A conta do ‘fique em casa’

De acordo com levantamento, a crise iniciada em 2016 e as consequências da pandemia agravaram a fome no Brasil

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Os dados foram coletados durante a pandemia em mais de 12 mil residências brasileiras
Os dados foram coletados durante a pandemia em mais de 12 mil residências brasileiras | Foto: Sara Gehren/Divulgação

O ‘fique em casa’, em decorrência da pandemia de covid-19, agravou a fome no Brasil e aumentou em 50% o número de brasileiros que não têm o que comer. Atualmente, são pouco mais de 33 milhões de pessoas em insegurança alimentar grave. (Em 2020, eram 14 milhões de brasileiros.)

Seis em cada dez domicílios não conseguem manter acesso pleno à alimentação e possuem alguma preocupação com a escassez de alimentos no futuro, sendo as regiões Norte e Nordeste as mais impactadas.

Os números foram revelados nesta quarta-feira, 8, pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional.

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De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os indicadores da insegurança alimentar vinham piorando no país havia pelo menos nove anos, mas a pandemia deixou a situação ainda mais dramática.

60% vivem com insegurança alimentar

O estudo revelou que quase 60% da população brasileira convive com algum tipo de insegurança alimentar em grau leve, moderado ou grave (de fome total).

Em números absolutos, são 125 milhões de brasileiros nessas condições, aumento de 7% em relação a 2020, no início da pandemia de covid-19.

“As evidências revelam um preocupante agravamento insegurança alimentar em um contingente expressivo da população brasileira, iniciado pela crise econômica e pela  desestruturação de políticas públicas nacionais, desde 2016, e acentuado pela pandemia de covid-19”, avaliaram os pesquisadores.

País voltou à década de 1990

Segundo o estudo, o país regrediu para um patamar equivalente ao da década de 1990.

Os dados da pesquisa foram coletados entre novembro de 2021 e abril de 2022, com entrevistas em mais de 12 mil residências brasileiras, em áreas urbanas e rurais de 577 municípios brasileiros.

Norte e Nordeste são as regiões mais impactadas

De acordo com o estudo, Norte e Nordeste do país são as regiões mais impactadas. Nesses locais, os índices de insegurança alimentar chegam a 70%.

A fome fez parte do dia a dia de 25% das famílias na região Norte e de 21% no Nordeste. A média é de aproximadamente 15% no Sudeste e 10% no Sul.

A fome no campo

O mesmo agravamento é percebido quando se comparam o campo e a cidade. Nas áreas rurais, a insegurança alimentar, em todos os níveis, esteve presente em mais de 60% dos domicílios. Até quem produz alimento está pagando um preço alto: a fome atingiu 21% dos lares de agricultores familiares e pequenos produtores.

“Tendo como referência o contexto da crise sanitária que assolou o país a partir do início de 2020, a situação foi agravada pelas dificuldades de recomposição das rendas do trabalho em emprego formal ou informal, de retomada de negócios e de atividades produtivas, em particular no meio rural”, apontou o documento.

Leia também: “O lockdown da elite”, texto de J.R. Guzzo publicado na edição 56 da Revista Oeste

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8 comentários Ver comentários

  1. Está me parecendo que este estudo citado na matéria foi um estudo esquerdóide, a revista oeste não deveria usar estudos esquerdóides, nem sequer para falar mas dos governadores anti-Bolsonaro inclusive porque indiretamente acaba falando mal do Bolsonaro também, é a típica visão de que o Brasil é uma Biafra ou Somalia, uma palhaçada, na verdade os estudos sérios são os sobre sub-peso, e esses sempre mostraram desde décadas que NÃO HÁ SUBPESO POR DESNUTRIÇÃO no Brasil, mas só a proporção de 4% de magros por ruindade, e mesmo que talvez, só talvez tenha subido para 5%, são só 1% da população com subpeso de desnutrição no Brasil, não 30% e muito menos 60%. E aliais se esses dados que eles dão fossem verdadeiros, teria aumentado a mortalidade infantil e diminuído a expectativa de vida no Brasil desde o lockout e isso não aconteceu.
    O irônico é que própria foto é de uma mulher com peso normal e com fogão.
    Esse pessoal esquerdóide desse estudo, se é que não é uma farsa total, devem ter uma mistura de falar mal de comer coisas gostosas com ignorar a economia informal e as ajudas de comedores sociais, auxílios brasil etc…

  2. Interessante seria saber como são coletados esses dados para chegar em números tão elevados, especialmente quando se refere a agricultores passando fome….

  3. Todos sabem quem foi que passou o bastão para os estados e a perseguição dos governantes estaduais às pessoas que queriam trabalhar para sustentar suas famílias.

  4. É muito triste o quadro, seja mil ou 33 milhões temos o dever de procurar combater. Mas o que vemos é exatamente o contrário, com a politica de fica em casa a economia vemos depois , de responsabilidade de governadores e prefeitos, chancelada pelos ministros do STF, que vivem arrotando por ai, com Gilmar Mendes que se não fosse o STF a covid teria matado muito mais. Agora estamos vendo quem vai matar mais, estas são a consequência flagrantes desta politica e do lockdown , que hoje o mundo esta vendo a besteira de tal conduta, com politica de combate a covid. O que vemos que todos aqueles jornalistas que apoiaram e foram ferrenho em defender tal politica, agora esquecem de proposito e querem creditar a conta naquele que foi exatamente oposto as estas politicas. Estes jornalistas são o câncer da imprensa brasileira, mas o povo esta conseguindo aos poucos identifica-los , pois as redes sociais estão sendo a ferramenta da libertação.

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