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São Paulo sofreu grande terremoto há mais de 2 milhões de anos

Geólogos da USP e da Universidade Federal do ABC publicaram estudo sobre o abalo sísmico

terremoto São Paulo
Região dos bairros Colônia e Vargem Grande, onde teria caído o meteorito que pode ter causado o terremoto | Foto: Reprodução/YouTube/Agência Fapesp

Um estudo de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal do ABC (UFABC) sugere que a cidade de São Paulo sofreu um terremoto de grande magnitude há 2,5 milhões de anos. Os geólogos chegaram a essa conclusão em razão das “feições geológicas” no subsolo do centro da capital paulista.

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Publicado na revista Sedimentary Geology em dezembro de 2022, esse foi o primeiro estudo a documentar registros de abalos sísmicos na região. O terremoto pode ter sido causado pela queda de um meteorito ou por atividade tectônica, segundo a pesquisa. “Nossa interpretação é que as estruturas de formação de sedimentos moles (SSD) na formação São Paulo foram provavelmente desencadeadas por um impacto de meteoro cenozóico registrado por uma cratera próxima à área de estudo”, afirmam, no estudo.

“A queda do meteorito faz mais sentido, tanto do ponto de vista geológico, quanto da estratigrafia”, disse ao Estadão Renato Henrique Pinto, do Instituto de Geociências da USP, um dos autores do estudo.

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Outra hipótese da causa do terremoto seria a movimentação normal das placas tectônicas. O Brasil está localizado bem no centro da placa Sul-Americana e, por isso mesmo, os abalos sísmicos são raros por aqui. Entretanto, a atividade tectônica nessas regiões também é causa de terremotos, embora não muito comum. “Não seria algo inédito. Isso ocorre com alguma frequência, embora seja mais comum nas bordas das placas tectônicas”, disse o geólogo Maurício Guerreiro, da UFABC, um dos autores do estudo.

Já a hipótese de meteorito é corroborada pela existência de uma cratera na parte sul da cidade, a cerca de 40 quilômetros do centro, com 3,6 quilômetros de diâmetro e 450 metros de profundidade. Chamada de Cratera Colônia, o buraco passou muito tempo despercebido porque está coberta por sedimentos que formam uma planície. Apenas na década de 1960 imagens aéreas e de satélite revelaram a cratera. Na região, estão os bairros de Colônia e de Vargem Grande.

terremoto são paulo
Imagem de satélite que mostra o local da possível queda do meteorito | Foto: Reprodução/YouTube/Agência Fapesp

Segundo os autores do estudo, a análise das bordas e dos sedimentos do fundo de grande buraco indicam que a possível causa foi a queda de um meteorito. “Caso a gente consiga provar que não há relação entre o tremor e a Cratera Colônia, a única opção que nos restaria seria um terremoto de origem tectônica”, afirmou Guerreiro.

Terremoto em São Paulo teria chegado a 6 graus na Escala Richter

O estudo afirma que o terremoto registrado em São Paulo há 2,5 milhões de anos teria alcançado magnitude de, no mínimo, 6 graus na Escala Richter. Nos dias de hoje, um abalo como esse seria suficiente para destruir boa parte do centro da cidade.

“Se um terremoto desses ocorresse hoje, seria uma catástrofe completa. As construções de São Paulo não são feitas para esse tipo de ocorrência. Mesmo em cidades preparadas, como algumas no Japão e nos Estados Unidos, seria um caos completo”, disse Guerreiro ao Estadão.

O terremoto que deixou mais de 2 mil mortos no Marrocos, em setembro de 2023, alcançou 6,8 graus na Escala Richter.

A Turquia está em guerra contra o terrorismo | Imagem: Canva/Divulgação
Terremotos na Turquia em fevereiro de 2023 deixaram mais de 45 mil mortos | Foto: Divulgação/Canva

Iniciado durante a pandemia de covid-19, o trabalho dos geólogos deve prosseguir. As investigações sobre o subsolo da capital começaram nos afloramentos de rochas no próprio campus da USP, no Butantã e em praças no centro. O tipo de rocha encontrado é típico de regiões em que houve tremores de grande magnitude. Os pesquisadores também usaram os levantamentos do subsolo feitos pelo Metrô.

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“Precisamos preservar esses afloramentos. Se forem cimentados, ninguém nunca mais vai poder ver. Escrevi o projeto para montarmos um roteiro de visitação e, se conseguirmos verba, fazer uma datação”, disse Renato Pinto. 

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