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Israel e Egito buscam equilibrar relações em meio à tomada de Gaza

Tensão é a maior entre os dois países desde o acordo de paz de Camp David, em 1979

Benjamin Netanyahu (Israel) e Abdel Fattah al-Sissi (Egito)
Benjamin Netanyahu e Abdel Fattah al-Sissi apertaram as mãos há alguns anos | Foto: Reprodução/YouTube PMO

O Egito tem enviado recados aos Estados Unidos e a Israel de que uma ofensiva terrestre total em Gaza ultrapassaria todas as linhas vermelhas. Autoridades egípcias afirmam que a possibilidade de Israel ocupar completamente o enclave representaria não apenas uma ameaça direta à segurança nacional, mas também colocaria em risco o tratado de paz de Camp David, firmado em 1979. A tensão entre os dois países é a maior desde então.

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Em contatos diplomáticos reservados, conforme informa o Israel Hayom, o governo do presidente Abdel Fattah al-Sissi frisou que qualquer tentativa de impor um nova configuração em Gaza seria respondida com firmeza. A começar pelo campo diplomático e podendo se estender à revisão de acordos bilaterais.

A preocupação central do Cairo é de que uma invasão em larga escala provoque um deslocamento em massa de palestinos em direção à fronteira do Sinai, segundo o The New Arab. O cruzamento de Rafah, única ligação terrestre de Gaza com o Egito, se tornaria o principal destino de milhares de refugiados. Isso, na visão das autoridades egípcias, criaria um desafio humanitário e geopolítico sem precedentes.

Analistas alertam que o cenário poderia desestabilizar a demografia e comprometer compromissos regionais assumidos pelo Egito.

Esse temor foi reforçado por observadores que consideram impossível as Forças de Defesa de Israel “eliminarem o Hamas” sem consequências devastadoras para civis. O embaixador egípcio Masoum Marzouk classificou a conjuntura como “um incêndio prestes a atingir o barril de pólvora”, destacando que cada dia sem solução política fortalece “os planos agressivos do inimigo”.

Outro diplomata, Rakha Ahmed Hassan, ex-assistente do chanceler egípcio, lembrou que qualquer ocupação em Gaza, Cisjordânia, Líbano ou Síria, configura “uma agressão flagrante contra os direitos dos povos e uma violação inaceitável do direito internacional”.

Enquanto isso, a relação entre Jerusalém e Cairo vive uma contradição peculiar. Mesmo diante de críticas públicas de Benjamin Netanyahu, como a suspensão do avanço de um acordo de US$ 35 bilhões para fornecimento de gás israelense ao Egito, a leitura interna foi de fortalecimento de el-Sissi. Para a opinião pública egípcia, se o premiê israelense ataca o país, isso significa que a liderança em Cairo tem defendido prioritariamente os interesses nacionais.

Na prática, as forças armadas de ambos os países mantêm canais sólidos de coordenação. Principalmente na região do Sinai, principal tema do acordo de paz, onde os egípcios têm reforçado sua presença para conter o fluxo de palestinos e combater células ligadas ao Estado Islâmico.

Paz entre Israel e Egito resiste

Embora o arsenal egípcio tenha se modernizado, a dependência de Washington como fornecedor estratégico limita as margens de manobra, já que nenhuma transferência de armamento é feita sem consulta a Israel. Esse equilíbrio é vital para a manutenção da estabilidade regional.

Leia mais: “Netanyahu diz que Israel não desistirá até ‘vitória completa’ em Gaza”

Ao longo de 45 anos, a paz assinada superou momentos de tensão e continua a sustentar interesses estratégicos comuns: do combate ao terrorismo no deserto do Sinai à proteção de rotas marítimas no Mar Vermelho. Também há preocupação com a vigilância frente à influência iraniana. É nesse contexto que se insere o papel do Egito como mediador recorrente nas negociações entre Israel e Hamas, tanto antes quanto depois de 7 de outubro.

Apesar da chamada “paz fria” entre as sociedades, o aparato militar e de segurança de ambos os lados resiste. A lógica que prevalece é a de que, independentemente de quem esteja no poder em Jerusalém ou no Cairo, a engrenagem da cooperação precisa ser preservada para evitar que o conflito em Gaza se transforme numa crise regional.

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