Empresa responsável por obra do metrô que abriu cratera em SP foi líder em falhas no Rodoanel

Governo paulista cancelou contrato com a Acciona depois de auditoria encontrar “anomalias graves” na construção
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Obra do metrô ao lado da Marginal Tietê, em São Paulo
Obra do metrô ao lado da Marginal Tietê, em São Paulo | Foto: Reprodução

A empresa espanhola Acciona, responsável pela obra do metrô de São Paulo que abriu uma cratera na Marginal Tietê, teve o contrato para obras do Rodoanel cancelado pelo governo do Estado paulista no início de 2020. Uma auditoria encontrou 59 falhas no trecho norte do Rodoanel. O maior número de “anomalias graves” foi detectado no lote 6, executado pela Acciona.

Mesmo assim, a gestão Doria anunciou em outubro de 2020 que as obras da linha 6 – Laranja do Metrô, paradas desde 2016, seriam assumidas pela Acciona através de uma PPP (parceria público-privada), com contrato de 24 anos entre a construção e a operação.

Para o projeto, a concessionária obteve empréstimo de R$ 7 bilhões junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O valor total da obra está orçado entre R$ 15 bilhões e R$ 17 bilhões.

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As anomalias na operação do Rodoanel

De acordo com auditoria feita pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), órgão vinculado ao governo do Estado, foram constatadas 1.291 falhas nas obras do Rodoanel.

No lote 6, de responsabilidade da Acciona, foram encontradas 18 grandes falhas, ou 30% do total. Já no lote 4, também executado pela empresa espanhola, foram encontradas 332 anomalias, o maior número total. O relatório do IPT classificou problemas estruturais em pontes e a erosão de encostas como “anomalias graves”, pois podem impactar o funcionamento da rodovia.

A obra também foi alvo de denúncia da Lava Jato paulista por possíveis desvios que chegam a R$ 480 milhões.

Empresa nega responsabilidade sobre cratera

Em nota divulgada na noite de terça-feira 1º a Acciona descarta que a cratera esteja relacionada às operações de construção da linha e que se trata do rompimento de um interceptor de esgoto.

André de Ângelo, presidente da Acciona, diz que a chuva foi a causa provável do rompimento, com erosões, porque a tuneladora — conhecida como tatuzão — estava a três metros da coletora. 

Estado determina apuração

O deputado estadual Douglas Garcia (PTB) protocolou na terça-feira 1° um pedido para que o Ministério Público do Estado de São Paulo adote “providências cabíveis e necessárias para o acompanhamento das condições de segurança dos moradores do entorno da cratera”. 

O governador João Doria afirmou que pediu à concessionária as investigações das causas do acidente. 

Com informações de Crusoé e Valor Econômico

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