O delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Bernardo Leal, saiu do Hospital Samaritano há uma semana, depois de passar 47 dias internado. Ele lutou pela vida por ter ser atingido por um tiro de fuzil durante a Operação Contenção, em outubro, nos complexos da Penha e do Alemão. O delegado chegou a ficar em coma e teve a perna direita, atingida pelo disparo, amputada.
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Agora, ele inicia o processo de adaptação à prótese. O governo do Rio de Janeiro prometeu arcar com os custos. O objetivo dele é retomar suas funções como delegado, mas sem retornar às operações de rua.
“Bernardo é nosso orgulho e não será deixado para trás”, declarou o governador Cláudio Castro, nas redes sociais. “Quem veste a farda para proteger a sociedade merece cuidado, respeito e amparo. Isso não é favor, é dever.”
“Primeiro, feliz de estar vivo”, afirmou o delegado em entrevista à TV Globo. “Os médicos falavam: ‘Bernardo, é um milagre. Nunca vi alguém sobreviver a um tiro de fuzil assim’.”
O disparo comprometeu gravemente sua perna direita, fraturando o fêmur e rompendo a artéria e a veia femoral. Houve hemorragia severa. Bernardo precisou receber 30 bolsas de sangue. A quantidade é equivalente à necessária para substituir todo o volume sanguíneo do corpo três vezes.
Inicialmente, a amputação começou abaixo do joelho, mas, devido à falta de vascularização, precisou ser estendida até a parte alta da coxa. Ele passou por nove cirurgias até chegar ao grau necessário da amputação. Bernardo chegou ao hospital com apenas 3% de chance de sobreviver.
Delegado da Operação Contenção foi enganado antes do ataque
Na entrevista, ele relatou que, durante a ação em uma construção protegida no complexo, o criminoso utilizou códigos internos da própria polícia para enganá-lo antes do ataque.
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“Quando a gente deu de cara com o beco, a gente teve que passar um labirinto”, contou o policial. “Um cara apareceu vestido com as mesmas vestimentas que a nossa, colete preto, roupa toda preta. A gente tinha uma senha e contrassenha, e aí ele falou a senha certa.”
Durante a operação, a senha e a contrassenha, códigos utilizados para que os policiais se identifiquem entre si em situações de risco, foram ouvidas pelo criminoso. “Como o confronto estava muito intenso, então durante os ataques, eles ouviram a senha e a contrassenha. Quando deu a contrassenha, fiquei mais tranquilo, corri para o lado. Quando corri para a direita, ele atirou na minha perna.”
Bernardo foi carregado por muitos metros por um companheiro, cercado de policiais, que inclusive subiu escadas até colocá-lo em uma moto que o levou para a ambulância.






































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