A Polícia Civil de São Paulo apreendeu mais de 100 mil vasilhames vazios de bebidas alcoólicas em um galpão clandestino na Vila Formosa, zona leste da capital. A operação, realizada na tarde desta segunda-feira, 6, integra as ações da força-tarefa do Governo de São Paulo criada para combater casos de contaminação por metanol e adulteração de bebidas.
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O local, que se apresentava como uma “empresa de recicláveis”, comercializava vasilhames de destilados — como gins, vodcas e whiskys — prontos para revenda e reutilização, sem qualquer controle sanitário. Além das 100 mil garrafas vazias, os agentes encontraram cerca de 6 mil garrafas cheias, sem comprovação de origem. O estabelecimento, sem licença de funcionamento, foi interditado pela Vigilância Sanitária.
Dois homens, de 46 e 61 anos, foram autuados e serão investigados. O caso foi registrado na 1ª Delegacia Seccional do Centro como falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de bebidas. O material apreendido foi encaminhado ao Instituto de Criminalística.
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Apreensão de vasilhames integra operação integrada
A apreensão faz parte de uma série de operações deflagradas no Estado para conter o avanço de bebidas falsificadas. Ainda na segunda-feira, a Polícia Civil realizou a Operação Última Dose, com mandados cumpridos em Osasco, Americana, Sumaré e Poços de Caldas (MG). Uma mulher foi indiciada, e os agentes encontraram 3 mil garrafas adulteradas, mais de 300 mil rótulos falsificados e insumos usados no envase ilegal.
Desde a criação da força-tarefa estadual, já foram apreendidas cerca de 15 mil garrafas e presas 20 pessoas. O gabinete de crise, instituído em 30 de setembro, reúne secretarias da Saúde, Segurança Pública, Fazenda, Justiça e Desenvolvimento Econômico, além das vigilâncias sanitárias municipais. Entre as medidas adotadas estão a interdição cautelar de estabelecimentos suspeitos e o recolhimento de amostras para análise pericial.
A intensificação das fiscalizações ocorre em meio a uma crise sanitária que envolve casos de intoxicação por metanol em bebidas adulteradas. Desde junho, ao menos três pessoas morreram e nove foram internadas em São Paulo por envenenamento. O metanol é uma substância química incolor e inodora, usada como solvente industrial e combustível, que, quando ingerida, pode causar cegueira, insuficiência respiratória e morte.

Ampliação das investigações e alerta nacional
O Ministério da Justiça confirmou que os casos apresentam “padrão inédito e diverso”, por atingirem vários tipos de bebidas, como gin, uísque e vodca. O ministro Ricardo Lewandowski afirmou que “tudo indica que existe distribuição para além do Estado de São Paulo”. A Polícia Federal investiga uma possível rede interestadual de produção e distribuição de bebidas contaminadas.
As autoridades estaduais e federais tratam o problema como uma questão de saúde pública e segurança do consumidor. A falsificação e a adulteração de bebidas são crimes previstos no Código Penal e na Lei nº 8.137/1990, com pena de reclusão e multa.
O Governo de São Paulo e órgãos parceiros monitoram o comércio de bebidas e intensificam operações conjuntas. A orientação oficial é que o consumidor compre apenas de estabelecimentos regularizados e denuncie qualquer suspeita às autoridades sanitárias ou de defesa do consumidor.
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