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MPF pede para União reassumir posse de antigo prédio do IML

Edifício, situado na Lapa, no Rio de Janeiro, está abandonado desde 2009

Fachada do antigo prédio do IML no Rio de Janeiro | Foto: Divulgação/Marcelo Del Negri/MPF-RJ
Fachada do antigo prédio do IML no Rio de Janeiro | Foto: Divulgação/Marcelo Del Negri/MPF-RJ

O antigo edifício do Instituto Médico-Legal (IML), situado na Lapa, no Rio de Janeiro, tornou-se alvo de uma ação civil pública apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) à Justiça Federal.

O órgão solicita que a União reassuma a posse do imóvel no prazo de 30 dias, com o objetivo de promover ações de manutenção e proteger o acervo histórico, composto de 440 mil itens, entre fotografias e microfilmes.

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Durante uma vistoria realizada em março, representantes do MPF, em conjunto com entidades públicas e grupos da sociedade civil, identificaram no local documentos que podem contribuir na busca por desaparecidos políticos do período do regime militar, entre 1964 e 1985.

Também foram encontrados arquivos da Polícia Civil datados das décadas de 1930 a 1960. O levantamento afirma que o prédio, pertencente à União e cedido ao antigo Estado da Guanabara desde 1965 para uso do IML, se encontra em situação de abandono desde 2009, quando deixou de abrigar o Instituto Médico-Legal.

Abandono e disputa pela posse do prédio do IML

Documentos históricos encontrados em inspeção no antigo Instituto Médico Legal (IML), no Rio de Janeiro  | Foto: Divulgação/Marcelo Del Negri/MPF-RJ
Documentos históricos encontrados em inspeção no antigo Instituto Médico-Legal (IML), no Rio de Janeiro | Foto: Divulgação/Marcelo Del Negri/MPF-RJ

O termo de transferência da década de 1960 prevê a devolução do imóvel ao governo federal, mas o processo não foi finalizado.

Segundo o MPF, o espaço permanece em um “limbo jurídico”, sem conclusão da devolução e sem medidas federais para preservar o acervo. “A manutenção desse estado de coisas implica uma violação permanente do patrimônio público e do direito à memória”, afirmou o procurador Júlio Araújo, responsável pela ação.

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Além do MPF, participaram da inspeção órgãos como o Arquivo Nacional, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e o Arquivo Público do Estado. O grupo verificou que documentos estavam armazenados de forma inadequada, com presença de sujeira, fezes de pombos, janelas quebradas, microfilmes deteriorados e materiais inflamáveis.

Moradores da vizinhança relataram que o prédio sofre invasões frequentes, sendo utilizado por usuários de drogas e como “banheiro público”. Nos anos 1990, o Grupo Tortura Nunca Mais localizou os corpos de 14 desaparecidos políticos graças a uma pesquisa feita no IML, que levou à descoberta de uma vala clandestina no cemitério de Ricardo de Albuquerque, hoje transformado em memorial.

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