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Vídeo: entenda como funciona o sistema antigelo do ATR-72

Especialistas sugerem que congelamento das asas pode ter contribuído para a queda da aeronave da Voepass

Sistema antigelo do ATR-72, modelo do avião que caiu em Vinhedo
Sistema antigelo do ATR-72, modelo do avião que caiu em Vinhedo | Foto: Reprodução/Twitter/X

As investigações sobre a queda do avião da Voepass ainda estão no início. A aeronave de modelo ATR-72 caiu na sexta-feira 9, na cidade de Vinhedo (SP). As autoridades que apuram o acidente ainda não conseguem detalhar precisamente o que causou o desastre aéreo, que matou 62 pessoas.

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Nenhuma hipótese pode ser descartada. No entanto, alguns especialistas destacam que imagens de testemunhas e condições climáticas locais demonstram que o congelamento das asas pode ter contribuído para o acidente. Pilotos que sobrevoaram a mesma rota confirmaram a presença de gelo.

Aviões comerciais, como o ATR-72, possuem sistemas antigelo. Eles inflam e quebram placas de água no estado sólido, acumulada nas asas. Contudo, dependendo do modelo e das condições climáticas, esses sistemas podem ser insuficientes.

Devido às características das asas do ATR-72 e à altitude mais baixa em que voa, ele está mais suscetível a formações de gelo. O manual do fabricante alerta que, em situações de gelo severo, o sistema de proteção pode falhar, e classifica essas condições como “de emergência”.

Manual de segurança e procedimentos

O avião da Voepass, prefixo PS-VPB, decolou de Cascavel (PR), com destino ao Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, mas caiu em Vinhedo (SP), depois de uma hora e meia de voo | Foto: Reprodução/Twitter/X
O avião da Voepass, prefixo PS-VPB, decolou de Cascavel (PR), com destino ao Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, mas caiu em Vinhedo (SP), depois de 1h30 de voo | Foto: Reprodução/Twitter/X

Segundo o manual, o gelo severo pode fazer o avião perder sustentação e girar, e a tripulação deve sair dessa condição imediatamente. Sinais sonoros e luminosos alertam a tripulação quando o desempenho do voo é afetado pelo gelo.

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Em nota, a Voepass afirmou que a aeronave estava com “todos os sistemas aptos” para voar.

“A aeronave PS-VPB, ATR-72, do voo 2283, decolou de CAC sem nenhuma restrição operacional”, informou a companhia, em nota. “Ela estava com todos os seus sistemas aptos para a realização do voo.”

Explicações de especialistas

O professor da Universidade de São Paulo (USP) James Waterhouse, do departamento de engenharia aeronáutica, explicou de que forma o gelo pode afetar o funcionamento do sistema.

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“O que acontece é que existem duas formas de gelo”, começa a explicar o professor, em entrevista à TV Globo. “Uma das formas, a gotícula de água, está super resfriada e, quando ela bate no bordo de ataque, ela imediatamente congela. E outras gotas que estão à frente vão fazendo a mesma coisa. Então a formação de gelo é muito rápida e cria-se uma crosta de gelo, uma camada que acaba com o fluxo aerodinâmico da asa.”

Condições climáticas e o acidente

Agentes do Cenipa analisam destroços de avião em Vinhedo
Agentes do Cenipa analisam destroços de avião em Vinhedo | Foto: Divulgação/FAB

O avião da Voepass sobrevoava Vinhedo a uma altitude de 5,1 mil metros, onde havia relatos de gelo severo. Meteorologistas estimaram uma chance de 35% de haver gelo na região. O acidente resultou na morte de 58 passageiros e quatro tripulantes.

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), da Aeronáutica, iniciou uma investigação e deve divulgar um relatório preliminar em 30 dias. No domingo 11, o órgão informou que conseguiu extrair o conteúdo das duas caixas-pretas.

Leia também: “A verdade sobreviveu”, artigo de Augusto Nunes publicado na Edição 228 da Revista Oeste

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