Quando o Rio Taboco transborda, a água avança por quilômetros e cobre parte da fazenda de Gabriel Alves Ribeiro, em Aquidauana (MS). A sede da propriedade, contudo, permanece protegida. O motivo está em uma decisão tomada por seu tataravô há quase dois séculos, depois de observar durante anos o comportamento das cheias e do próprio gado.
A fazenda Taboco existe desde 1827 e segue sob o comando da mesma família. Hoje, Gabriel representa a quinta geração de pecuaristas, enquanto os filhos já se preparam para dar continuidade ao trabalho.
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Histórias como essa ajudam a explicar uma característica marcante da pecuária pantaneira: o conhecimento acumulado ao longo de gerações. Entre as práticas mais discutidas está a queima controlada da vegetação seca, técnica utilizada para reduzir o material inflamável antes do período de estiagem.
O Pantanal é exemplo de preservação
Pesquisadores e produtores rurais afirmam que esse manejo tradicional ajuda a proteger o bioma. Segundo os especialistas, as restrições impostas ao uso do fogo controlado contribuíram para o acúmulo de vegetação seca e dificultaram a prevenção de grandes incêndios.
Os números reforçam o debate. Em 2020, o Pantanal registrou cerca de 22 mil focos de calor, praticamente o mesmo total dos quatro anos anteriores somados. Depois de uma redução, os registros voltaram a crescer e chegaram a 14 mil focos em 2025, o segundo pior resultado da série histórica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.
Na Edição 330 da Revista Oeste, produtores, pesquisadores da Embrapa e especialistas explicam por que a convivência entre pecuária e conservação faz parte da história do Pantanal, mostram como o manejo tradicional funciona na prática e discutem os efeitos da burocracia sobre o combate aos incêndios. Assine já.
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