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Trans busca na Justiça direito à pensão exclusiva para filhas de militares

Stella Calazans aguarda decisão do processo que tramita no STF há cerca de 3 anos

Stella Calazans, de 37 anos, é uma mulher trans e filha de um militar morto em 1998
Stella Calazans, de 37 anos, é uma mulher trans e filha de um militar morto em 1998 | Foto: Reprodução/Redes sociais

Stella Calazans, de 37 anos, busca na Justiça há 16 anos o direito à pensão destinada exclusivamente a filhas solteiras de militares. Embora a lei preveja o auxílio, ela ainda não o recebeu, porque, biologicamente, nasceu homem. O caso da trans está no Supremo Tribunal Federal (STF) e aguarda julgamento.

Ela cresceu na Granja Guarany, em Teresópolis (RJ). O pai dela, suboficial das Marinhas de Guerra e Mercante, morreu em 1998. Na ocasião, Stella tinha 11 anos.

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Por ser biologicamente do sexo masculino, Stella recebeu pensão até completar 18 anos — como ocorre com quaisquer filhos de militares.

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A pensão para filhas (mulheres) de militares é paga de forma vitalícia, desde que elas não se casem legalmente.

Depois de conseguir na Justiça trocar o nome e o sexo nos registros oficiais, Stella resolveu ir atrás para receber o benefício destinado exclusivamente às filhas solteiras de militares.

“Demorou muito para sair os documentos, foram aproximadamente oito anos”, disse Stella, ao portal UOL. “Somente depois de estar com a documentação toda correta que procurei a Marinha para requerer o meu direito.”

Advogada trans

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No Brasil, trans quer receber pensão concedida a filhas — mulheres e solteiras — de militares | Foto: Andrey Popov/Shutterstock

Com novos nome e gênero nos documentos, Stella abriu uma conta para receber a pensão como filha solteira de militar. Até agora, contudo, não começou a ganhar o valor que alega ter direito.

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Por causa disso, ela procurou a Defensoria Pública e venceu em primeira instância. Entretanto, perdeu na segunda, porque, biologicamente, não é mulher.

Na tentativa de buscar o reconhecimento como filha solteira de militar, Stella contratou uma advogada trans especializada em Forças Armadas para auxiliá-la no processo. A ação tramita há cerca de três anos no STF. 

Em abril de 2024, os ministros do Supremo decidiram que a decisão do caso terá repercussão geral. Ou seja, o parecer do STF no caso Stella vai afetar outros pedidos de pensão por filhas transexuais de militares.

Leia também: “Uma paródia grosseira de mulher”, artigo de Brendan O’Neill publicado na Edição 160 da Revista Oeste

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2 comentários
  1. Christian
    Christian

    Além de ser uum absurdo estas pensões vitalícias, isto faz com que as filhas de militares não casem e haverá filas para a mudança de gêndero….
    Militares, abram os olhos…

  2. jose luiz
    jose luiz

    Fora a questão de ser trans ou não, esse tipo de pensão vitalícia para as filhas de militares que ingressaram nas forças até o ano 2000, é um verdadeiro absurdo, que os pagadores de impostos custeiam. Essa pensão vitalícia, independe de ela estar ou não casada. Enquanto isso, para a maioria dos brasileiros a pensão para filhos vai somente até 21 ou 24 anos (se estudante) e mesmo para as viúvas, dependendo do tempo de convivência, também não será vitalícia, sem contar que em qualquer caso, vai receber no máximo 60% do valor. Pior é a interpretação de que somente após a mudança na lei, válida para 2001, não há mais vitaliciedade. Para nós do INSS, quando muda a legislação, se aplica para todos os casos futuros de pensão e não somente para os que ingressaram na previdencia dali para frente. Desse jeito o país nunca vai dar certo.

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