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Agronegócio

Agro paulista acusa União Europeia de protecionismo contra produtos brasileiros

Faesp vê tratamento desigual ao Brasil, defende a sanidade do rebanho nacional e pede resposta conjunta do Mercosul

A federação afirma que as novas barreiras não possuem fundamentação técnica suficiente e funcionam, na prática, como mecanismos de proteção ao mercado europeu | Foto: Divulgação/Oeste | Imagem criada com o auxílio de inteligência artificial
A federação afirma que as novas barreiras não possuem fundamentação técnica suficiente e funcionam, na prática, como mecanismos de proteção ao mercado europeu | Foto: Divulgação/Oeste | Imagem criada com o auxílio de inteligência artificial

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) criticou a decisão da União Europeia (UE) de impor novas restrições à importação de carnes, mel e outros produtos de origem animal provenientes do Brasil. Em nota divulgada neste sábado, 6, a entidade classificou a medida como discriminatória e cobrou uma resposta mais firme do governo federal e dos países do Mercosul.

O posicionamento ocorre em meio às discussões sobre novas exigências sanitárias adotadas pelo bloco europeu para produtos agropecuários importados. Conforme a Faesp, as restrições representam uma mudança unilateral nas condições negociadas ao longo de décadas entre a UE e o Mercosul.

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“É um profundo desrespeito que, após 25 longos anos de negociações entre a União Europeia e o Mercosul, com tudo acertado e alinhado entre as partes, o bloco europeu decida mudar as regras do jogo de forma casuística”, afirmou a entidade.

A federação afirma que as novas barreiras não possuem fundamentação técnica suficiente e funcionam, na prática, como mecanismos de proteção ao mercado europeu. Na avaliação da organização, países concorrentes do Brasil, como Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia, utilizam produtos semelhantes na produção pecuária sem enfrentar restrições equivalentes por parte da União Europeia.

O Escritório de Comércio dos EUA disponibilizou um período para consultas públicas sobre as medidas, permitindo envio de comentários até 6 de julho de 2026 | Foto: Reprodução/Freepik
A carne brasileira está na mira dos europeus | Foto: Reprodução/Freepik

Defesa da sanidade animal

A nota também faz uma defesa do sistema sanitário brasileiro. A entidade sustenta que o país mantém padrões reconhecidos internacionalmente e destaca o histórico da pecuária nacional.

“A sanidade animal do rebanho brasileiro é totalmente sem mácula, sendo referência global e nunca tendo registrado um único caso de vaca louca”, ressaltou a federação.

O Brasil figura entre os maiores exportadores mundiais de carne bovina, carne de frango e outros produtos agropecuários. O mercado europeu, embora não seja o principal destino das exportações brasileiras em volume, possui relevância estratégica por causa do valor agregado dos produtos e da influência regulatória exercida pelo bloco sobre o comércio internacional.

Faesp cobra o governo Lula

A Faesp defendeu uma atuação mais contundente da diplomacia brasileira diante das medidas anunciadas pela União Europeia. Como mostrou Oeste, a decisão da UE ameaça quase US$ 2 bilhões em exportações brasileiras de carnes.

De acordo com a entidade, o governo federal deve ampliar os esforços para contestar eventuais restrições consideradas injustificadas e garantir segurança jurídica aos exportadores brasileiros. “O Brasil não pode aceitar passivamente ser alvo de retaliações geopolíticas infundadas”, afirmou a federação.

A organização argumenta também que a defesa dos interesses comerciais brasileiros exige coordenação regional. Para tanto, pediu uma atuação conjunta dos países do Mercosul diante das decisões europeias.

A Faesp cobrou reação do governo Lula | Foto: Revista Oeste/Shutterstock/Agência Brasil

Apelo ao Mercosul

No documento, a Faesp cita especificamente a Argentina e o Uruguai como parceiros importantes para uma reação coordenada do bloco sul-americano.

A entidade avalia que negociações internacionais dessa natureza tendem a ocorrer com maior peso político quando conduzidas por blocos econômicos e não por países isoladamente. “Não permitiremos que nos dividam para nos enfraquecer; o bloco precisa responder à altura dessa afronta”, afirmou a federação.

A discussão ocorre em um momento de sensibilidade nas relações comerciais entre UE e Mercosul. Depois de mais de duas décadas de negociações, o acordo comercial entre os blocos continua enfrentando resistências em diferentes países europeus, sobretudo em temas relacionados à agricultura, meio ambiente e regras sanitárias.

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