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'Cidades provisórias' começam a ser construídas em Porto Alegre

Governo do Rio Grande do Sul e prefeituras firmam acordo para criar cinco Centros Humanitários de Acolhimento, oferecendo abrigo temporário para 3.700 desabrigados pelas chuvas

cidade provisória no RS
'Cidades provisórias' serão começam a ser instaladas em Porto Alegre e Canoas, no Rio Grande do Sul | Foto: Joel Vargas/Governo do RS

O Governo do Rio Grande do Sul firmou, na última quinta-feira, 6, um termo de cooperação com as prefeituras de Porto Alegre e Canoas para a instalação dos primeiros cinco Centros Humanitários de Acolhimento (CHAs). Estes centros, conhecidos como “cidades provisórias”, acolherão desabrigados pelas chuvas que afetaram o Estado.

As “cidades provisórias”, com capacidade para abrigar 3,7 mil pessoas, serão construídos em locais já definidos. Em Porto Alegre, as estruturas estarão no Centro Humanístico Vida, no estacionamento do Porto Seco e no Centro de Eventos Ervino Besson, podendo acolher até 2 mil pessoas.

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Além de Porto Alegre, o município gaúcho de Canoas também vai receber as “cidades provisórias”. Os centros serão montados na avenida Guilherme Schell, perto da Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), e no Centro Olímpico Municipal (COM).

Cerca de 1.700 moradores serão acomodados nesses dois locais. A gestão estadual garante que os CHAs terão “toda a estrutura necessária para atender às demandas das famílias”, incluindo segurança pública.

Infraestrutura das “cidades provisórias” em Porto Alegre e Canoas

A infraestrutura das “cidades provisórias” em Porto Alegre e Canoas será semelhante à utilizada em hospitais de campanha, com espaços modulares em formato de galpão e tenda piramidal, utilizando estruturas metálicas e divisórias internas.

Parte dos centros será composto por 208 casas montáveis cedidas pela Agência das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), cada uma com capacidade para morar até cinco pessoas.

Na última quinta-feira, 6, a primeira casa emergencial foi instalada em Canoas durante um treinamento da Acnur com dez militares. A equipe montou a moradia desde a abertura das caixas até a colocação de bases, paredes, janelas, teto e porta.

Preocupação com o modelo habitacional temporário

Especialistas como Betânia Alfonsin, pesquisadora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) Observatório das Metrópoles, destacam a preocupação com o modelo habitacional temporário, que, em outras situações, como no Haiti, se tornaram lares definitivos, levando ao surgimento de novas favelas.

“Experiências ao redor do mundo mostram que cidades temporárias acabaram alimentando a gentrificação dos locais abandonados em função da tragédia. Há uma preocupação muito grande sobre quais são os objetivos associados à proposta”, analisou Betânia Alfonsin em entrevista o jornal O Globo.

Papel da Fecomércio no projeto

O governo gaúcho reafirmou que “os Centros Humanitários de Acolhimento são uma solução transitória entre os abrigos onde as pessoas estão atualmente, que são alojamentos provisórios, e as residências definitivas do programa habitacional já anunciado pelo governo federal.”

O termo de cooperação prevê ações conjuntas para garantir serviços essenciais como segurança pública, instalação, manutenção e desmontagem dos CHAs.

A Fecomércio é responsável pela contratação da empresa que vai construir os CHAs e pela gestão do espaço. Segundo o governo estadual, a entidade pretende concluir o processo contratual até o início da próxima semana, e os centros devem iniciar suas atividades em até vinte dias.

Os centros oferecerão cozinha, refeitório, lavanderia, fraldário, áreas para assistência médica e social, convivência, espaços para crianças e animais de estimação, além de banheiros masculinos, femininos e neutros. Atualmente, o estado possui pouco mais de 400 abrigos e 21,6 mil pessoas desabrigadas.

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