‘Equilíbrio de Poderes na nossa democracia está rompido’, diz Mourão

Vice-presidente avalia que Judiciário 'está com um poder acima dos outros dois', o que gera 'instabilidade jurídica' no país
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'O ex-presidente Lula foi condenado em três instâncias por corrupção. Isso aí não muda', diz  Hamilton Mourão
'O ex-presidente Lula foi condenado em três instâncias por corrupção. Isso aí não muda', diz Hamilton Mourão | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O vice-presidente Hamilton Mourão reiterou que ainda é cedo para traçar prognósticos sobre a disputa presidencial de 2022, após a anulação das condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o que o fez retomar os direitos políticos e a elegibilidade. Em entrevista à Folha de S.Paulo, ao comentar a decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), Mourão demonstrou preocupação com o ativismo do Judiciário.

“O equilíbrio de Poderes na nossa democracia está rompido. O Judiciário está com um poder acima dos outros dois e, consequentemente, isso leva a uma instabilidade jurídica. Estamos vendo isso acontecer”, afirmou.

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Indagado se haverá novamente uma polarização entre Jair Bolsonaro e o PT, agora na figura de Lula, Mourão preferiu não fazer previsões e disse que “tem muita espuma nesse chope”. “Tem de dar uma decantada nesse chope. Ele está com quatro dedos de espuma e ainda não chegamos no líquido”, concluiu.

“Quanto ao ex-presidente Lula, nem me preocupo. Podem anular o processo, podem mudar o juiz do jogo, mas uma coisa para mim é clara. O ex-presidente Lula foi condenado em três instâncias por corrupção. Isso aí não muda.”

O vice-presidente também falou sobre o enfrentamento da pandemia de covid-19 e lamentou a disputa política em um momento tão delicado para o país. “Essa pandemia foi usada politicamente tanto pelo nosso lado quanto pelas oposições. Isso foi até ruim. Esse uso político da pandemia é péssimo”, avalia. “Então, a gente tem de fazer o que é certo porque é certo. Não porque vou ter dividendos políticos na frente. Então, [a disputa] está muito centrada na dicotomia entre o presidente e o governador de São Paulo [João Doria].”

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