Há poucos meses da 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 26), a ser realizada em novembro, em Glasgow, na Escócia, a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado promoveu um debate com o tema “Agronegócio sustentável: a imagem real do Brasil”. No encontro, encerrado nesta terça-feira, 24, o pesquisador chefe-geral da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), unidade Territorial, e colunista de Oeste, Evaristo de Miranda, destacou que a “área protegida hoje, que você não pode entrar, não pode instalar uma usina de cana-de-açúcar, etc., corresponde a 15 países da União Europeia”.
“O campeão da proteção florestal”, artigo publicado na Edição 74 da Revista Oeste
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Ele também ressaltou que “outros países preservam em média 11% de seu território, enquanto o Brasil protege 30%, ou seja, três vezes mais”. O gráfico abaixo foi usado para ilustrar o argumento de Miranda.

O pesquisador também lembrou que não é fácil cuidar de um território como o brasileiro, mas pelo trabalho desenvolvido internamente “é algo profundamente injusto, é um mito, uma mentira”, massacrar o país dizendo que não protege seu território.
Pesquisas agropecuárias
O ciclo de palestras também contou com a participação de Celso Moretti, presidente nacional da Embrapa. Ele destacou a evolução da produção agropecuária brasileira nas últimas cinco décadas, com o país deixando o quadro de insegurança alimentar — quando as pessoas não têm acesso regular à alimentação — e o papel de importador para tornar-se um dos principais exportadores de alimentos do mundo. “Nós transformamos os solos ácidos e pobres, principalmente dos cerrados, em terra fértil”, lembrou.
“Agricultura lidera a preservação ambiental”, artigo publicado na Edição 63 da Revista Oeste
Essa evolução foi acompanhada de pesquisas sobre os Sistemas Integrados de Lavoura-Pecuária-Floresta, que “hoje são uma grande solução não só para melhorar a renda do produtor, mas também possibilitar o sequestro de carbono [processo de retirada de gás carbônico da atmosfera]”.
Posição do governo
O ministro das Relações Exteriores, Carlos Alberto França, participou dos debates na segunda-feira 23 e disse que a imprensa e a opinião pública colocam uma “responsabilização desproporcional” na agropecuária mundial e acusam o setor de ser o principal emissor de gases do efeito estufa.
“O sequestro da bandeira ambiental”, artigo publicado na Edição 63 da Revista Oeste
O chanceler lembrou que, em muitos casos, questionamentos sobre a responsabilidade da pecuária, por exemplo, tomam por base artigos de opinião ou estudos realizados em regiões específicas, e não registram contextos ecológicos locais na sustentabilidade da produção. “O Itamaraty segue empenhado para embasar o atendimento dos interesses nacionais, para que nossos esforços sejam reconhecidos”, declarou.


































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