A Polícia Federal (PF) afirma que integrantes do grupo ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro invadiram a conta do iCloud e atacaram o WhatsApp do empresário Luiz Guilherme Camasmie. A conclusão consta de um relatório da investigação, que reúne mensagens atribuídas a Vorcaro e a Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”.
Segundo a PF, Camasmie passou a ser monitorado depois de publicar críticas ao Banco Master em um grupo de WhatsApp voltado ao mercado financeiro. Em uma das mensagens, enviadas em outubro de 2024, o empresário comparou a exposição pública de Vorcaro à de um “jogador de futebol emergente” e escreveu que “até o Neymar está menos deslumbrado”.
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Na sequência, afirmou que nunca havia visto um banqueiro tão exposto que não terminasse “preso ou falido”.

De acordo com o relatório, Vorcaro encaminhou a mensagem a Mourão. Em seguida, o interlocutor respondeu: “Já mandei derrubar WhatsApp”. O banqueiro, porém, pediu que a ação aguardasse, porque pretendia notificar o empresário, observando que ele participava de uma comunidade com milhares de integrantes.
No dia seguinte, o Banco Master enviou uma notificação extrajudicial a Camasmie para que retirasse a publicação. O documento alertava para a possibilidade de responsabilização por difamação e por suposto crime contra o sistema financeiro. O empresário apagou a mensagem.
Conversas citam acesso ao iCloud e levantamento de dados
Ainda segundo a investigação, as conversas continuaram no dia 18 de outubro. Mourão informou ter localizado o endereço de Camasmie e compartilhou dados pessoais, entre eles nome completo, CPF, CNPJ, fotografia, data de nascimento e informações da carteira de habilitação.
As mensagens também mostram discussões sobre a identidade do alvo. Em determinado momento, Vorcaro afirmou que a pessoa localizada inicialmente não era o empresário, mas um parente. Camasmie disse à investigação que a referência era ao pai dele, titular da linha telefônica utilizada.
Na sequência, Mourão escreveu que “os meninos estão dentro do iCloud do cara”. Vorcaro respondeu apenas: “Boa”. Camasmie afirmou que perdeu arquivos armazenados na nuvem e relatou novos ataques cibernéticos em 2025, quando, segundo ele, também perdeu cinco linhas telefônicas e suas contas no WhatsApp.
O empresário registrou boletim de ocorrência em março do ano passado e apresentou uma notícia-crime para apuração dos supostos delitos de perseguição, invasão de dispositivo eletrônico e estelionato. Ele também ajuizou ação para pedir indenização de R$ 50 mil.
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