Ilustração: Viktoriia Ablohina/Shutterstock
Ilustração: Viktoriia Ablohina/Shutterstock

Caso de polícia

Os “institutos” provaram inúmeras vezes que “erram” sempre para o mesmo lado: favorecendo candidatos de esquerda

“Desconfie de pesquisas pouco tradicionais e com resultado que diverge de TODAS as outras. Por sinal, hoje tem DATAFOLHA!!! Experiência, correção, segurança e a melhor informação”, escreveu no Twitter a “jornalista” Mônica Bergamo na véspera da eleição deste domingo. O Datafolha dava uma margem de 14 pontos para Lula, colocando apenas 36% de intenção de votos para Bolsonaro. Isso sem falar do restante, para senadores, governadores e deputados.

Guilherme Fiuza, após o resultado, comentou: “Chega de poesia: o ‘erro’ grotesco dos ‘institutos’ se chama MENTIRA — devidamente embalada pela imprensa. E que coincidência: os mentirosos estiveram SEMPRE alinhados com o TSE para impedir que a eleição pudesse ser AUDITÁVEL. Brasil, decide aí se quer continuar brincando disso”.

De fato, precisamos explicar o óbvio: erro, em estatística, é sempre aleatório. Se houver uma inclinação de lado constante para o tal “erro”, não se trata mais de erro, e sim de viés. Os “institutos”, que não são institutos, e sim empresas que buscam o lucro vendendo esse serviço, que tampouco é científico como alegam, provaram inúmeras vezes que “erram” sempre para o mesmo lado: favorecendo candidatos de esquerda.

São como o Saci Pererê: só pulam com uma perna. Estão sempre inflando as expectativas dos candidatos esquerdistas, e sempre subestimando as chances dos candidatos mais à direita. Alguns casos foram bem grosseiros, como para o governo do Estado mais rico do país, que colocou Tarcísio Freitas, o ex-ministro de Bolsonaro, como o primeiro colocado com larga margem, ou então para o Senado por São Paulo, com o Datafolha colocando Márcio França como líder com 45% de intenção de voto, ou ainda a disputa para o Senado pelo Paraná, que dava Álvaro Dias como favorito, enquanto ele acabou ficando em terceiro.

Tais “pesquisas” acabam influenciando muitos eleitores, e aí reside o maior problema. Alguns liberais mais ingênuos repetem que o próprio mercado cuida disso, pois empresas que só erram acabam perdendo a credibilidade. Ocorre que nas “lojinhas de porcentagem”, como brilhantemente chamou Augusto Nunes, o que se vende muitas vezes não é um serviço de previsão acurada, mas sim de resultados falsos para justamente influenciar o pleito. E isso é criminoso!

Siga o dinheiro, diria um típico detetive americano. Banqueiros petistas e emissoras de oposição bancam essas pesquisas, e as mesmas empresas de sempre disputam esse “mercado”. Em seguida, a própria imprensa coloca essas “pesquisas” como pauta de debate, e todos os comentaristas, até aqueles como eu, que nunca levaram a sério tais resultados, são obrigados a “analisar” os dados como se fossem reais e científicos. Isso é enganação pura!

Não por acaso alguns políticos começam a falar em criar uma CPI para investigar esses “institutos” de pesquisa, o que seria muito saudável para nossa democracia. Aproveitando a onda bolsonarista que elegeu inúmeros deputados e senadores alinhados ao governo, essa seria uma pauta bastante relevante no começo da própria legislatura. Algo precisa ser feito. Não podemos mais continuar brincando de pesquisas com essa imprensa vendida que tem lado.

O deputado federal Ricardo Barros (PP-PR), que foi reeleito neste domingo, 2, disse que vai apresentar um projeto de lei na Câmara dos Deputados para punir os institutos de pesquisas que divulgarem levantamentos cujos resultados não confiram com o que for computado nas urnas além da margem de erro.

Banqueiros petistas e emissoras de oposição bancam essas pesquisas, e as mesmas empresas de sempre disputam esse “mercado”

“Eu vou apresentar um projeto de lei já amanhã [hoje], tornando crime pesquisas que, publicadas, não confiram com a urna além da margem de erro. Se diz que é uma técnica, é uma fotografia, então, a fotografia tem de ser verdadeira. Não tem cabimento uma pesquisa influenciando o eleitor, porque, infelizmente, no Brasil, tem eleitor que não quer perder o voto”, disse o deputado, em entrevista para o UOL.  Barros é o líder do governo federal na Câmara dos Deputados.

