As ações do Ministério da Defesa no combate ao coronavírus

Em entrevista a Oeste, o secretário-geral do Ministério da Defesa, almirante Almir Garnier, fala sobre as realizações de sua secretaria durante a pandemia
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Em entrevista a Oeste, o secretário-geral do Ministério da Defesa, almirante Almir Garnier, fala sobre as realizações de sua secretaria durante a pandemia

O secretário-geral do Ministério da Defesa, almirante Almir Garnier | Foto: Divulgação

A farda com as quatro estrelas em cada um dos ombros do almirante de esquadra Almir Garnier simboliza parte de toda a responsabilidade que ele carrega nos ombros. A metáfora é válida para o cargo chefiado por ele no governo Bolsonaro, de secretário-geral do Ministério da Defesa, o “02” da pasta.

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Se o ministro Fernando Azevedo e Silva é o responsável por coordenar as três Forças Armadas e dar a palavra final nas principais decisões da pasta, boa parte das ações são executadas por Garnier. Em entrevista a Oeste, o almirante de esquadra fala sobre as ações de sua secretaria durante a pandemia. Um dos principais legados é a nova roupagem da Base Industrial de Defesa (BID): as empresas desse segmento passaram a produzir insumos para o combate ao coronavírus. A seguir, alguns trechos da entrevista:

O senhor, na prática, coordena a Base Industrial de Defesa (BID). Neste período de pandemia, muitas empresas desse setor passaram a produzir insumos para o combate ao coronavírus. Como se deu esse processo?

Sim, indiretamente, por meio da Secretaria de Produtos de Defesa. Começou quando o governo determinou o Estado de emergência [4 de fevereiro]. Dois dias depois, se não me engano, o ministro [da Defesa, Fernando Azevedo e Silva] me ligou e falou: “Garnier, vamos ver o que nossa base industrial pode fazer para ajudar nesse esforço”. Houve uma reunião ministerial que eu estava presente e o ministro da Saúde [Luiz Henrique Mandetta] mostrou as dificuldades que poderiam vir pela frente com base no que se tinha de conhecimento naquela época. E essas dificuldades pareciam de toda ordem.

Como as empresas passaram a atuar?

O Ministério da Saúde realçou dificuldades mais sofisticadas, como os tais ventiladores pulmonares, os respiradores, para estados mais graves. Mas, também, realçou outras preocupações, como equipamentos de proteção individual, para equipes de saúde que atuam na linha de frente com os doentes, equipamentos de proteção individual (EPIs), equipamentos de uso individual, álcool em gel, que haviam sumido das prateleiras. Sobre remédios, falou-se muito de cloroquina, mas aumentamos a capacidade de produção de outros remédios, para febre, por exemplo. O que se poderia produzir? Nossa base industrial tem alta tecnologia, então, seria capaz de fazer algumas coisas importantes, e fez.

Poderia dar exemplos de como as empresas atuaram?

As federações de indústrias ajudaram muito. O Senai/Cimatec, da Bahia, por exemplo, foi um dos primeiros a se engajar. Disseram: “Podemos consertar respiradores que não estejam funcionando”. Vários hospitais tinham esses tais ventiladores pulmonares parados, e algumas manutenções eram razoavelmente simples. A Associação Brasileira da Indústria Química disse que produziria álcool em gel. A WEG, que fabrica compressores, pegou a patente e os direitos de comercialização e produção de outra empresa e começou a produzir respiradores. A Embraer começou a ajudar a fazer componentes específicos que eram críticos para os tais respiradores. A Avibras juntou pool de empresas da cadeia de suprimentos deles e começou a produzir EPIs. Em pouco tempo, a indústria estava com oferta muito grande e que permitiu que aquelas importações que começaram a dar problemas fossem substituídas por produção, reconfiguração ou até manutenções.

Em caso de uma nova pandemia, as Forças Armadas e o ministério estariam prontos para enfrentar?

Sim, os militares sempre fazem planejamentos e analises pós-ação para melhor atuar em uma próxima missão. Estamos sempre prontos para contribuir e servir, está em nosso DNA. Se nós, hoje, com o conhecimento que ganhamos a duras penas, conhecimento sobre a própria doença, à custa de vidas, à custa de sofrimento da nossa população, fôssemos começar de novo, certamente faríamos melhor.

Como está a distribuição da cloroquina produzida pelo laboratório farmacêutico do Exército?

O Ministério da Defesa não destina remédio para ninguém, a não ser para os nossos hospitais, das nossas Forças. Quem dá destinação de remédio, de insumos médicos hospitalares é o Ministério da Saúde, que pediu que tivéssemos uma produção adicional para outros usos que não os nossos regulares, que é grande nas nossas fronteiras e em regiões fora do pais. Então, houve um aumento de produção [da cloroquina] no laboratório farmacêutico do Exército, em um momento inicial, mas não ficou produzindo a mais do que o necessário.

Politizaram o remédio?

Acho que sim. Tem debates sobre isso todos os dias, com estudos pró e contra. Obviamente, quem decide o que vai ser ministrado é o médico, com a concordância do seu paciente. Me parece muito importante os médicos disporem de opções de fármacos que possam, numa necessidade especifica, salvar aquela vida.

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