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Enel deixa 1,3 milhão sem energia 24 horas depois de vendaval

Tempestade derrubou árvores, afetou o abastecimento e expôs fragilidade da rede elétrica na Grande São Paulo

Enel
No momento mais crítico, cerca de 2,2 milhões de imóveis ficaram sem eletricidade nesta quinta-feira, 11 | Foto: Aloisio Maurício/Fotoarena/Estadão Conteúdo | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

Moradores da Grande São Paulo ainda convivem com a falta de energia depois da passagem de um ciclone extratropical pelo Estado. Em alguns bairros da capital, o apagão ultrapassou 50 horas. A concessionária Enel não apresentou prazo para a normalização completa do serviço.

No momento mais crítico, cerca de 2,2 milhões de imóveis ficaram sem eletricidade nesta quinta-feira, 11. O número caiu ao longo do dia, mas voltou a subir em determinados períodos. À noite, mais de 1,3 milhão de clientes ainda estavam sem luz na Região Metropolitana do Estado.

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Além da falta de energia, o vendaval provocou outros transtornos. Moradores enfrentaram interrupções no abastecimento de água, aeroportos registraram atrasos, e a cidade contabilizou mais de mil árvores derrubadas. Outros 300 mil imóveis passaram a ter problemas no fornecimento de água.

A demora na recomposição do serviço reacendeu críticas à atuação da Enel. Foi o quinto grande apagão registrado em pouco mais de dois anos. Desde novembro de 2023, episódios semelhantes se repetem, sempre com retomada lenta da energia.

Em um dos apagões, 2 milhões de imóveis ficaram sem luz e centenas de milhares continuavam no escuro mesmo depois de um dia inteiro de trabalhos.

Governo e MP de SP pressionam Enel por falhas no serviço

A crise levou o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) a intensificar as críticas à empresa. Ele voltou a defender a caducidade do contrato de concessão e afirmou que o Estado se tornou refém da concessionária.

“Temos um contrato muito antigo que está no Ministério de Minas e Energia e que tem a regulação que cabe à Aneel”, disse Tarcísio. “Precisamos de investimentos para tornar a rede automatizada, porque todos os anos vamos ter eventos climáticos.”

Tarcísio também ressaltou que o plano de contingência apresentado pela empresa falhou. Segundo ele, o número de equipes em campo não foi suficiente para lidar com a dimensão do apagão.

O Ministério Público (MP) de São Paulo também passou a acompanhar o caso. A Procuradoria-Geral de Justiça designou a Promotoria de Defesa do Consumidor para adotar medidas que garantam ressarcimento a consumidores prejudicados, especialmente por perdas de alimentos, medicamentos e equipamentos.

Empresa diz que complexidade dos serviços atrasa retomada de energia

Em resposta, a Enel argumenta que parte da rede sofreu danos extensos. Segundo a empresa, o restabelecimento se torna mais complexo em áreas que exigem reconstrução completa da infraestrutura, com troca de postes, transformadores e cabos.

+ Leia também: “Tarcísio defende intervenção na Enel depois de apagão”

A concessionária informou que mobilizou equipes desde os primeiros registros da falta de energia e que mais de 500 mil clientes tiveram o fornecimento restabelecido durante as ações iniciais. Ainda assim, a capital paulista concentrou mais de 900 mil imóveis sem luz, o equivalente a mais de 15% do total.

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