“Não podemos permitir que haja manipulações de resultados em pesquisas eleitorais. Isso fere a democracia. Nada justifica resultados tão divergentes dos institutos de pesquisas. Alguém está errando ou prestando um desserviço. Urge estabelecer medidas legais que punam os institutos que erram demasiado ou intencionalmente para prejudicar qualquer candidatura”, publicou o presidente da Câmara, Arthur Lira, em suas redes sociais, antes mesmo dos resultados tão discrepantes.

Em seu editorial, a Gazeta do Povo constatou que os “erros em série” mostram que há algo de muito grave nesses “institutos”: “Jogar a culpa dos erros de 2018 nas costas de uma suposta volubilidade do eleitor foi apenas uma maneira de empurrar o problema para a frente, e ele volta a explodir bem diante dos institutos, que precisam admitir que o produto que entregam não está correspondendo ao que se promete”. A questão é o que e a quem tais empresas lucrativas prometem. Pois para o consumidor geral, o eleitor no caso, sem dúvida o serviço seria considerado um lixo absoluto. Mas e se quem contrata tais “pesquisas” tinha exatamente a distorção da realidade como promessa? Aí não estamos mais falando em erros de metodologia ou amostragem, e sim em crime, estelionato eleitoral.

Até a imprensa internacional chamou a atenção para esse fato. O jornal norte-americano esquerdista New York Times e os argentinos La Nacion e Clarín apontaram os erros das pesquisas eleitorais em relação à votação, que levou Lula e Bolsonaro ao segundo turno. O jornal norte-americano chegou a afirmar que “ficou claro que ele estava certo”, referindo-se às críticas que o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, fez aos institutos. Os analistas subestimaram “a força de candidatos conservadores em todo o país”, disse o NYT.

Eu confesso que comentava de má vontade e cheio de ressalvas as “pesquisas” nos programas de que participo, pois eram pauta obrigatória imposta pela direção. A partir de hoje, eu simplesmente me recuso a comentá-las. Não são caso de análise política, e sim de polícia! Que venha uma investigação profunda sobre bancos, veículos de comunicação e “institutos” de pesquisa, pois não resta a menor dúvida de que esse conluio vem prejudicando nossa democracia.

Leia também “O mito de Sísifo”

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13 comentários Ver comentários

  1. Parabens, Constatino! Artigo quase perfeito com exceção de dois pequenos erros:

    1) as pesquisas colocavam o Tarcísio em segundo lugar, disputando voto a voto com Rodrigo Garcia;

    2) quem cunhou a expressão “lojinha de porcentagem” foi o Guilherme Fiuza, não o Augusto Nunes.

  2. Porque as informações durante a apuração são apresentadas em percentuais? Se a contagem é por número de votos??
    Porque assim fica mais difícil notar as manipulações durante a apuração!!!! Outra coisa importante! Como o Pontes pode ter recebido quase um milhão de votos a mais que o Tarcíso?? Será que alguém votou no Pontes e no Haddad?????

  3. Essas empresas de supostas pesquisas, na realidade, são arapucas para pegar eleitores. O mercado não vai cuidar delas, elas tem um mercado cativo. Pilantra protege pilantra.

  4. Os indícios de que algo cheira mal nesse processo está mais que evidente, porém fico com a posição da Ana Paulo de que aceitar que há fraude e simplesmente desistir e por exemplo, nem ir votar no 2 turno porque há fraude, vai dar ainda mais força para essa turma. A luta continua e tem por aí 30 milhões de isentões que precisam ser alertados sobre o perigo do socialismo. A luta continua minha gente, afinal todo mundo conhece alguém que deixou de votar por que não gosta do que o Bolsonora fala. Vamos a luta!

  5. SIGAM A LOGICA:
    1- NEGAM O VOTO AUDITAVEL
    2- MENTEM DESCARADAMENTE NAS PESQUISAS
    3- APRESENTAM UM RESULTADO PIOR QUE A CRENÇA EM PAPAI NOEL

    4- FINALMENTE O ELEITO É O LADRÃO QUE NÃO PODE ENFRENTAR AS RUAS

  6. Eu já achava um absurdo que os melhores programas da Jovem Pan, 3 em 1 e Pingo nos Ís dispensassem tanto tempo para as pesquisas. Teria sido muito mais importante falar dos programas de governo e as realizações do governo comparadas com o governo da oposição. Sobre as pesquisas o importante é questionar o STF se essas pesquisas são consideradas FAKEs de estimação.

