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Agronegócio

Embrapa retoma presença na África e busca ampliar cooperação agrícola internacional

A reabertura de um escritório na Etiópia marca o retorno da companhia ao continente, depois de 10 anos ausente

Embrapa
Em 1970 foi criada a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) | Foto: Reprodução

A reabertura de um escritório da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em Adis Abeba, na Etiópia, nesta sexta-feira, 6, marca o retorno da companhia à África depois de dez anos ausente do continente. Esse movimento integra a estratégia internacional da instituição de expandir sua atuação por meio de representações, acordos e troca de conhecimento técnico.

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No passado recente, restrições financeiras e mudanças na legislação das estatais limitaram as atividades externas da Embrapa. Agora, pesquisadores retomam presença nos Laboratórios Virtuais da Embrapa no Exterior (Labex) na França e nos Estados Unidos, além de fortalecer parcerias com entidades internacionais do setor agropecuário.

Embrapa: interesse global e compartilhamento de tecnologia

Silvia Maria Fonseca Silveira Massruhá, a presidente da Embrapa | Foto: Reprodução/Embrapa

Reconhecida pelo avanço no desenvolvimento da agricultura e pecuária tropical, a Embrapa, que mantém 43 centros de pesquisa, desperta interesse global. Países africanos, americanos, asiáticos, do Oriente Médio e Leste Europeu buscam apoio para impulsionar sua produção agropecuária, atraídos pela expertise brasileira.

Questionada sobre o risco de entregar conhecimento estratégico a possíveis concorrentes, a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, esclareceu, ao jornal Folha de S.Paulo, que “além do conhecimento, que não será de graça, o Brasil tem a oportunidade de levar insumos, máquinas e produtos relacionados à agricultura tropical, na qual é líder mundial”, afirmou.

Leia também: “O agro é cada vez mais biológico”, artigo de Evaristo de Miranda publicado na Edição 308 da Revista Oeste

Segundo ela, muitos países africanos enfrentam desafios estruturais mais complexos. Silvia ainda ressaltou que, enquanto o Brasil já avançou no setor agropecuário, é essencial continuar investindo em pesquisa para manter o protagonismo global. “Se não continuar investindo em pesquisas, vai perder esse protagonismo em uma ou duas décadas”, disse.

O compartilhamento de dados e tecnologias, alguns já públicos, permite ao Brasil captar recursos por meio de licenciamento. Também é possível ampliar mercados para insumos, máquinas e equipamentos, de modo a beneficiar indústrias nacionais e produtores que atuam internacionalmente.

Expansão internacional e foco africano

Silvia Massruhá argumentou que o Brasil pode ser exportador não só de commodities, mas também de tecnologia, para afastar a ideia de geração de competidores diretos. No caso africano, a busca principal é por segurança alimentar, enquanto o Brasil procura ampliar sua presença no mercado mundial de alimentos.

A escolha da Etiópia se deu por abrigar a sede da União Africana. A partir desse escritório, a Embrapa pretende capacitar técnicos africanos em áreas como manejo de solo, bioinsumos, pecuária, agricultura digital e inteligência artificial, ampliando a cooperação regional.

Os recursos para essas iniciativas podem vir tanto do licenciamento de tecnologias quanto de parcerias com organismos internacionais, como o Banco Mundial, e fundações voltadas ao desenvolvimento agrícola, a exemplo da Fundação Gates.

Na África, projetos específicos já avançam em Angola, em parceria com o Instituto de Investigação Agronômica local. Em Moçambique, cursos on-line da Embrapa serão oferecidos em português, para facilitar a formação agrícola. Com Marrocos e Egito, o foco está na cooperação científica, abrangendo fertilizantes, bioinsumos e algodão.

O Egito, que possui cultivares de algodão de fibras distintas, busca intercâmbio com o Brasil, em uma relação que antes era mais frequente com Estados Unidos e Europa do que com países africanos. A cooperação amplia o alcance científico brasileiro no continente.

Parcerias além da África

Na Ásia, a Embrapa mantém acordos com o Japão em recuperação de pastagens e manejo de água no cerrado, além de agricultura de precisão. Com a China, as parcerias abrangem biotecnologia, edição gênica, sustentabilidade, sequestro de carbono e métricas ambientais compartilhadas.

A empresa também retoma cooperação com a Rural Development Administration da Coreia do Sul e, com a Índia, assina acordo voltado ao melhoramento genético do gado de leite. Singapura, Indonésia e Cazaquistão enviaram delegações ao Brasil para avaliar possibilidades de parceria.

No Oriente Médio, os Emirados Árabes Unidos convidaram o Brasil a integrar um hub de inteligência artificial para agricultura. A Arábia Saudita mostrou interesse em tecnologias para o semiárido, mas as negociações seguem iniciais.

Países da América Central e Caribe também demonstram interesse em tecnologia agrícola brasileira. A República Dominicana está traduzindo cursos da Embrapa para o espanhol, e o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura propõe instalar um hub tecnológico em sua sede, na Costa Rica.

Leia mais: “O que o Agro tem a ver com a música?”, artigo de Antonio Cabrera publicado na Edição 306 da Revista Oeste

Silvia Massruhá destacou que o sucesso dessas iniciativas depende do compromisso dos países parceiros na implementação contínua do conhecimento. Segundo ela, “esses países têm de se basear em três pilares básicos: ciência e tecnologia, capacitação e políticas públicas associadas”, explicou, conforme a Folha.

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