A produção de petróleo nas reservas indígenas do Canadá e dos EUA

Enquanto isso, os indígenas brasileiros continuam reféns de uma legislação engessada e muitas vezes sofrem com a miséria
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Poços de petróleo na reserva indígena de Fort Berthold, na Dakota do Norte: passaporte para o congresso | Foto: Gabriel de Arruda Castro
Poços de petróleo na reserva indígena de Fort Berthold, na Dakota do Norte: passaporte para o congresso | Foto: Gabriel de Arruda Castro

New Town — A rua principal de New Town, no Estado norte-americano de Dakota do Norte, pouco difere das outras cidades de seu tamanho: há um posto dos Correios, uma lanchonete da rede Subway, um café, um restaurante chinês e um mexicano. Também é possível ver um pequeno mercado, uma igreja e dois hotéis.

Volta e meia, um carro da polícia passa, sem pressa, já que parece não haver bandidos a perseguir. Tudo normal. A única diferença é que New Town fica dentro de uma reserva indígena.

A reportagem de Oeste esteve lá para entender melhor as diferenças que permitem aos nativos norte-americanos tomar as rédeas da própria vida, enquanto os indígenas brasileiros, donos de 14% do território nacional, são reféns de uma legislação engessada e muitas vezes sofrem com a miséria.

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A reserva indígena de Fort Berthold

Em Fort Berthold, os carros de polícia (alguns do modelo Dodge Charger, que custa aproximadamente R$ 170 mil) são identificados com o símbolo da Nação MHA: um emblema mostrando três figuras com um cocar na cabeça, cada uma representando uma das tribos que deram origem à reserva — Mandan, Hidatsa e Arikara. O símbolo também aparece na bandeira em frente a cada um dos prédios da administração local. Na reserva de Fort Berthold, os indígenas estão no controle, e a administração é eficiente.

A situação dos indígenas começou a se transformar a partir de 1993, com a construção de um hotel com cassino. O empreendimento gerou empregos para a comunidade, tornou-se uma fonte de renda e foi aos poucos se expandindo, para incluir um restaurante e uma área de lazer com toboágua.

A segunda aposta, entretanto, foi muito mais ousada: a extração de petróleo. O projeto teve início pouco mais de uma década atrás, quando as pradarias começaram a ser perfuradas em busca do recurso natural.

A comunidade firma parcerias com empresas de fora, que se comprometem a pagar royalties e impostos sobre o que produzem. Com a demanda em alta, e o preço em crescimento quase constante, a economia local deu um salto.

Hoje, a receita anual da reserva indígena ultrapassa os US$ 400 milhões (quase R$ 2 bilhões), e aproximadamente 90% disso vem da exploração do petróleo.

A comunidade de Fort McKay

Fort Berthold fica em um Estado relativamente conservador, em um país que ainda é visto como o símbolo do capitalismo. No vizinho Canadá, contudo, um exemplo semelhante mostra que, mesmo numa nação com valores ditos progressistas, é possível conciliar o desenvolvimento econômico com a preservação da cultura indígena e do meio ambiente.

A busca pelo progresso econômico em Fort McKay, na província de Alberta, foi facilitada por um elemento da natureza: uma reserva gigantesca de petróleo. Um dos dois blocos sob controle dos indígenas tem aproximadamente 150 milhões de barris de petróleo.

Uma estimativa com base nos preços atuais revela que a reserva pode valer mais de US$ 10 bilhões (R$ 50 bilhões). Nada mal para uma comunidade de aproximadamente 800 membros, dos quais apenas metade vive atualmente na reserva.

A abundância de recursos per capita permitiu à comunidade um nível de prosperidade inimaginável para os brasileiros — indígenas ou não. Cada criança nascida na comunidade tem direito a dividendos dos negócios mantidos pela tribo.

O jovem atinge os 18 anos com uma poupança de aproximadamente US$ 100 mil canadenses (cerca de R$ 390 mil). Se fizer um curso de educação econômica, já pode sacar metade do valor. Aos 21, ele tem o direito de retirar a outra metade.

As reservas indígenas brasileiras

Os exemplos dos Estados Unidos e do Canadá não necessariamente são reproduzíveis no Brasil. Existem diferenças geográficas importantes. As comunidades de Fort Berthold e Fort McKay já se distanciaram muito de seu modo tradicional de vida. Além disso, eles não vivem em áreas de mata fechada, como muitas tribos brasileiras.

Ainda assim, a diferença essencial permanece: por que os indígenas do Brasil dependem dos escassos recursos do governo federal enquanto suas terras oferecem incontáveis oportunidades de desenvolvimento econômico?

Leia a reportagem completa na edição 111 da Revista Oeste

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6 comentários Ver comentários

  1. É óbvio, não tem interesses escusos, me engana que eu gosto, como aqui, que já devem ter dado concessão dessas reservas muitas vezes, e só a união não pode explorar nada. É claro também que não existe mínimo cuidado com a preservação das culturas indígenas, o que manda é só o dinheiro pago pelas malditas ONGs.

  2. Tem uma diferença fundamental aí. Os indígenas canadenses, que são poucos, apenas desfrutam dos royalties do petróleo explorado em suas terras. Os indígenas brasileiros, poucos deles poderiam arrendar suas terras para produção do agro mas a maioria vive em florestas fechadas, sem perspectivas de explorar algo que não agrida a natureza, a mineração de metais preciosos é uma delas. Não dá para fazer essa comparação, seria muito simplório fazer isso.

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