos lá…quanto custa cada dose? R$ 200,00? Ah, bom…

  5. Esse vírus não vai ser totalmente barrado,como muitos outros que circulam pelo Brasil afora.A gripe está aí para provar.Acho uma aberração coleiras em pessoas,a coleira da Luma caiu e quem puser outras vai se decepcionar.

  6. O que mais impressiona é a falta de reação ao que está acontecendo no mundo todo e, em especial, no Brasil. A questão das vacinas é só a ponta do iceberg. E tudo o mais? A ideologia de gênero, a linguagem neutra, o STF esquerdista, o Senador da República Ricardo Pacheco Presidente do Congresso um retardado mental que pensa que pode ser Presidente da República, a homofobia, transfobia, etc, etc, LGBTQI+++++, dá pra ficar o dia inteiro listando as excrescências elevadas ao Olimpo dos Deuses pela imprensa velha imunda que se deixava corromper e hoje morre de inanição. Tédio. Temos mesmo que morrer de tédio com tanta ignorância. A vontade é de sumir desse mundo, pois só vai piorar.

  7. Fiuza, você simplesmente é perfeito! Que texto sensacional!!! Toda hora eu volto aqui pra ler de novo! Que genialidade! E ainda tem essa ironia deliciosa! Eu realmente adoro te ler! Não existe igual.

  8. Mostrando a realidade que o carioca se deixa levar e até colocar coleira, quando e samba futebol e cerveja, o palavreado malandro e a coragem foi pro saco.

  9. Bom demais seu texto Fiúza, como sempre acertando nas interpretações das verdades que ninguém ousa discutir👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻

  10. Com certeza o samba enredo que constar como tema a covid ou vacina já saí na frente para levar o título de escola campeã de 2022.

  11. Decepção total com os seres humanos que, em pleno século 21, ainda caem nas mentiras e montagens da imprensa, cinema e TV. Não aprenderam nada com o uso da TV/cinema para enganar o povo, desde 1917 holocaustos foram feito usando esse método desenvolvido por um Russo. Vem Logo Meteoro!

    1. O meteoro deveria cair em Brasília DF em plena quarta-feira, no pico do expediente, aí em torno das 15:00 hs. Teríamos assim, todos os nossos problemas resolvidos.

      1. Só que não caro idiota. Em Brasília existe muita gente honesta que não tem nada a ver com políticos inescrupulosos que geralmente são oriundos de outros estados. Pense só uma vez antes de escrever essas asneiras.

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