publicidade
Brasil

Justiça de São Paulo aceita pedido de recuperação judicial da Odebrecht

Com a medida, todas as cobranças e as execuções contra a empresa ficarão suspensas por 180 dias

Odebrecht corrupção Argentina Lava Jato
Grupo Novonor alegou que a Odebrecht Engenharia e Construção foi afetada pela Lava Jato e pela covid-19 | Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A Justiça de São Paulo aceitou o pedido de recuperação judicial da Odebrecht Engenharia e Construção (OEC), uma das empresas do grupo Novonor (antiga Odebrecht). Com essa decisão, todas as cobranças e as execuções contra a empresa ficarão suspensas por 180 dias.

Ao submeter o pedido, a OEC argumentou que a redução de investimentos em obras públicas e a restrição de crédito para empresas do setor afetaram o segmento de grandes construções. A empresa também destacou que os impactos da Operação Lava Jato e da pandemia de covid-19 contribuiram para o aumento do passivo.

Receba nossas atualizações

Na ação, o grupo Novonor declarou que a recuperação judicial da OEC é indispensável para um processo célere, organizado e controlado de reestruturação de passivos, reorganização de atividades e readequação de estruturas do grupo.

Depois de apresentar demonstrativos contábeis, o relatório do passivo e a lista completa de credores, a OEC teve o pedido deferido. A decisão foi proferida pelo juiz Paulo Furtado de Oliveira Filho, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, que nomeou uma administradora judicial. O primeiro relatório deve ser apresentado nos próximos 30 dias.

De acordo com a empresa, a decisão foi negociada com seus principais credores financeiros e faz parte de uma reorganização financeira que requer um financiamento previsto na lei de recuperação judicial, o debtor in possession (DIP), no valor de R$ 650 milhões.

Em 2020, a própria Novonor entrou em recuperação judicial. No entanto, os processos são independentes.

Objetivos da reestruturação da Odebrecht

Sede da Odebrecht
Odebrecht quer aumentar o fluxo de caixa | Foto: Reprodução/Odebrecht

Na quinta-feira 27, a OEC iniciou formalmente a reestruturação de passivos e a viabilização de aporte de caixa por meio da recuperação judicial, com o objetivo de equalizar sua estrutura de capital. A iniciativa visa a equacionar a dívida e aumentar o fluxo de caixa, aproveitando a retomada dos investimentos no setor de infraestrutura e construção pesada.

A reestruturação é limitada ao Brasil e não afeta a operação dos contratos em andamento ou a execução de novos. Atualmente, a OEC possui 31 obras ativas, sendo 21 no Brasil e dez no exterior, empregando mais de 15 mil profissionais diretos e indiretos, com uma carteira de projetos assinados de US$ 4,6 bilhões, que pode superar US$ 5 bilhões neste ano.

Uso do financiamento DIP

O financiamento DIP, em negociação, pode alcançar R$ 650 milhões e será utilizado para equacionar o endividamento existente, reforçar o fluxo de caixa da OEC e fomentar suas atividades, assegurando liquidez para financiar projetos, obter garantias e assegurar capital de giro.

Com negociações prévias com credores financeiros, a recuperação judicial deve ser implementada de forma mais rápida e controlada. “O foco central é reestruturar US$ 4,6 bilhões em passivos financeiros e operacionais, além de operações antigas dentro do mesmo grupo (intercompany)”, detalha Lucas Cive, CFO da empresa.

Declarações dos executivos

“Essa estrutura mostrou-se como a mais apropriada para adequação dos passivos e viabilização de uma captação de novos recursos”, afirma Maurício Cruz Lopes, presidente da OEC. “A iniciativa fortalece a OEC não apenas nos projetos em andamento e na conquista de novos, como também no atendimento a credores e fornecedores”.

A reestruturação e a parceria para aporte de caixa foram planejadas com a participação de assessorias especializadas, como Lazard, Cleary Gottlieb, E. Munhoz Advogados, RK Partners e Stocche Forbes Advogados.

+ Leia mais notícias do Brasil em Oeste

1 comentário
Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade