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Brasil

Laysa Peixoto, a brasileira que chegou à Nasa

A mineira de 19 anos participou da Expedição 36, da agência aeroespacial dos Estados Unidos, para se tornar astronauta

Foto: Reprodução/Redes Sociais

“O que você quer ser quando crescer?”. Essa é provavelmente uma das perguntas mais comuns feita por adultos para uma criança. E as respostas, por sua vez, tendem a variar entre policial, bailarina, bombeiro, médico veterinário e até mesmo astronauta. Porém, o tempo passa e é comum que o sonho de seguir uma determinada profissão tome outros rumos. Mas esta não foi a realidade de Laysa Peixoto, a brasileira de apenas 19 anos que decidiu procurar no céu as respostas que buscava na Terra. 

Nascida em Minas Gerais, Laysa Peixoto sempre foi uma criança curiosa, que gostava de fazer perguntas e de observar as estrelas. Ainda pequena, costumava assistir séries e filmes de ficção científica, como Cosmos e Star Wars. Não teve outro jeito. Toda essa bagagem de influências despertou o desejo de seguir a carreira de astronauta.

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O primeiro passo foi prestar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2020. Em plena pandemia de covid-19 e frequentando a escola pública desde a infância, Laysa estudou sozinha para o vestibular, enquanto participava de projetos e campeonatos acadêmicos, como a Olimpíada Brasileira de Astronomia (OBA), da qual saiu medalhista. O resultado de tanto esforço foi a aprovação na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde atualmente cursa o segundo ano de Física.

Laysa Peixoto descobriu a paixão pelo Espaço ainda na infância | Foto: Reprodução/ Redes sociais

No início de 2021, ela participou de um projeto realizado pela Nasa, em parceria com o programa astronômico internacional The Internacional Astronomical Search Collaboration. As imagens disponibilizadas por um telescópio possibilitaram que Laysa descobrisse o asteroide LPS0003 — sigla que remete às iniciais de seu nome. Com todo esse currículo, a jovem mineira se inscreveu no processo seletivo da agência aerospacial dos Estados Unidos. E mais uma vez, veio a aprovação.

A estudante de física participou da Expedição 36 do Advencer Space da Nasa, em maio deste ano. Depois de voltar para o Brasil, Laysa Peixoto conversou com Oeste para contar os desafios da profissão, além de comentar a viagem internacional e o desejo de ser a primeira brasileira a ir para o Espaço.

1 — Como era a sua rotina de treinamento na NASA, durante a Expedição 36 do Advencer Space

O treinamento é muito intenso, tínhamos atividades para fazer durante o dia inteiro. Fui em maio, mas fiquei lá nos Estados Unidos por um mês. Participei de simulações de missões espaciais. A parte mais interessante foi quando mergulhei por 24 metros de profundidade. Também tive aulas de astrofísica e física espacial. Foi incrível. Eu era a única estrangeira. Conheci dois astronautas recusados várias vezes em processo seletivos da Nasa. Fiquei impressionada como eles foram determinados. A NASA têm uma cápsula que simula a Estação Espacial Internacional e nós tivemos aula sobre o funcionamento dela. 

2 — Como foi o processo da NASA e qual foi a sua reação ao descobrir o asteroide? 

A minha família me apoiou muito. Acredito que para eles foi algo bem diferente, de certo modo exótica. Sobre o projeto dos esteroides, eu estava bem no início da faculdade. Já participava de um programa da Nasa. Eles nos enviavam imagens de telescópios para depois efetuar relatórios da análise desses materiais. Percebi que uma dessas imagens apresentava um pontinho, como a de um asteroide. Depois de meses analisando, entrei no site e vi que meu nome estava lá. Então meu asteroide passou de detecção para descoberta. Para o processo da Nasa, me inscrevi no processo seletivo. Precisei enviar redações em inglês e colocar todo o meu histórico acadêmico. Foi uma grande emoção quando recebi o e-mail. Só acreditei quando pisei lá. Identificar corpos celestes é importante para prever possíveis colisões com a Terra. A maioria deles é muito pequena, de 10 a 100 metros de diâmetro. É mais por uma questão de segurança.

