A guerra que o crime move no RJ tem um lado só, o dos bandidos

Não se diz uma sílaba, entre os militantes da 'justiça social' e nos telejornais, sobre o sofrimento eterno da população das favelas
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Deveria estar muito claro qual é o lado certo e qual é o lado errado nesta história. Mas não está
Deveria estar muito claro qual é o lado certo e qual é o lado errado nesta história. Mas não está | Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

(J. R. Guzzo, publicado no jornal Gazeta do Povo em 10 de maio de 2021)

A guerra que o crime move há anos contra a população do Rio de Janeiro é uma história que tem um lado só — o lado dos bandidos. Nas classes intelectuais, na bolha em que vivem os políticos e na maioria dos meios de comunicação — para não falar numa vasta porção do aparelho judiciário —, os criminosos são tratados oficialmente como mártires de uma “luta social” dirigida contra os pobres, os negros e os favelados. Não importa, nunca, o que eles tenham feito: todas as vezes em que trocam tiros com a polícia, o Brasil “que pensa” diz automaticamente que houve um massacre — como se as forças da ordem tivessem entrado numa “comunidade” pacífica e começado a matar gente a torto e a direito. Não se diz, jamais, que a polícia se apresentou para cumprir o dever legal de combater o crime e cumprir ordens da Justiça. Nunca se diz, também, que os policiais foram recebidos à bala pelos bandidos, nem que os mortos eram criminosos; são apresentados ao público, simplesmente, como “pessoas” ou “moradores”.

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Acaba de acontecer mais uma vez no Rio, com uma operação policial que deixou 29 mortos na favela do Jacarezinho. Desses 29, só um não era criminoso — justamente, um policial civil que participou das ações. Três dos que morreram estavam denunciados pelo Ministério Público e eram procurados pela Justiça. A polícia foi à favela para cumprir ordens legais de desmontar esquemas em que os bandidos dão treinamento de tiro a crianças e adolescentes, e os forçam a estar sempre na linha de frente nos confrontos com a polícia; a adesão é obrigatória, sob ameaça de morte. Parece perfeitamente justo que a autoridade policial tente fazer alguma coisa para combater uma opressão particularmente cruel como essa. É compreensível, também, que abram fogo se são recebidos com granadas e tiros de fuzil automático. Só que não.

A reação da elite foi a mesma de sempre: “Mais uma vez a polícia massacra cidadãos da comunidade”. Segue-se, até o caso cair no esquecimento, uma maciça campanha de propaganda na mídia, no mundo político e na elite, pedindo “punição para os culpados” e verbas para “atender aos interesses da população das comunidades”. Desta vez houve também um manifesto “popular” pela legalização da maconha — armou-se, inclusive, uma comovida declaração de apoio do ministro Luís Roberto Barroso a essa tese. (Seu colega Edson Fachin já havia proibido a polícia de fazer voos de helicóptero sobre as favelas do Rio; também não pode chegar a menos de 100 metros de uma escola, o que transformou o setor escolar num território livre para o crime.)

Não se diz uma sílaba, entre os militantes da “justiça social” e nos telejornais do horário nobre, sobre o sofrimento eterno da maioria da população das favelas. As pessoas, ali, vivem sujeitas à morte, o tempo todo, nos tiroteios entre as quadrilhas (nesse caso, a mídia não fala em “massacre”; são “confrontos”, ou “trocas de tiro”). Suas casas podem ser confiscadas para servir como depósitos de drogas. Sofrem todo tipo de extorsão. São agredidas, roubadas e humilhadas. Vivem o terror constante de ver as suas filhas adolescentes, e mesmo crianças, serem escolhidas como vítimas de estupro por parte dos chefes. Sofrem, agora, com o recrutamento dos filhos para a função de “soldados” do tráfico.

Deveria estar muito claro qual é o lado certo e qual é o lado errado nesta história. Mas não está; a verdade, aliás, está cada vez mais escondida.

Leia também: “O Brasil que a imprensa não vê”, artigo de Silvio Navarro publicado a Edição 59 da Revista Oeste

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12 comments

  1. Comunistas raíz!
    Este é o problema.
    Dane-se o povo!
    Dane-se a família!
    Seja refém destes malditos.
    Não existe favela no RJ, existem Empreendimentos Imobiliários!
    Um barraco na Rocinha de cubículo e banheiro com buraco vale R$500,00 de aluguel.
    Cretinos! Que morram todos em confronto com nossos heróis policiais, antes eles do que o agente de segurança e nossas famílias.
    Vejam quanto o PCC lava mensalmente de dinheiro para todos!

  2. Professor Guzzo. Os Brasileiros são devedores ao Senhor. Pois os seus artigos sempre se encontram em consonância com a grande maioria do nosso Povo. As pessoas de bem precisam saber que ainda temos jornalistas honestos.

  3. A grande mídia, principalmente, O Estadão, a Globo, Isto É, Veja, deveriam mandar seus repórteres, anonimamente, morar alguns meses nessas comunidades para verem a realidade dos moradores que são as grandes vítimas.

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