‘Alimentamos 800 milhões de pessoas usando menos de 30% do território’

Em entrevista à Revista Oeste, Celso Moretti, presidente da Embrapa, afirma que o Brasil precisa explicar ao mundo que é possível produzir sem desmatar
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Foto: Divulgação/Agência Brasil
Foto: Divulgação/Agência Brasil

Celso Moretti é presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) desde julho de 2019. Engenheiro-agrônomo com mestrado e doutorado em produção vegetal, ele trava uma batalha diária para mostrar ao mundo que o Brasil consegue aliar produção agropecuária e preservação ambiental.

Celso Moretti é presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) desde 2019 | Foto: Jorge Duarte/ EMBRAPA

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Confira um trecho da entrevista:

“O Brasil realmente consegue conciliar produção com preservação do meio ambiente?

Segundo dados tanto da Nasa quanto da Embrapa, o Brasil utiliza menos de 8% do seu território para a produção de grãos e outros cerca de 20% são pastagens, sejam nativas sejam plantadas. Somado tudo, usamos algo em torno de 30% do território para alimentar 800 milhões de pessoas por ano no mundo. Ao mesmo tempo, protegemos dois terços do país: mais de 65%. E essas não são só informações nossas. Recentemente, o Mapbiomas, que tem a Google por trás, confirmou esse número. Classifico quem critica o Brasil em três grandes grupos. Os desinformados, que simplesmente não têm acesso à informação; os bobos úteis, que recebem a informação errada e a multiplicam; e existem também os que participam de um jogo comercial pesado. Por exemplo: há três anos, a rede de supermercados Tesco, uma das maiores da Europa, interrompeu a compra de carne brasileira, sob o argumento de que ela, além de não ser rastreada, era produto do desmatamento. Ao almoçar com um diretor deles, mostrei que conseguíamos rastrear do rebanho ao bife que está na gôndola do supermercado. Mas não adianta. É uma propagação de mentiras. Nós perdemos a batalha da narrativa. Não fomos capazes de deixar claro que podemos produzir sem desmatar.

Como fomos capazes de perder essa batalha?

Faltou organização do agronegócio. E eu me incluo nisso. Em vez de reagir, de ter uma postura proativa, ainda estamos no corner, tomando direto no fígado, no queixo. Só nos defendendo. Poderíamos estar no meio do ringue distribuindo pancada. Nós alimentamos 800 milhões de pessoas usando menos de 30% do território. Enquanto o mundo está falando em descarbonizar, a agricultura brasileira já é descarbonizada há mais de duas décadas. Faltou as diferentes empresas se juntarem para fazer um branding Brasil.”

Os assinantes da Revista Oeste podem ler a entrevista completa aqui.

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