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PF aponta ‘Careca do INSS’ como dono oculto de entidade suspeita de fraude

Investigação indica que a Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e da Aquicultura serviu como fachada para descontos indevidos

Antônio Camilo Antunes, conhecido com ‘Careca do INSS’ | Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
Antônio Camilo Antunes, conhecido com ‘Careca do INSS’ | Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

As investigações da Polícia Federal (PF) revelam que o empresário e lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, atuava como controlador oculto da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e da Aquicultura (CBPA), entidade suspeita de promover descontos irregulares em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Leia também: “O lobista invisível do INSS”, artigo de Cristyan Costa e Sarah Peres na Edição 294 da Revista Oeste

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Segundo informações do jornal Estadão, a confederação teria sido usada como instrumento para desviar recursos previdenciários, em um esquema que movimentou R$ 99 milhões a partir de descontos não autorizados em folhas de pagamento. As conclusões constam da quinta fase da Operação Sem Desconto.ta

A Oeste procurou a defesa do empresário para comentar a investigação. Até a publicação da reportagem, não obteve retorno. O espaço segue aberto para futuras manifestações.

Controle de fachada

Os investigadores apontam que, embora não figurasse formalmente na direção da CBPA, o “Careca do INSS” exercia domínio efetivo sobre as decisões da entidade, ao lado de Gabriel Negreiros e Tiago Schettini, apontados como sócios de fato do esquema.

“As evidências reunidas na investigação demonstram, de forma clara e consistente, que Gabriel Negreiros, Antônio Camilo e Tiago Schettini atuam como donos de fato da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA)”, afirmou a Polícia Federal em relatório oficial.

Leia também: “O caminho do dinheiro”, artigo de Sarah Peres publicado na Edição 293 da Revista Oeste

De acordo com a apuração, parte significativa dos valores arrecadados com os descontos ilegais foi repassada a empresas ligadas ao lobista, estratégia usada para pulverizar recursos e dificultar o rastreamento do dinheiro desviado dos aposentados.

A PF também destacou um crescimento acelerado e incompatível da CBPA a partir de 2023 — período que coincide com a ampliação dos descontos automáticos em benefícios previdenciários.

As defesas de Negreiros e Schettini não foram localizadas. Ambos tiveram mandados de prisão expedidos na fase mais recente da operação.

Operação Sem Desconto

A nova etapa da Operação Sem Desconto foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e resultou no cumprimento de 16 mandados de prisão preventiva e 52 de busca e apreensão em sete Estados: 

  • Distrito Federal;
  • São Paulo;
  • Paraíba;
  • Rio Grande do Norte;
  • Pernambuco;
  • Minas Gerais; e 
  • Maranhão.

Leia também: “A desordem estratégica do governo na CPMI do INSS” artigo de Sarah Peres publicado na Edição 293 da Revista Oeste

A investigação apura crimes como organização criminosa, estelionato previdenciário, inserção de dados falsos em sistemas públicos e dilapidação patrimonial, todos relacionados à atuação de associações que descontavam mensalidades sem autorização dos beneficiários do INSS.

O “Careca do INSS”

Figura recorrente nas apurações sobre as fraudes em aposentadorias, o “Careca do INSS” já havia sido citado ao longo do ano como operador central do esquema, atuando por meio de entidades de fachada e empresas interpostas. 

Convocado a prestar esclarecimentos, o lobista esteve na CPMI do INSS, onde evitou responder a parte das perguntas, amparado por estratégias jurídicas e pela fragmentação das operações financeiras.

Com o avanço das investigações e o cruzamento de dados bancários, a Polícia Federal passou a tratá-lo como eixo estruturante da organização criminosa, responsável por conectar associações, operadores financeiros e beneficiários diretos dos desvios. 

A nova fase da Operação Sem Desconto marca a virada do caso: o empresário deixou a condição de suspeito periférico e passou a ser formalmente apontado como líder oculto do esquema, culminando na decretação de sua prisão e de outros investigados.

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