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Dois momentos decisivos na hora de voar de avião; confira

Embora atravessar o Oceano Atlântico possa causar preocupação e medo, este não é o momento mais arriscado

Na aviação comercial, executiva ou geral, os maiores riscos estão na hora do pouso e da decolagem em função de variantes que vão além dos controles tecnológicos | Foto: Reprodução/Twitter/X
Na aviação comercial, executiva ou geral, os maiores riscos estão na hora do pouso e da decolagem em função de variantes que vão além dos controles tecnológicos | Foto: Reprodução/Twitter/X

Apesar de parecer assustador atravessar o céu a mais de 12 mil metros de altitude, voar em aviões comerciais continua sendo uma das formas mais seguras de transporte. Contudo, a segurança da aviação voltou ao centro das discussões públicas depois de uma sequência de incidentes graves ocorridos recentemente. No Brasil, principalmente, diversos episódios ganharam destaque em 2024 e no início de 2025.

No mundo todo, eventos, alguns com casos de morte, geram apreensão entre passageiros e intensificam sobretudo os questionamentos sobre os riscos dos voos comerciais. Especialistas, porém, são unânimes em afirmar: as fases mais críticas de um voo são a decolagem e o pouso. São nesses momentos em que se concentra a maioria dos acidentes.

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Pouso é o grande desafio na hora de voar

Segundo dados da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), dos 1.468 acidentes que aconteceram em 2024, 770 foram durante o pouso e 124 nas operações de decolagem. A complexidade dessas fases, que exigem a precisão de pilotos e controladores de tráfego, é a principal explicação para esses números.

A analista de transporte da CNN Internacional, Mary Schiavo, destaca que o pouso representa um risco ainda maior que a decolagem. “Durante o pouso, há menos margem de manobra. Se algo dá errado, as opções de resposta são limitadas”. Conforme a especialista, os aeroportos impõem pressão adicional sobre pilotos e aeronaves, tornando, assim, o momento especialmente delicado para evitar colisões e outros incidentes.

Episódios marcantes em 2024; acompanhe

  • 29 de janeiro: um jato da American Airlines foi atingido por um helicóptero Black Hawk em missão de treinamento enquanto se aproximava para pousar no Aeroporto Nacional Ronald Reagan, nos EUA.
  • Poucos dias depois, um voo da United Airlines, com destino a Nova York, precisou ser evacuado antes da decolagem em Houston devido a um incêndio no motor.
  • Em março, um jato Learjet 35A, de propriedade do vocalista Vince Neil (Mötley Crüe), colidiu com outra aeronave ao sair da pista durante o pouso no Aeroporto Municipal de Scottsdale, resultando na morte do piloto.
  • Recentemente, o voo 3278 da Southwest Airlines quase decolou da pista errada em Orlando, sendo interrompido a tempo por um controlador de tráfego.

Esses episódios levaram o Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB) e a Administração Federal de Aviação (FAA) a abrirem investigações. O aumento nos relatos de falhas também impactou a confiança do público e gerou consequências financeiras para as companhias aéreas.

Durante uma audiência pública em 26 de março, a deputada Bonnie Watson Coleman, de Nova Jersey, declarou: “Muitos de nós, que sempre ouvimos que voar é a forma mais segura de viajar, estamos assustados neste momento.”

Medidas para reduzir os riscos

Para reduzir os riscos nas fases críticas do voo, as autoridades impõem procedimentos muito claros e específicos. Desde 1981, a FAA adota a regra do “cockpit estéril”, que proíbe conversas desnecessárias abaixo de 3 mil metros de altitude. Essa medida visa a garantir atenção total dos pilotos durante decolagens e pousos.

Segundo Dennis Tajer, porta-voz da Associação de Pilotos da American Airlines, “nesses momentos, qualquer distração pode comprometer a segurança. A aceleração, o alinhamento com a pista e o funcionamento dos sistemas devem estar perfeitamente sincronizados”.

Pilotos seguem checklists detalhados e contam com sistemas de redundância para reduzir falhas humanas e técnicas. Ainda assim, casos como o quase acidente em Orlando mostram a importância de vigilância constante e comunicação eficaz entre os diferentes agentes da aviação.

Para o presidente da Associação de Pilotos de Linha Aérea, Jason Ambrosi, a segurança na aviação depende de um esforço conjunto. “É uma responsabilidade compartilhada, que envolve todos os setores, da aviação comercial à executiva e geral”.

Apesar das preocupações recentes, especialistas continuam confiantes na vigilância e na capacidade de adaptação da indústria aérea, destacando que cada incidente serve como base para avanços cada vez mais eficientes nos protocolos de segurança.

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