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Brasil

O que Glória Maria pensava sobre o politicamente correto

Durante uma entrevista de 2020, a jornalista criticou o fato de, hoje em dia, 'tudo ser racismo e preconceito'

glória maria
A jornalista Glória Maria deixa duas filhas | Foto: Divulgação/TV Globo

Durante uma entrevista a Joyce Pascowitch, publicada em setembro de 2020, a jornalista Glória Maria teceu críticas ao politicamente correto. As declarações vieram à tona, depois que Pascowitch citou temas como assédio moral e sexual em várias esferas da sociedade, sobretudo a do trabalho.

“Eu acho isso tudo um saco”, disse Glória. “Por exemplo, hoje, tudo é racismo, tudo é preconceito. Eu, até hoje, na TV, tenho meus câmeras antigos, os técnicos que estão comigo há 40 anos, todos me chamam de ‘Neguinha’. Eu nunca me ofendi, nunca me senti discriminada. Me chamam de uma maneira amorosa, carinhosa.”

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Ao definir-se como “politicamente incorreta”, a jornalista observou que o o mundo “está chato”. “Estou há mais de 40 anos na televisão”, lembrou. “Já fui paquerada muitas vezes, mas nunca me senti assediada moralmente. Acho que o assédio moral é uma coisa clara, não tem dubiedade. Não tem como você interpretar. O assédio é uma coisa que te fere, é grosseiro, te machuca, te incomoda, te desmoraliza.”

Glória Maria afirmou que a paquera é muito diferente do que se prega hoje em dia. “Eu estou cansada desse negócio”, desabafou. “Os homens estão com medo. Eu quero ser paquerada ainda, gente, estou viva. Mas existe uma cultura hoje que ‘não pode’, e nós mulheres sabemos bem fazer a diferença de uma paquera para o assédio, um abuso sexual.”

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Luto por Glória Maria

A jornalista morreu nesta quinta-feira, 2. Segundo nota da TV Globo, divulgada pelo G1, Glória foi diagnosticada com um câncer de pulmão em 2019, e o tratamento com imunoterapia teve sucesso. Depois, ela sofreu metástase no cérebro e foi tratada, com êxito, por meio de cirurgia. Eem meados do ano passado, contudo, Glória Maria começou uma nova fase do tratamento para combater novas metástases cerebrais que, infelizmente, deixou de fazer efeito.

10 comentários
  1. Christian
    Christian

    Foi a melhor resposta que ouvi até hoje sobre racismo e assédio : CHATO.
    A vida aqui no Brasil, a vida se descoloriu. Estamos em preto & branco e existem mais de 50 tons de cinza.
    Não existe lei no mundo que explica todos estes tons.

  2. Aldair Nogueira do Bonfim
    Aldair Nogueira do Bonfim

    Estou assinando esse meio de comunicação pelo posicionamento político da mesma.
    Caso perceba mudança nesse sentido, estarei cancelando assinatura

    1. Luciano DIAS
      Luciano DIAS

      O meu comentário não foi postado. Escrevi que para esta pessoa tudo é preconceito e racismo por que ela trabalhava na Rede Globo. Fora dela nem tudo é preconceito e racismo. A revista está passando pano.

  3. Ricardo Fanti
    Ricardo Fanti

    Uma mulher de verdade, não se escondia atrás de frases feitas e criticava abertamente a hipocrisia do politicamente correto. Hoje a mídia dá muito espaço para aquelas que fazem uma tempestade em copo d’água quando falam de racismo e assédio. Existe, mas é muito exagero, oportunismo ou ignorância, o que diminui a importãncia dos temas.

  4. Lourival Francisco dos Santos
    Lourival Francisco dos Santos

    Que Deus em sua infinita sabedoria, lhe dê o merecido descanso, vai em PAZ Irmã.

  5. Pedro Henrique
    Pedro Henrique

    Particularmente achava a Glória Maria a melhor jornalista da TV brasileira. Hoje não existem mais jornalistas como Glória assim como uma imprensa livre de ideologias político partidária. Uma grande perda! Força espiritual para a família de Glória Maria!

  6. Hermes Serra
    Hermes Serra

    Glória Maria foi um exemplo de profissionalismo e de mulher independente e batalhadora. Trilhou um caminho privilegiado por grandes entrevistas e prestigiosas apresentações.
    Os pseudojornalistas atuais deveriam seguir esse singular exemplo de uma jornalista sem fronteiras. Vai fazer muita falta. Esteja com Deus linda florzinha.

  7. Klaus
    Klaus

    Uma forte. Uma guerreira. Inteligente. Não dependeu de implorar pelas esmolas das cotas… Foi `a luta com as armas que possuía no momento. Como todos nós que conhecemos a pobreza, usou as ferramentas que tinha nas mãos… Não cantou o cantou de lamentação dos “ah! se eu tivesse nascido assim, ah! seu tivesse dinheiro pra isso ou aquilo..,”. Desbancou os branquelos, os neguinhos, os riquinhos, os índios, e todos mi-mi-mis! Disciplinada, consistente. Venceu, os resmungões e resmungonas, os fracos e os indolentes de qualquer cor ou naipe. Generosa para com os verdadeiros destituídos. É gente desse calibre que constrói uma nação próspera e saudavelmente fraterna.

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