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PF deflagra operação contra desvio e financiamento ilegal em eleições do Maranhão

Apurações revelam que empresas de fachada, contratos fictícios e notas fiscais sem respaldo real eram usados para mascarar origem de recursos

PF vai contar com agentes especializados em inteligência financeira, recuperação de ativos e investigação de organizações criminosas | Foto: Polícia Federal/divulgação
Agente da Polícia Federal (PF) | Foto: Polícia Federal/Divulgação

Um esquema de desvio de dinheiro público e financiamento ilícito de campanhas eleitorais no Maranhão está sendo alvo de investigação pela Polícia Federal desde a manhã desta quinta-feira, 21. A ação, batizada de Operação Arthros, mira práticas irregulares durante as eleições municipais de 2024 no Estado.

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As apurações revelam que empresas de fachada, contratos fictícios e notas fiscais sem respaldo real eram usados para mascarar a origem dos recursos. O dinheiro, segundo a PF, seguia para abastecer campanhas políticas de forma ilegal.

PF investiga lavagem de dinheiro e movimentação financeira

De acordo com os investigadores, o grupo recorria a contas de terceiros, saques em dinheiro vivo e transferências fracionadas. Assim, dificultava o rastreamento dos valores. Tais estratégias são típicas de operações de lavagem de dinheiro.

Nos 15 dias anteriores às eleições daquele ano, mais de R$ 1,9 milhão teriam circulado pelo esquema, sendo que aproximadamente R$ 1,2 milhão foram destinados a candidatos e intermediários. Parte desse montante, conforme a polícia, vinha de contratos públicos desviados para financiar campanhas.

Leia também: “Os 825 dias de Filipe Martins”, artigo de Ana Paula Henkel publicado na Edição 322 da Revista Oeste

A PF detalha que o grupo agia de forma organizada, com integrantes responsáveis por definir valores, escolher beneficiários e operacionalizar os repasses. O inquérito sugere a existência de um “gabinete paralelo” dedicado ao financiamento eleitoral ilegal.

Até agora, há registro de candidatos de diferentes municípios do Maranhão como possíveis beneficiários, com ocorrência de repasses de forma pulverizada e por meio de terceiros para dificultar a identificação dos destinatários finais.

Mandados judiciais e consequências para os investigados

urna eletrônica - eleições 2026 - cláusula de barreira
Modelo de urna eletrônica das eleições brasileiras | Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Por ordem do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão, agentes cumpriram 11 mandados de busca e apreensão em cidades como São Luís, Paço do Lumiar, Barreirinhas, Codó, Matões e Teresina, no Piauí.

A Justiça autorizou ainda o afastamento de quatro servidores públicos, o bloqueio de bens no valor de R$ 2 milhões e a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático dos investigados. Eles poderão responder por crimes como caixa dois eleitoral, corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e desvio de recursos públicos.

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