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Victor Henrique de Oliveira Shimada, empresário sob investigação da Polícia Federal (PF) por desvio de mais de R$ 35 milhões do Banco Votorantim, acreditava que o FBI poderia se envolver no caso. Em áudios, ele mencionou que as autoridades já rastreavam operações com criptomoedas e que a investigação se estendia internacionalmente. Em janeiro de 2025, ele cumpriu prisão domiciliar. Ele foi sancionado pelos EUA por ser um "elo-chave" em uma rede de lavagem de dinheiro ligada ao PCC.
Conversas no celular de Victor Henrique de Oliveira Shimada, empresário que a Polícia Federal (PF) investiga, sugerem que ele acreditava que o FBI, dos Estados Unidos (EUA), poderia alcançar a fraude milionária contra o Banco Votorantim.
A apuração do órgão policial envolve o desvio de mais de R$ 35 milhões, ocorrido em agosto de 2024, parte dos quais a Victory Trading, empresa relacionada a Shimada, converteu em criptomoedas.
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Em um áudio de 20 de agosto de 2024, apenas oito dias depois do crime, Shimada informou a um interlocutor que autoridades já estavam rastreando operações com criptomoedas por meio de carteiras digitais. Disse, ainda, que a investigação havia ultrapassado as fronteiras brasileiras.
“É, mano, esse papo vai dar FBI, mano”, afirmou o empresário, conforme relatório da Polícia Federal. “Você entendeu? Não é brincadeira. Os caras estão investigando pesado.”
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O documento foi elaborado a partir da análise de equipamentos apreendidos na casa de Shimada durante o inquérito do Banco Votorantim. Em janeiro de 2025, ele cumpriu prisão domiciliar relacionada ao caso.
Além desse episódio, Shimada responde em São Paulo como operador financeiro em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao patrocínio do Corinthians pela casa de apostas VaideBet.
Sanções dos EUA e envolvimento com o PCC

Na quarta-feira 1º, o empresário passou a integrar a lista de sanções imposta pelo governo dos Estados Unidos. O país o acusa de ser “elo-chave” em uma rede internacional de lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo as autoridades dos EUA, Shimada teria lavado mais de US$ 30 milhões, cerca de R$ 156 milhões, para a facção criminosa.
Durante as conversas, Shimada relatou que autoridades já tinham conhecimento das operações e monitoravam o percurso dos valores enviados ao exterior. Ele citou um aviso de Rafael, interlocutor, sobre o rastreamento das transações. “Os caras já tá sabendo de tudo, aí está rastreando todas as wallets“, dsse. “O que eu soltei pra fora, Colômbia, EUA, vai voltar tudo.”
O empresário associou o monitoramento ao uso da corretora Bitso, mexicana, e mencionou operações em dólares nos Estados Unidos. “A Bitso é mexicana. (…) Como eu faço pagamento nos Estados Unidos, troco de USDC”, disse ao interlocutor. “Irmão, o negócio é federal lá com os caras.”
Criptoativos e movimentações financeiras
Segundo a PF, os diálogos mostram que Shimada tinha pleno conhecimento das operações com criptoativos. Ele discutia bloqueios, transferências internacionais e movimentações ligadas à fraude. A Bitso, fundada no México em 2014, atua em países da América Latina, inclusive no Brasil, e permite transações com ativos digitais, como Bitcoin, Ethereum, USDT e USDC.
Em outro momento, Shimada expressou preocupação com o fato de as operações terem vínculo com o seu nome. “E outra, foi no meu nome isso, mano”, afirmou. “Por isso que eu tô desesperado.” Ele afirmou ter deixado o Brasil e ido para a Colômbia para tentar resolver questões relativas a contas e ordens financeiras bloqueadas.
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Shimada ainda declarou que pretendia viajar ao México para tratar diretamente com representantes da Bitso e buscar desbloqueio das operações financeiras suspensas. A corretora, que opera na América Latina e no Brasil por meio da NVIO Brasil Bitso Instituição de Pagamento Ltda., teve sua atuação mencionada no relatório da PF.
Outro áudio, gravado em setembro de 2024, mostra quando uma funcionária da Bitso informa a Shimada que a conta estava bloqueada em razão de investigação e que aguardava decisão judicial para possível desbloqueio. A funcionária orientou que ele preservasse documentos caso a Victory Trading fosse intimada a prestar esclarecimentos.
Investigações e posicionamentos

Segundo a PF, a análise dos celulares de Shimada revela movimentações regulares e de grande volume em criptomoedas, especialmente USDT, com uso da plataforma Bitso para essas operações. A defesa do empresário nega envolvimento com organização criminosa ou lavagem de dinheiro e afirma não ter acesso aos documentos oficiais.
O relatório, finalizado em janeiro de 2025, detalha que a extração de dados dos aparelhos de Shimada buscava identificar diálogos e arquivos capazes de confirmar a fraude e revelar outros envolvidos. Os investigadores entendem que as conversas analisadas indicam “com alto grau de precisão” relação com a fraude ao Banco Votorantim, mas reconhecem que diligências ainda estão em andamento.
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Em nota, o BV (antigo Banco Votorantim) informou que, em agosto de 2024, identificou movimentações irregulares em seus serviços de Banking as a Service. A partir disso, adotou medidas imediatas e colaborou com autoridades, o que resultou na condenação de um dos envolvidos pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos.
A defesa de Victor Henrique de Oliveira Shimada declarou que tomou conhecimento das sanções aplicadas pelas autoridades dos EUA, mas ainda não teve acesso aos documentos oficiais. “Victor Shimada nega veementemente qualquer envolvimento com organização criminosa ou com a prática de lavagem de dinheiro”, afirmou a defesa.
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