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'Marielle precisava sair do caminho', diz Ronnie Lessa

Em delação, o ex-policial militar afirmou que os irmãos Brazão viam a vereadora como um obstáculo para a expansão dos negócios das milícias

Ronnie Lessa sendo levado pela polícia
O ex-PM Ronnie Lessa | Foto: Reprodução/JN

Em delação homologada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-policial militar Ronnie Lessa afirmou que os irmãos Brazão consideravam a vereadora Marielle Franco (Psol) como uma “pedra no caminho” para a expansão dos negócios das milícias no Rio de Janeiro.

A declaração foi televisionada pelo programa Fantástico, da TV Globo, na noite do domingo 26. De acordo com Lessa, Marielle convocava reuniões com lideranças comunitárias para impedir a adesão a novos loteamentos da milícia.

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Ele participou de três reuniões com Domingos e Chiquinho Brazão, em 2018, para planejar o assassinato de Marielle. Embora a Polícia Federal (PF) não tenha confirmado esses encontros, Lessa detalhou que o objetivo era regularizar um condomínio em Jacarepaguá, na capital fluminense, para especulação imobiliária.

No vídeo, o ex-PM também mencionou que seria um dos proprietários do empreendimento, que poderia render R$ 10 milhões.

“Ali teria a exploração de gatonet, de Kombis, de venda de gás”, explicou. “A questão valiosa é depois, a manutenção da milícia, porque a manutenção da milícia vai trazer votos. Então, na verdade, eu não fui contratado para matar Marielle, como um assassino de aluguel, não. Eu fui chamado para uma sociedade.”

A prisão dos irmãos Brazão, os mandantes do assassinato de Marielle

Chiquinho Brazão, deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro, e Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, foram presos em março deste ano durante a Operação Murder Inc, da PF.

No dia 10 de maio, a Procuradoria-Geral da República denunciou os irmãos pelos crimes de homicídio, organização criminosa epela tentativa de homicídio da assessora Fernanda Chaves.

Em 16 de maio, o procurador-geral, Paulo Gonet, enviou ao STF um adendo à denúncia sobre o assassinato. A petição pede à Justiça que defina um valor de indenização para os familiares de Marielle Franco e Anderson Gomes. Na lista de denunciados, também estão:

  • Rivaldo Barbosa, acusado de usar sua função como delegado da Polícia Civil para obstruir as investigações;
  • Ronald Paulo de Alves Pereira, um policial militar que teria a monitorar a vereadora antes da execução e;
  • Robson Calixto da Fonseca, que esteve envolvido nas ações.

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