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IBGE: Brasil tem menos filhos e menos mães, aponta Censo 

Cresceu também a parcela de mulheres que terminam o ciclo reprodutivo sem filhos

Taxa de fecundidade do país caiu para 1,57 filho por mulher em 2023 | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Taxa de fecundidade no Brasil atingiu mínima da série histórica, com 1,55 filhos por mulher | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), confirmam que as brasileiras estão tendo menos filhos e adiando cada vez mais a maternidade. A tendência, já observada em levantamentos anteriores, se consolida na amostra do Censo Demográfico 2022, divulgada nesta sexta-feira, 27. 

Cresceu também a parcela de mulheres que terminam o ciclo reprodutivo sem filhos. No total, a taxa de fecundidade, que estima o número médio de filhos de uma mulher ao longo da vida reprodutiva, atingiu o menor nível da série histórica.

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Em 1960, a taxa de fecundidade era de 6,28 filhos por mulher. Seis décadas depois, esse índice caiu para 1,55. Mesmo na região Norte, onde a taxa ainda é mais elevada, o indicador recuou de 8,56 em 1960 para 1,89 em 2022. 

IBGE: Brasil tem menos filhos e menos mães, aponta Censo
Foto: Reprodução/IBGE

O recuo da fecundidade está acompanhado de uma mudança no padrão etário. Em 2010, o pico da fecundidade ocorria entre mulheres de 20 a 24 anos. Em 2022, a maior concentração deslocou-se para a faixa dos 25 aos 29 anos. 

Houve também aumento das taxas em faixas etárias superiores, o que confirma o adiamento da maternidade. A exceção é a região Norte, onde o pico ainda se dá entre os 20 e 24 anos. Ou seja, as mulheres estão sendo mães mais velhas. A idade média da fecundidade passou de 26,3 anos em 2000 para 28,1 anos em 2022. 

Foto: Reprodução/IBGE

Além disso, cresceu o número de mulheres que encerram o ciclo reprodutivo sem filhos nascidos vivos. Em 2000, o porcentual de mulheres entre 50 e 59 sem filhos era de 10%; em 2010, 11,8%; e, em 2022, 16,1%. Paralelamente, o número médio de filhos por mulher nessa faixa etária também caiu, de 4,2 em 2000 para 2,2 em 2022. 

Escolaridade e religião mudam padrões de fecundidade

Quanto maior o nível educacional, mais tardia também é a maternidade: a idade média da fecundidade salta de 26,7 anos, no nível mais baixo, para 30,7 anos, entre mulheres com nível superior completo.

Fecundidade: Brasil tem menos filhos e menos mães, aponta IBGE
Foto: Reprodução/IBGE

Mulheres sem instrução ou com ensino fundamental incompleto tiveram, em média, 2,01 filhos. Já entre aquelas com ensino superior completo, a taxa caiu para 1,19 — uma diferença de 41,1%. 

A taxa de fecundidade varia ainda conforme a religião das mulheres. O único grupo acima da média nacional (1,55) é o das evangélicas, com taxa de fecundidade de 1,74. Espíritas apresentaram a menor taxa (1,01), seguidas por praticantes de umbanda e candomblé (1,25). Católicas, mulheres sem religião e adeptas de outras crenças também ficaram abaixo da média.

As diferenças aparecem também no padrão etário. Enquanto mulheres espíritas concentram seus nascimentos entre 30 e 34 anos, as sem religião e as de religiões afro-brasileiras registram maior fecundidade entre os 20 e 24 anos. Nos demais grupos, o pico está entre 25 e 29 anos — comportamento que reflete a combinação de fatores como escolaridade e estrutura etária.

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