O Banco Central (BC) decretou, nesta quarta-feira, 18, a liquidação extrajudicial do Banco Pleno, instituição que já integrou o conglomerado do Banco Master, alvo de investigação por fraudes financeiras bilionárias. Antigo Voiter, o Pleno foi parte do grupo Master até julho.
Na ocasião, Augusto Lima deixou a sociedade com Daniel Vorcaro e assumiu o controle do banco. Ambos chegaram a ser presos na Operação Compliance Zero e posteriormente foram liberados mediante uso de tornozeleira eletrônica.
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Com dificuldades de liquidez, o banco buscava um investidor para manter as operações. Por ordem do BC, estava impedido de emitir novos Certificados de Depósito Bancário (CDBs) como forma de captação. No mercado secundário, esses papéis chegaram a ser negociados a 165% do Certificado de Depósito Interbancário no fim de 2025.

Em 18 de novembro, foram liquidados o Master, o Master de Investimento, a Master Corretora e o Letsbank. Já em 15 e 21 de janeiro, o BC determinou a liquidação da administradora de fundos Reag e do Will Bank, respectivamente.
Dados mais recentes do BC, referentes a junho, revelam que o então Voiter registrava patrimônio líquido de R$ 672,6 milhões e lucro líquido de R$ 169,3 milhões. Em contrapartida, acumulava passivo de R$ 6,68 bilhões — dos quais R$ 5,4 bilhões eram referentes a CDBs.
Sem a possibilidade de emitir novos CDBs, o banco enfrentou maior dificuldade para honrar compromissos financeiros. Em nota, o BC informou que o conglomerado do Pleno representa 0,04% do total de ativos e 0,05% das captações do Sistema Financeiro Nacional.

Leia a nota do BC na íntegra:
“O Banco Central decretou hoje, 18 de fevereiro de 2026, a liquidação extrajudicial do Banco Pleno S.A., com a extensão do regime especial à Pleno Distribuidora Títulos e Valores Mobiliário S.A., entidades integrantes do conglomerado prudencial Pleno.
Trata-se de conglomerado de porte pequeno e enquadrado no segmento S4 da regulação prudencial, tendo como instituição líder o Banco Pleno.
O conglomerado detém 0,04% do ativo total e 0,05% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
A liquidação extrajudicial foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a sua atividade e inobservância das determinações do Banco Central do Brasil.
O Banco Central continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais. O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis. Nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos administradores da instituição objeto da liquidação decretada.“

Os problemas do Pleno remontam ao período em que operava sob o nome Indusval, ainda com outros controladores. Focado no financiamento a empresas e ao agronegócio, o banco passou por sucessivas reestruturações diante de prejuízos. Em 2019, adotou a marca Voiter, dentro de uma estratégia de transformação digital.
Em 2023, a Capital Consig apresentou proposta para adquirir o Voiter, mas o negócio não avançou. Em fevereiro de 2024, o Banco Master assumiu o controle da instituição.
Em julho, o BC aprovou a transferência do Voiter para Augusto Lima, que rebatizou o banco como Pleno, enquanto analisava a venda do Master para o Banco Regional de Brasília (BRB). Quatro meses depois, o banqueiro foi preso.
A autorização do BC ocorreu mais de um ano depois de Lima ter deixado o Master. Ele havia vendido sua participação na holding a Vorcaro no fim de abril de 2024.

Dono do Banco Pleno usou diversos fundos em suas operações
Natural de Salvador, onde nasceu em família de classe média, Augusto Lima formou-se em economia em uma universidade particular. Trabalhou com venda de abadás antes de ingressar no setor financeiro, por meio da Terra Firme da Bahia, fundada em 2001 para atuar como correspondente bancária.
Desde a criação do Credcesta, em 2018, Lima expandiu sua atuação da Bahia para a Faria Lima, ampliando o negócio de crédito consignado para 24 Estados e 176 municípios. Em novembro, foi preso na Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes em carteiras de crédito vendidas pelo Master ao BRB.
Ao longo de sua trajetória, Lima utilizou diversos fundos em suas operações e estreitou laços com a Reag, gestora de investimentos que foi alvo, em agosto, da Operação Carbono Oculto, sob suspeita de atuar para o Primeiro Comando da Capital, e acabou liquidada pelo BC.

A PKL One, controladora do Credcesta, recebeu aporte de um fundo chamado Reag 34, posteriormente rebatizado de Diamond. O fundo passou a deter o controle da empresa e é administrado pela WNT, citada na segunda fase da Operação Compliance Zero.
Lima também declarou ganhos milionários em operações com ações da Akaa Empreendimentos e cotas do Murrien 41, que receberam investimentos do fundo Hans 95 — um dos alvos da Operação Carbono Oculto.
Posteriormente, criou outras empresas no segmento e participou da fundação das associações de servidores Asteba e Asseba, que ofereciam serviços, inclusive financeiros, a funcionários públicos.
Redação Oeste, com informações da Folha de S.Paulo
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