  7. O descondenado está se achando depois dos resultados do 1º turno e do apoio dos comparsas banqueiros, mas vai tomar cacete no segundo turno e vai chorar até morrer de raiva, pois se apresenta mais raivoso do que um cão doido, prometendo vingança pra todo lado. Imagina só se este sujeito for derrotado no segundo turno; com certeza vai enfartar. e deixar Janza viúva e milionária.

  8. QUEM VOTOU NO LULA LADRÃO?
    ONDE ESTAVA ESSE ELEITOR?
    ORA, ORA, SENHORES, ESSE RESULTADO É INACEITÁVEL E NÃO TEM LÓGICA ALGUMA.
    QUEM VOTOU NO LULA LADRÃO?
    DE ONDE SAIU ESSE ELEITOR QUE DEU O VOTO AO LULADRÃO, SENÃO DE UMA URNA ELETRÔNICA?
    COMO ALGUÉM PODE ACEITAR OU JUSTIFICAR UMA VANTAGEM DE VOTOS DO LULADRÃO SOBRE O PRESIDENTE BOLSONARO, SE ERA O PRESIDENTE BOLSONARO QUEM MOBILIZAVA E MOBILIZA MULTIDÕES?

    ORA, ORA, SENHORES, TUDO FOI MUITO BEM ARQUITETADO, PLANEJADO, PARA QUE OS BRASILEIROS SE CONFORMEM DIANTE DESSE ABSURDO QUE É VER UM LADRÃO, QUE NÃO MOBILIZA NINGUÉM EXCETO O PARTIDO DOS TRABALHADORES (SIGLA DE ORGANIZAÇAO CRIMINOSA), TER VANTAGEM DE VOTOS, SEM QUE ESSA VANTAGEM SE EXPLIQUE NA REALIDADE.

    LAVAGEM CEREBRAL E CONSTRUÇÃO DA FARSA
    A FARSA FOI CONSTRUÍDA PARA ISSO. DESDE AS CARTINHAS PELA DEMOCRACIA,
    PASSANDO PELO DEPOIMENTO EXPLICITO DE ADESÃO DE QUEM SE ACHAVA IMPORTANTE;
    PASSANDO PELA FRAUDE DAS PESQUISAS ELEITORAIS EM ABSOLUTA DESCONFORMIDADE COM A REALIDADE;
    PASSANDO PELO MASSACRE DO PRESIDENTE BOLSONARO, PERPETRADO PELOS AGENTES DO STF E DO TSE, MEDIANTE DESENCADEAMENTO MACIÇO DE PROCESSOS E FALSOS ESCÂNDALOS CONTRA O PRESIDENTE BOLSONARO:
    PASSANDO PELA PROIBIÇÃO DE UTILIZAÇÃO DE IMAGEM DO POVO NAS RUAS, TUDO FOI CONSTRUÍDO PARA SE CHEGAR A ESSE RESULTADO.
    MAS TEM MAIS.

    SINAIS DA CORRUPÇÃO E DAS FRAUDES
    NINGUÉM ESTRANHA O NÚMERO DE URNAS ELETRÔNICAS COM DEFEITO E SUBSTITUÍDAS ÀS PRESSAS, SEM O ACOMPANHAMENTO E FISCALIZAÇÃO DA COMISSÃO DE TRANSPARÊNCIA, COMO SE FOSSEM VERDADEIROS CAVALOS DE TROIA?
    E OS ELEITORES QUE AO SE DIRIGIREM ÀS SEÇÕES ELEITORAIS PARA VOTAR, DESCOBRIRAM QUE ALGUÉM JÁ HAVIA VOTADO POR ELES?
    ISSO VAI FICAR ASSIM MESMO, COM LERO LERO E MIMIMI?

  9. Ele não só estava certo, sr. NYT, como ainda digo mais, a diferença era pra ter sido ao contrário e muito maior não fosse as articulações realizadas nessas urnas perfeitamente fraudáveis. Pegaram o NE e descarregaram lá o “voto do ódio”, transferindo voto de pessoas do bem para o bandido cachaceiro. Isso nao posso provar, talvez ninguém possa já que melindrosamente nossos iluministros blindaram toda e qualquer auditoria (até desconvocação das Forças Armadas teve). O BRASIL NÃO É PARA AMADORES.

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