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Infecção por HIV em transplantes foi 'erro humano', diz laboratório

Em nota, o PCS Lab Saleme, antigo responsável pelos testes em órgãos doados, não informou a data do incidente nem os responsáveis pela falha

A sede do PCS Lab Saleme, laboratório de análises clínicas interditado pela Anvisa | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
A sede do PCS Lab Saleme, laboratório de análises clínicas interditado pela Anvisa | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O laboratório PCS Lab Saleme, envolvido no escândalo dos órgãos infectados com HIV, informou que um “erro humano” resultou na contaminação dos seis pacientes que receberam os transplantes.

“Os resultados preliminares da investigação interna indicam indícios de erro humano na transcrição dos resultados de dois testes de HIV, o que levou à infecção de seis pessoas”, declarou o laboratório, em nota. “A empresa, embora ainda não tenha sido notificada formalmente sobre o andamento das investigações – nem na esfera criminal, nem na administrativa – está à disposição das autoridades.”

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A nota não especifica quem cometeu o erro nem quando ocorreu. Ela menciona que Jacqueline Iris Bacellar de Assis, técnica em patologia clínica, apresentou um diploma de biomédica e assinava laudos.

A assessoria do laboratório forneceu uma foto do diploma de graduação em biomedicina, emitido por uma faculdade privada de São Paulo, em nome de Jacqueline. Esse documento foi apresentado por ela ao ser contratada, em 2023.

José Félix, advogado de Jacqueline, afirmou que ela desconhece o diploma. “Jacqueline jamais trabalhou como biomédica, não tem capacitação técnica e nunca teve interesse na função”, disse. “Sempre atuou no laboratório como supervisora administrativa.”

Laboratório realizou mais de 200 testes em órgãos para transplante para o governo do Rio de Janeiro

Foram realizados mais de 500 transplantes entre dezembro e setembro | Foto: Goran Grudić/Pexels
Foram realizados mais de 500 transplantes entre dezembro e setembro | Foto: Goran Grudić/Pexels

De acordo com a Anvisa, técnicos em patologia clínica podem realizar atividades de coleta, processamento e análise de amostras biológicas, desde que supervisionados. Jacqueline revelou que, apesar de habilitada, nunca exerceu essas funções no laboratório, limitando-se a revisar erros de digitação e formatação.

Durante o período em que prestou serviços ao sistema estadual de saúde do Rio, o laboratório realizou 286 testes para transplantes. Depois da revelação da contaminação, a Secretaria de Saúde anunciou que retestaria as amostras de sangue.

O laboratório informou que, “das 286 amostras submetidas a novo teste no HemoRio, os primeiros 205 resultados divulgados deram negativo para HIV, confirmando os laudos do PCS Lab.”

“O laboratório reafirma que dará todo o suporte necessário às vítimas assim que tiver acesso oficial à identidade delas”, acrescentou. “Durante todo o processo de transplante, a única informação que o PCS Lab recebe sobre os doadores é a amostra de sangue — identificada apenas por código — colhida pela equipe da CET e entregue ao laboratório.”

No Rio de Janeiro, foram realizados mais de 500 transplantes entre dezembro e setembro. Todos os pacientes que tiveram exames realizados pelo laboratório PCS serão examinados novamente.

Intervenção do governo

O caso foi considerado “inadmissível” pela Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro. Nísia Trindade, ministra da Saúde, ordenou auditoria no sistema de transplantes do Rio, liderada pelo Denasus, e suspendeu cautelarmente o PCS LAB Saleme para investigar possíveis falhas nos testes.

O Hemorio agora realiza a testagem dos doadores no Rio. Uma comissão multidisciplinar foi formada para apoiar os pacientes, e medidas adicionais, como a retestagem de outros doadores, foram implementadas para prevenir novos casos.

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1 comentário
  1. Reinaldo Martinazzo
    Reinaldo Martinazzo

    Do portador do Vírus?
    Brincadeira né!
    Quem vai pagar por isso?

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