Ilustração: Revista Oeste/Shutterstock
Ilustração: Revista Oeste/Shutterstock

O candidato

Ok. Tudo bem. Que bom que o sr. não está à venda. É um ótimo começo. Parabéns”

— Bom dia, sr. candidato.

— Bom dia.

— Sr. candidato, qual é o principal ponto do seu programa de governo?

— Prezado, não estou à venda.

— Hein?!

— Isso mesmo que você ouviu. E não adianta insistir.

— Mas eu não insinuei nada. Perguntei sobre programa de governo.

— Você pergunta o que você quiser. E eu respondo o que eu quiser.

— Ok. Bom saber que posso perguntar sobre qualquer assunto.

— Fique à vontade.

— Obrigado. Continuando, então: qual será a sua estratégia para combater a corrupção?

— Prezado, não estou à venda.

— Espera aí, sr. candidato. Estou perguntando sobre combate à corrupção. Não sobre participar de corrupção.

— Eu ouvi muito bem a sua pergunta.

— Então não estou entendendo.

— Nem eu. Tudo aqui é um pouco complicado para mim.

— Como assim?

— Está vendo como é complicado? Você também não entende.

— É… Bem, continuando a entrevista: quem será o seu ministro da Economia?

— Prezado, não estou à venda.

— Olha, assim o sr. já está me ofendendo. Eu não o acusei de nada. Eu não perguntei para qual ladrão o sr. vai entregar o dinheiro do contribuinte. Só quis saber o nome de um ministro do seu governo, se é que o sr. já tem esse nome.

— Pois é. Não estou à venda.

— Ok. Tudo bem. Que bom que o sr. não está à venda. É um ótimo começo. Parabéns.

— Obrigado.

“— Acho que o sr. está confundindo Ômicron com o Macron”

— Vamos passar então para perguntas mais gerais. Depois se quiser o sr. fala do seu plano de governo.

— Ok.

— O sr. teme Ômicron?

— De jeito nenhum. Acho um ótimo presidente.

— Hein?

— Sim, tem feito uma boa gestão na França. Inclusive é contra o desmatamento na Amazônia, o que aliás eu também sou. Me identifico com ele. Nós somos também contra o preconceito e contra a infelicidade geral.

— Acho que o sr. está confundindo Ômicron com o Macron.

— Prezado, não estou à venda.

— Eu já entendi essa parte. É que a minha pergunta foi sobre a nova variante.

— Não sei o que vocês têm contra a variante. Pra mim é tudo igual: variante, chevette, fusca, brasília. Se bem que atualmente estou preferindo brasília.

— Entendi. Cada um com as suas preferências, né?

— Claro! Eu defendo a liberdade de expressão.

— E a Lava Jato?

— Fundamental. Carro tem que estar sempre limpo.

— Que carro?

— Você é confuso, hein? Não estamos falando sobre carros? Então estou dizendo que pra mim tanto faz a marca, desde que o carro esteja limpo.

— Certo. Faz sentido. Posso fazer uma última pergunta?

— Lógico. Já falei que você é livre para perguntar quanto quiser.

— Obrigado. A pergunta é a seguinte: se te prometessem poder, meios, facilidades, bajulação da imprensa, enfim, uma vida mais doce, você toparia esquecer quem você era?

— Prezado, isso é muito relativo.

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35 comentários Ver comentários

  1. O inocente Fiuza não sabe que quando disse “não estou à venda” ele quis dizer “não aceito aparelhar a Polícia Federal para blindar a famiglia Bolsonaro.” O desatento Fiuza também não sabe que o Bolsonaro acabou com a Lava Jato (segundo ele, porque não havia mais corrupção.)

  2. Vou chegando à conclusão que existem idiotas de “direita”também em bom número, embora saiba que nunca alcançarão a totalidade, como no caso dos “esquerdistas petistas”(esses um flagelo da humanidade). Gente, com exceção de defender criminosos como Lula, Beira Mar, Marcola ou Moraes (defender ou acobertar bandido é igualmente criminoso), acredito que o espaço deva ser livre aqui para defender ou criticar Bolsonaro, moro, Amoedo etc. O Moro ja foi um herói para mim e muitas pessoas, mas sua conduta política, sua superficialidade e meiguice com o próprio Lula e o STF que destruiram boa parte do seu legado é incompreensível. Embora muito ainda o respeite, não consigo deixar de ver um grande JUÍZ, transformar-se num “politiquinho merreca”

  3. Idiota esse Fiuza. Vai ficar tentando fazer piadinha com o Moro (“não estou a venda” foi a resposta dele à deputada bolsonarista que tentou convencê-lo a ficar no desgoverno em troca de uma vaga no STF) e a única coisa que conseguirá será tirar assinantes da revista.

    1. Dna. Yara, a senhora esta perdida nesta revista. Seu comentário a respeito do Moro era o de todos nós quando essa figura foi juíz, depois perdeu o caráter quando além de usar a forma rasteira e comercial de tratamento com sua afilhada Carla Zambelli, “prezada eu não estou a venda”, imediatamente leva para a Globo e para aqueles que sempre o ignoraram. O único poder a lhe reconhecer valor foi o Executivo com Bolsonaro e seus ministros, porque nem o legislativo e o STF o suportavam.
      Melhor mudar de revista, porque nesta há muitos Fiuzas.