3 — Quais personalidades do campo da astronomia inspiram você?

Muitas mulheres me inspiram. Uma delas é Annie Jump Cannon (1863 – 1941). Ela foi a pessoa que mais catalogou estrelas manualmente na História da Humanidade, porque no século passado era utilizado placas fotográficas para conseguir mapear os astros. Ela trabalhou em Harvard com um grupo de mulheres que fazia esse trabalho, só que elas não era reconhecidas, já que o chefe do laboratório ganhava todo mérito. Inclusive, faço parte de um projeto que se chama Universidade de Harvard, em que transcrevo esses documentos feitos por essas astrônomas. É incrível, porque a gente já não vê muitas mulheres nessas áreas. No século anterior era bem menos. Essas mulheres foram esquecidas e muitas tiveram suas descobertas roubadas. 

4 — Existe hoje no Brasil um movimento de saída de profissionais qualificados para o exterior. Como você avalia a valorização da ciência no Brasil?

Os cientistas do Brasil não são muito valorizados. Inclusive, as bolsas de Mestrado e Doutorado têm sido cortadas. Esse cenário é assustador para mim. São esses profissionais que fazem as coisas acontecerem em relação ao desenvolvimento de um país. No período da pandemia, percebemos o quão importante é a ciência brasileira, principalmente com o trabalho da doutora Jaqueline Goes, que mapeou o genoma do coronavírus, além de outros pesquisadores. Nos demais países existem investimentos em laboratórios e as bolsas de estudo são muito maiores do que aqui. A população precisa cobrar por esses direitos e pressionar as autoridades. Estamos em época de eleições. É preciso observar quais candidatos realmente se importam com a ciência. Fico pensando em todas as pessoas inteligentes que conheci durante a minha trajetória acadêmica e que poderiam ter estourado como grandes cientistas, mas que precisaram trabalhar para ajudar a famílias. Isso me entristece muito, porque além do Brasil perder cérebros para o exterior, infelizmente nessas áreas as pessoas que ficam acabam enfrentando condições inferiores comparadas a outros países. 

Graduação na Nasa | Foto: Reprodução/ Redes sociais

5 — Apenas dois brasileiros saíram do planeta Terra. O primeiro foi Marcos Pontes, que passou oito dias na Estação Espacial Internacional, em 2006. Depois o engenheiro Vitor Espanha comprou uma passagem para ir a bordo na nave do CEO da Amazon, Jeff Bezos. Você planeja ser a terceira brasileira a chegar ao espaço?

Ser a terceira não me importa tanto. Quero chegar lá. Acredito que precisamos acelerar esse processo. Meu objetivo é ir ao espaço para representar outras pessoas, sobretudo as meninas que gostam dessa área. Quero mostrar para elas que é possível. É muito importante quando alguém se torna pioneira em algo, porque as outras pessoas percebem que aquilo é possível, principalmente para as crianças. No meu caso, durante a escola, eu ficava um pouco perdida, sem nenhuma referência. Quero mostrar ser possível realizar esse sonho.

Leia também: “Óvnis invadiram o Senado”, reportagem de Dagomir Marquezi publicada na Edição 116 da Revista Oeste

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3 comentários
  1. Alvino Cavaco
    Alvino Cavaco

    Mas para a esqueropata e feministas mulher é Anita com seu fiofo……

  2. Luiz Antonio Fraga
    Luiz Antonio Fraga

    Pois bem! Estamos num país (ainda) livre, onde todos têm o direito de se expressar como bem entender (ou, pelo menos, deveria ser assim).
    Mas, francamente, eu não entendo… Uma menina de apenas 19 anos, por esforço e mérito próprio consegue essa extraordinária conquista junto à NASA, e vem um sujeito aí (esquerdopata?!) e dá um “deslike” na matéria!…
    Será que, sequer pelo menos, leu a matéria?!…

  3. Romeu José Paludo
    Romeu José Paludo

    Lembro bem de Neil Armstrong, Edwin Aldrin e Michael Collins. Acompanhava desde 1961 e o ápice foi o desembarque na lua. O passo hesitante. Vai fundo e longe Laysa! Leve teus projetos e nossos votos de que tudo se realize.

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