Pronunciamento do candidato à presidente Lula, no Hotel Jaraguá, na cidade de São Paulo, neste domingo, 2 | Foto: André Ribeiro/Futura Press/Estadão Conteúdo
Pronunciamento do candidato à presidente Lula, no Hotel Jaraguá, na cidade de São Paulo, neste domingo, 2 | Foto: André Ribeiro/Futura Press/Estadão Conteúdo

À sombra da corrupção sem limites

A volta de Lula à Presidência seria a volta da ladroagem em níveis jamais tentados até hoje — e com a segurança da absolvição automática pela justiça que existe aí

No fim, as coisas não saíram como tinham decidido os institutos de pesquisa eleitoral, o consórcio geral dos órgãos de imprensa, os banqueiros de esquerda e o resto do sistema que joga tudo para manter vivo o Brasil do atraso, da concentração de renda e do congelamento da ignorância. Chegou perto, mas perto não é o suficiente. Lula tinha de ganhar no primeiro turno; durante meses seguidos, isso foi dado como o fato mais indiscutível da história política deste país. Já estava, junto com a mídia e com os analistas políticos, nomeando o ministério e tomando outras providências de governo. No dia da eleição a mídia mais militante e as suas pesquisas davam Lula com maioria absoluta e Bolsonaro com 31% dos votos, num último esforço para ver se dava. Não deu. Se Bolsonaro tinha 31% dos votos, como acabou com mais de 43%? Isso não é erro. É pura e simples falsificação da verdade, embora não tenha havido nada simples, e muito menos puro, nessa história toda. O fato é que a decisão final foi para o dia 30 de outubro — e até lá é fato 100% certo, este sim, que a lavagem cerebral do primeiro turno vai continuar à toda.

Lula tem a seu favor a escrita das eleições anteriores — desde que o Brasil voltou a ter eleições diretas para presidente, nunca o candidato que teve maioria no primeiro turno deixou de levar também no segundo. Pode contar ainda com o resultado de Minas Gerais; quem ganha em Minas, diz o retrospecto, ganha no Brasil. Não é garantido: escrita só vale até ser quebrada, como invencibilidade de time de futebol. Além disso, também Bolsonaro pode esperar pelo passado, já que nunca um presidente no exercício do cargo deixou de ser reeleito. Mas o fato é que a maioria, tal com foi registrada pelo sistema de apuração do “tribunal” eleitoral, tomou a sua decisão. É perda de tempo julgar a qualidade desta decisão; o resultado é o resultado. O Brasil do progresso, entre Mato Grosso e Rio Grande do Sul, incluindo São Paulo e Rio de Janeiro, preferiu Bolsonaro. O Brasil da senzala, entre a Bahia e o Maranhão, ficou com Lula. Minas se dividiu e o Norte não tem votos suficientes para fazer diferença. Mas o fato é que a maioria está do lado do atraso. Ela achou que é uma boa ideia colocar de novo na Presidência da República um cidadão que foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro pela justiça do seu país. Fazer o quê?

Lula mentiu sobre tudo o que poderia ter mentido, valendo-se de novo da arma invariável da esquerda: a exploração da ignorância, da miséria

Lula contou, além do Nordeste, com a parcialidade mais aberta que jamais se viu na história eleitoral do país — com um Supremo Tribunal Federal e o seu TSE violando a lei, todos os dias, para ajudar a candidatura do PT. A campanha se passou, durante o tempo todo, sob a ameaça de um inquérito policial fora da lei e sob o controle direto do ministro Alexandre Moraes. Foi feito, por ele e pelos colegas, todo o tipo de ilegalidade. Cortaram ao máximo o acesso de Bolsonaro às redes sociais. Reprimiram com punição financeira os seus admiradores. Bloquearam contas e violaram sigilos. Não permitiram que usasse as imagens públicas das comemorações do dia Sete de Setembro, quando multidões se vestiram de verde e amarelo para lhe dar apoio. Proibiram que mostrasse vídeos de uma visita à Inglaterra, para os funerais da Rainha Elizabeth II, e outra à ONU — de novo, atos públicos e legais. Não deixaram que fizesse lives na sua própria residência, o Palácio da Alvorada. Enfiaram no inquérito perpétuo do ministro Moraes contra “atos antidemocráticos” uma conversa particular no WhatsApp entre admiradores do presidente. Mandaram investigar um apoiador que é sócio de uma empresa que tem um trator que desfilou em Brasília no dia da Independência. Censuraram, sem o menor fiapo de lei que os permitisse fazer isso, o site de notícias O Antagonista, na véspera da eleição — para suprimir a publicação de conversas em que chefes do crime organizado se diziam a favor de Lula. O agente mais excitado da campanha do TSE, além do próprio Moraes, foi fotografado recebendo de Lula tapinhas carinhosos no rosto. A lista poderia encher o resto desta edição.

Seu outro grande aliado, mais uma vez, foi a trapaça política — deu certo, para ele, nas duas vezes que ganhou as eleições para presidente, e voltou a dar certo nesse primeiro turno. Lula atravessou a campanha inteira num estado de mentira serial. Mentiu o tempo todo sobre a sua “absolvição”, que jamais existiu — ele recebeu de presente, de um dos militantes que mantém no STF, a anulação dos processos penais a que respondia, mas ninguém falou, nem ali, em anulação das suas culpas. Disse, até mesmo, que foi absolvido na ONU — uma invenção grosseira, pois a ONU, não sendo um tribunal, não julga, nem condena e nem absolve ninguém. Mentiu sobre o paraíso que teria sido o seu governo — que terminou, sob a direção de sua criatura Dilma Rousseff, com a maior recessão econômica da história do Brasil. Mentiu, enfim, sobre tudo o que poderia ter mentido, valendo-se de novo da arma invariável da esquerda: a exploração da ignorância, da miséria e da desigualdade social. Foi, de novo, a aplicação da ideia geral da manutenção da pobreza e da multiplicação dos pobres. É dali que vêm os votos, como mostram mais uma vez os resultados dessa eleição. É por isso que Lula, o PT e aliados aceitam tudo, menos uma população mais instruída e mais consciente dos seus reais direitos. Eleição não é teste de conhecimento, nem disputa de argumentos; é uma gritaria que, frequentemente, ajuda o vigarista. Foi assim, mais uma vez.

A corrupção nos governos Lula e Dilma ficou provada com confissões espontâneas, delações e devolução de dinheiro roubado — o que mais seria preciso?

O Brasil caminha, agora, para uma situação que nunca conheceu. Pela primeira vez em sua existência, pode ter na Presidência da República uma pessoa que estará inteiramente acima da lei; nenhum dos seus atos, por mais criminoso que seja, ficará sujeito à apreciação da justiça. O STF e todo o mais alto judiciário brasileiro não tomam nenhuma decisão contra Lula, absolutamente nenhuma. Não é uma previsão exagerada — é o que mostram os fatos, como eles têm ocorrido desde a anulação, fora da lei e da decência comum, das suas condenações como ladrão do erário. De lá para cá, Lula não perdeu nenhuma decisão na justiça. Faz sentido imaginar que a mesma justiça, com os mesmíssimos juízes, comece a decidir contra ele depois que estiver na presidência? É possível que algum dos seus atos numa Petrobras, por exemplo, seja julgado, provado e condenado num alto tribunal superior qualquer? A corrupção nos governos Lula e Dilma ficou provada com confissões espontâneas, delações e devolução de dinheiro roubado — o que mais seria preciso? Mas o STF decidiu que nada do que foi decidido sobre essa roubalheira toda está valendo, e falsificou noções elementares entre certo e errado para lhe permitir a candidatura à presidência. Por que agiria de modo diferente daqui para diante? A volta de Lula à presidência seria muito mais que a incompetência, a devolução do Brasil às empreiteiras de obras e a entrega do governo à confederação de interesses que unem empresários-piratas, os sócios do PT e a casta de parasitas que vive na alta burocracia estatal. É a volta da ladroagem em níveis jamais tentados até hoje — ladroagem agora sem limites, e com a segurança da absolvição automática da justiça que existe aí.

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