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Economia

16,9 milhões de brasileiros pagam Imposto de Renda por defasagem na tabela, diz Sindifisco

Segundo o Sindifisco, 16,9 milhões de contribuintes pagam Imposto de Renda por causa da ausência da correção do IPCA na tabela desde 1996

16,9 milhões de brasileiros pagam Imposto de Renda por defasagem na tabela, diz Sindifisco | Divulgação/Receita Federal
16,9 milhões de brasileiros pagam Imposto de Renda por defasagem na tabela, diz Sindifisco | Divulgação/Receita Federal

Cerca de 16,9 milhões de contribuintes brasileiros saíram da faixa de isenção e começaram a pagar o Imposto de Renda por causa da ausência de correção integral na tabela do IPCA.

A informação foi divulgada nesta quarta-feira, 4, pelo Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Sindfisco), que salientou como a tabela do Imposto de Renda não é atualizada desde 1996.

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Se nesse período a tabela tivesse sido corrigida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o índice de inflação oficial do Brasil, mais de 29,2 milhões de pessoas estariam isentas do Imposto.

No ano calendário 2021, referente a declaração de Imposto de Renda 2022, apenas 12,3 milhões de declarantes não foram obrigados a pagar o imposto.

Tabela do Imposto de Renda congelada

Por causa desse congelamento, a defasagem da tabela chegou em 120% na correção da primeira faixa do imposto de renda, a que é isenta.

A base usada é o ano de 1996, pois neste ano, por conta de dificuldades fiscais do governo federal, a tabela deixou de ter reajustes periódicos.

Além disso, também houve uma supressão de uma faixa da tabela cuja alíquota era 35%.

O limite atual é R$ 2.112, já contemplando a dedução de R$ 528. Caso corrigissem a tabela de acordo com a inflação, a renda livre de impostos de renda seria R$ 4.647.

Após sete anos sem mudanças, a primeira faixa teve em maio uma correção de 10,93% pelo atual governo, e as expectativas são de subir até R$5 mil até o fim de 2026.

Saiba mais: O que muda com a nova faixa de isenção do Imposto de Renda?

Entretanto, as demais faixas não foram corrigidas, fugindo de uma correção linear tradicional. Na média, a defasagem acumulada entre todas as faixas é de 146,40% de acordo com estudo do Sindifisco.

Como isso afeta os brasileiros?

Ao não corrigirem a tabela do Imposto de Renda de acordo com a inflação, embora os salários aumentem nominalmente (pela própria correção inflacionária), o brasileiro acaba pagando maiores alíquotas por atingir faixas superiores, enquanto na realidade seu poder de compra está diminuindo (pois não tem uma correção salarial maior que a inflação) e acaba pagando mais impostos ao governo.

“A não correção integral da tabela faz com que muitos daqueles que não ganharam mais, ou mesmo ganharam menos, paguem mais”, aponta o relatório do Sindifisco.

Segundo o sindicato, os mais pobres acabam sendo proporcionalmente os mais tributados, e as desigualdades distributivas do Brasil aumentam.

Em 1996, a isenção beneficiava contribuintes com renda de até nove salários mínimos. Desde 2019, a primeira faixa caiu para menos de dois salários mínimos.

Em simulação do impacto da defasagem entre as faixas de renda, o estudo mostra que o Imposto de Renda pago a mais por contribuintes diminui percentualmente, conforme a renda aumenta.

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