MEC facilita abertura de vagas em cursos de ensino médico

Em nota pública, o Conselho Federal de Medicina repudiou a medida
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Foto: Canva
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Nesta semana, o Ministério da Educação (MEC) publicou uma portaria para liberar novas vagas em cursos de Medicina até o limite de mais cem alunos. A medida vale para escolas criadas por chamamento público, no âmbito do programa Mais Médicos, criado pelo governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), lançado em 2013.

Em nota pública, o Conselho Federal de Medicina (CFM) repudiou a decisão do MEC: “Lamentavelmente, essa decisão foi tomada sem consulta ao CFM e às demais entidades médicas. Isso expressa uma opção excludente, autoritária e pouco transparente na condução de tema delicado e com consequências para a vida da população e dos profissionais”, informou.

Reportagem publicada na Edição 113 de Oeste mostra como a qualidade do ensino na área médica preocupa especialistas. Existem pouco mais de 350 escolas de medicina no Brasil, e 90% delas estão em cidades que não atendem aos critérios considerados essenciais para o exercício da formação prática profissional, segundo dados do CFM.

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“Quando nos posicionamos contra essa abertura indiscriminada, imediatamente fomos tachados de corporativistas”, disse o médico cirurgião Mauro Ribeiro, ex-presidente do CFM, em entrevista à Revista Oeste. Ribeiro alerta para o aumento no número de médicos formados anualmente no país. “Há cerca de dez anos, as escolas formavam por volta de 14 mil médicos por ano. Em 2021, formamos mais de 25 mil médicos. Quando todas as escolas autorizadas forem abertas, formaremos 35 mil médicos por ano.”

Veja o panorama da demografia médica no Brasil

O Brasil tem hoje 500 mil estudantes formados em medicina e registra uma taxa anual de dez médicos recém-formados por 100 mil habitantes — maior que a dos Estados Unidos (7,7), do Chile (8,8) e do Canadá (7,7). Uma projeção realizada pelo CFM com base no estudo “Demografia Médica no Brasil 2020”, da USP, mostra que em 30 anos o Brasil poderá ser o país com o maior número de médicos do mundo: 1,7 milhão de profissionais em atividade.

Para ler a reportagem “Os médicos filhos da pandemia” clique aqui. 

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6 comentários Ver comentários

  1. Estado não pode se meter na decisão privada das pessoas que queiram estudar medicina, bem como na decisão empresarial de decidir abrir ou não seu negócio

  2. Se o ensino for de qualidade (o que não foi considerado pelo ex presidente do CFM), quanto mais médicos, melhor. E viva a concorrência!

  3. Vai inundar o país com profissionais de baixa capacidade técnica e qualidade. Hoje grande parte de quem presta graduação para medicina só pensa no salário depois de formado, não possuindo nenhuma vocação.
    O resultado será péssimos profissionais com o mercado saturado, fazendo com quem entrou pensando no dinheiro quebrar a cara, pois muitos profissionais e poucas vagas derrubam o salário médio da classe.

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