Uma operação policial resultou na manutenção da prisão preventiva de oito suspeitos, considerados pela Justiça de São Paulo como integrantes de uma organização criminosa responsável por fraudes bancárias e ataques virtuais que somam prejuízo superior a R$ 1,2 bilhão no sistema financeiro. No entendimento do juiz Caio José Bovino Greggio, responsável pelo caso, o grupo utilizava tecnologia avançada para concretizar os crimes, demonstrando que os investigados adotaram os delitos patrimoniais como meio de vida.
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“As figuras delitivas apuradas reclamam o uso de uma estrutura eletrônica sofisticada para sua consumação, circunstância que evidencia, em uma análise preliminar, que os investigados fazem da prática de crimes patrimoniais o seu ‘modus vivendi’”.
O juiz responsável pelo caso descreveu os suspeitos como integrantes de um ‘poderoso grupo com organização profissional’
Durante a audiência de custódia, etapa destinada a avaliar a legalidade da prisão e possíveis violações de direitos, o magistrado descreveu os suspeitos como integrantes de “um poderoso grupo criminoso com organização profissional”, ressaltando o impacto financeiro das ações, inclusive contra entidades públicas. O juiz destacou ainda que tal contexto “aumenta sobremaneira o nível de desvalor ético-jurídico da conduta dos increpados considerado o elevado prejuízo causado às referidas instituições”.
Segundo consta na decisão, os acusados teriam acessado de forma indevida contas PI, usadas para pagamentos instantâneos no Banco Central, com o objetivo de desviar recursos do sistema bancário. “Sendo os responsáveis, em tese, pela subtração de recursos do Arranjo de Pagamento Instantâneo, mediante acesso indevido a contas PI mantidas por instituições financeiras do Banco Central”, diz o documento.
Depoimentos e linhas de defesa dos suspeitos
A Polícia Federal recebeu autorização judicial para analisar imediatamente computadores e celulares apreendidos, evitando a perda de informações relevantes para as investigações. Os detidos negaram envolvimento nos crimes em depoimento à PF: Fernando, José Elvis, Marcus Vinícus, Klayton e Maicon Douglas alegaram desconhecimento das ações ilícitas; Nicollas afirmou que estava visitando São Paulo quando foi preso; Rafael Loia declarou não saber operar computadores; Guilherme Peixoto permaneceu em silêncio.
Os advogados solicitaram que os réus aguardassem em liberdade. As defesas de Rafael e José Elvis contestaram a solidez das provas e mencionaram que ambos têm empregos formais e não possuem antecedentes criminais. Rafael informou trabalhar em uma cozinha industrial, enquanto José Elvis disse ser motorista.
Fernando, que se apresentou como empresário, teve defesa, que questionou a legalidade do flagrante, realizado durante a noite e sem mandado judicial, além de afirmar que a prisão prejudicaria sua reintegração social. Klayton, desenvolvedor de softwares, pediu liberdade com alegação de ser pai de quatro filhos menores e ter esposa grávida.
Maicon Douglas afirmou ser comerciante e, por meio de sua defesa, negou envolvimento com grupos criminosos. Já Nicollas, usuário de medicamentos controlados, solicitou prisão domiciliar.
Prisão em flagrante e novos desdobramentos
O grupo foi capturado em flagrante na noite da sexta-feira 12, depois de obter um notebook de uma agência da Caixa Econômica Federal, equipamento que proporcionava acesso remoto à rede do banco, segundo a Polícia Federal. O objetivo, de acordo com as investigações, era executar um novo golpe que envolvia recursos do varejo, alcançando verbas públicas e programas federais.
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