A Polícia Civil do Rio de Janeiro descobriu que o Comando Vermelho (CV) movimentou mais de R$ 5 milhões em armamento em apenas 30 dias. O jornal O Globo divulgou as informações nesta quarta-feira, 29.
O dado veio de uma planilha localizada no WhatsApp de Luiz Carlos Bandeira Rodrigues, conhecido como “Da Roça”, um dos principais operadores da facção na zona oeste carioca.
Receba nossas atualizações
+ Leia mais notícias de Brasil em Oeste
Segundo os investigadores, o grupo comprou 14 fuzis e mais de 44 mil cartuchos de calibres 7,62 e 5,56 no período analisado. Entre os armamentos aparece um fuzil calibre .50 — arma de uso militar, capaz de perfurar blindagens e atingir aeronaves.
A polícia rastreou parte das munições usadas em ataques contra forças de segurança e em invasões de territórios rivais. Os agentes identificaram um repasse de R$ 1,6 milhão para um fornecedor citado como “Bazzana” na tabela.
Os investigadores afirmam que se trata de Eduardo Bazzana, empresário do setor de armas e ex-presidente de um clube de tiro com mais de 7 mil associados em Americana, no interior de São Paulo.
Clube de tiro financiava arsenal da facção
Bazzana é atirador esportivo com registro no Exército e dono de duas lojas do ramo. Ele foi preso em maio deste ano. No inquérito, a polícia reuniu comprovantes de transferências feitas por laranjas do tráfico para contas ligadas ao empresário e suas empresas.
As datas e os valores batem com os registros extraídos do celular de Da Roça. Para o Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado, não há dúvida de que Bazzana vendeu munição diretamente para a cúpula do CV.
+ Leia também: “Polícia atinge núcleo do CV e neutraliza 115 criminosos”
A denúncia cita dezenas de imagens de comprovantes de Pix. O material mostra a triangulação entre traficantes, intermediários e o empresário do interior paulista, que mantinha imagem de respeitabilidade na cidade de Americana.
No site de seu clube de tiro, Bazzana promovia a estrutura como uma das melhores do Brasil. Oferecia restaurante, quiosques, estacionamento para cem veículos e até acessibilidade para atletas com deficiência.
Da Roça virou peça-chave na guerra do CV
Da Roça ganhou influência dentro da facção ao participar da invasão de favelas na região de Jacarepaguá, zona oeste da capital fluminense. A atuação garantiu prestígio com Edgar Alves de Andrade, o Doca, chefe do tráfico no Complexo da Penha.
Como recompensa, recebeu o comando da favela da Muzema — reduto antes controlado por milicianos. Lá, assumiu o tráfico, mas também expandiu as fontes de renda do CV: grilagem de imóveis, cobrança de taxas de moradores, roubo de cargas e venda de TV clandestina.
A polícia revela que Da Roça hoje funciona como operador logístico do CV. Ele importa armas e drogas, abastece outras favelas e administra parte do chamado “fundo de guerra”, responsável por financiar fuzis, munições e a ofensiva da facção contra rivais e milícias.
Na Justiça, os advogados de Eduardo Bazzana tentam descolar sua imagem da facção. Em petição recente, a defesa classificou o processo como “caça às bruxas”. Os advogados afirmaram que ele, hoje com 69 anos, é “pai de três filhos, avô de dois netos” e um “empresário digno e honesto que sempre foi”.






































Entre ou assine para enviar um comentário.
Você precisa de uma assinatura válida para enviar um comentário, faça um upgrade aqui.