  4. LAMENTAVELMENTE UMA PESSOA JULGADA EM VARIA INSTANCIAS COMO CORRUPTORA PODE , NA VISÃO DO STF, SER PRESIDENTE DO BRASIL.
    COITADO DO BRASIL ?

  5. Fiuza, parabéns por essa grande pegada do enganador Moro: “Prezada, eu não estou a venda”, dirigido a sua afilhada de casamento, como fosse um tratamento comercial à um desconhecido que oferecendo grana. Evidentemente, é tão sério que logo em seguida leva suas gravações no whatsapp para sua admirável GLOBO. Que sujeito esquisito querendo ser presidente do Brasil.

  6. Tendo sido Moro a vida toda tão somente um juiz, é evidente seu total despreparo para governar o país e, como tal, se eleito, haverá de se respaldar em ministros do STF como seus procuradores para editar o Brasil através de decisões monocráticas destes “iluministros”. Mas o que mais fica cada dia mais claro e exposto é seu caráter bem além de duvidoso.

  7. O Moro não é um Conservador raiz nem um liberal convicto – Início confuso, mas isso já dá pra afirmar – e, esse é o problema. Se eleito, traria a volta da estratégia das “tesouras” e o nascente conservadorismo brasileiro morreria no berço. Aliás, esse é o verdadeiro motivo das prisões, perseguições, desmonetizações e tudo mais que estamos vendo. Querem aniquilar os conservadores e liberais no nascedouro, querem um Brasil com cinquenta tons de vermelho, uns mais outros menos, mas tudo vermelho.

  8. Foste cirúrgico e, ao mesmo tempo, compassivo com o candidato Moro. Esse está nas galerias dos ídolos efêmeros, dos traidores infames e, ainda, na dos egos inversamente proporcionais à real capacidade.

  9. Sempre achei que o Moro candidato a presidente era uma má ideia. Ainda que chegasse lá, como diabos ele iria conseguir aprovar qualquer coisa nesse congresso? Dito isso, a postura atual dele é algo assustador. Pra alguém que carregou a esperança do país durante tanto tempo, a guinada 180 graus nas suas posições, fazendo posicionamentos sem conteúdo, talhados aos ouvidos de sabe-se lá quem, quase como lendo um teleprompter, enquanto ignora assuntos graves como os descalabros do STF ou o cinismo ditatorial de Lula — seu adversário, inclusive — é motivo de tristeza para os brasileiros. E é até curioso porque como estratégia política, essa é a pior que poderia escolher. Muitas são as razões a que se atribui a vitória de Bolsonaro em 2018. Eu penso ser só uma: foi o único que não segurava a força do soco ao bater no PT. Pra mim o Moro deveria estar fazendo o mesmo agora, sem poupar lados. Esse excesso de cautela aliado ao que só pode ser chamado de covardia vai terminar de exterminar sua imagem perante o brasileiro que um dia lhe admirou.

  10. Fiuza embarcou na canoa errada ao criticar Sérgio Moro. Mesmo com sua fina ironia, o resultado é ruim. Não há como negar que Sérgio Moro é um homem digno e patriota

    1. Não há traidor que seja digno. E, ademais, “patriota” em cima do muro alheio é, na verdade, mero covarde oportunista. Para mim Moro é uma decepção no quesito inteligência. Nele, bem menor que seu ego.

      1. “Traidor” porque não aceitou aparelhar a PF para blindar a famiglia do bolso.

    2. Além disso, o articulista agora trabalha no campo da ficção, em que cria ao seu sabor o mundo em que gostaria que todos estivéssemos. Da revista, claramente de maioria bolsonarista, estou aguardando manifestações claras dos demais colunistas sobre a candidatura do Moro. Mais cautelosos e vividos, tenho a sensação de que aguardam a opinião popular nas pesquisas mais sérias que sairão uns 4 meses antes da eleição. Até lá ficamos vendo o Mundo Encantado do Fiuza nos seus artigos que são mais desejos do que realidade.

      1. Eu creio que existe na verdade o munda encantado de Antonio de Padua Cruz, que ainda não se deu conta, ou se recusa a enxergar, que Moro não representa o pensamento conservador. Muito longe disso. É apenas um novo tucano, tentando encaixar um discurso, qualquer um, que agrade milhoes de incautos como voce. Quanto ao estilo usado pelo Fiuza, aí voce ja se supera na arte de querer pautar os colaboradores do periódico. Fiuza é brilhante não só pelas opinioes mas por habilmente transitar por vários estilos e mídias. Eu também admiro o Juiz Sérgio Moro, Sr. Padua. E acredito que ele deveria ter seu nome sempre reverenciado pelo combate intransigente À corrupção. Só há um problema: ele não existe mais.

  11. Descrição perfeita de um “possível ” candidato que logo se identifica sem dizer o nome dele. Realmente genial. Se alguém tem dúvida, vou dar uma dica: foi uma das maiores, senão a maior decepção para quem acreditava na Justiça brasileira!

  12. A língua portuguesa tem vários adjetivos e a raridade com que se usa alguns, dá a noção do seu valor ao que se quer adjetivar. A frase final do texto dentro de sua contextualização, merece um sonoro “Genial!”

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